domingo, 26 de agosto de 2012

Roubini adverte: crise financeira pode levar a “tempestade” em 2013

Nouriel Roubini foi um dos primeiros economistas a alertar para a crise financeira que abateu os EUA no final da década passada. Poucos davam crédito, mas dos caras que costumo ler foi o que melhor descrevei o processo antes de vir à tona.

Agora ele diz que a coisa vai ficar piorar em 2013 se a Europa insistir em arrochar os gastos sociais. Quem tem uma boa noção de macroeconomia sabe que num período de recessão, corte de gasto público é corte do PIB na veia.

Segue a metéria:


Economista que primeiro previu terremoto nos mercados sustenta: evitar o desastre dependerá de decisões políticas
Por Antonio Martins
Aonde nos levará a crise financeira que persiste desde 2008, mantém paralisados os países “centrais” do sistema e ameaça, recorrentemente, alastrar-se pela “periferia”? O economista Nouriel Roubini concedeu há cerca de uma semana, à National Public Radio (NPR), dos EUA, entrevista em que aborda o assunto. Vale a pena ouvi-lo. Nascido em Istambul, mas fixado no Ocidente desde a adolescência Roubini é professor na Universidade de Nova York. Foi certamente o primeiro pesquisador a identificar, ainda em meados da década passada, que o estouro da bolha imobiliária norte-americana e a quebra das hipotecas de segunda linha (sub-prime) levariam a uma crise global.
No diálogo que travou agora, com a repórter Linda Wertheimer, ele levantou a hipótese de uma “tempestade perfeita” em 2013 – ou seja, um aprofundamento agudo das dificuldades atuais, capaz de se propagar inclusive pelas zonas que hoje encontram-se relativamente preservadas. Três fatos políticos suscitariam o fenômeno, segundo Roubini. São eles: a) uma ruptura desordenada do euro, eventualmente provocada pela insistência dos dirigentes europeus em impor medidas que destroem direitos sociais e reduzem a atividade econômica; b) um mergulho dos Estados Unidos em recessão,  se, ao final do ano, prevalecerem as propostas conservadoras, de um grande corte de despesas públicas; c) uma derrapagem da China, na transição que terá de fazer, passando de uma economia fortemente apoiada em exportações e grandes investimentos para uma ênfase muito maior no consumo interno.
Um fator político pode precipitar estes  riscos, acrescenta o economista. Se Israel atacar o Irã, como tem cogitado com insistência, o tumulto provocado no Oriente Médio fará os preços do petróleo dispararem e tornará a administração dos problemas muito mais difícil, em toda parte.
Questionado por Wertheimer, Roubini detalha seu ponto de vista. Não está fazendo vaticínios, previsões que fatalmente se concretizarão; mas lançando alertas, chamando atenção para a necessidade de enfrentar politicamente dificuldades graves que, do contrário, causarão grandes distúrbios. O problema, sugere ele, é que não há, por enquanto, passos na direção correta.
Na Europa, a recusa dos governantes a buscar uma saída alternativa para as dificuldades de rolagem das dívidas poder provocar fadiga. Num determinado instante, as operações de “resgate” irão se tornar politicamente inviáveis, desencadeando quebras em dominó dos bancos. Nos Estados Unidos, os cortes maciços de despesas orçamentárias ocorrerão semi-automaticamente ao final do ano, se não forem revertidos até então. Pior: o ultra-conservador Paul Ryan acaba de ser indicado candidato a vice-presidência pelo Partido Republicano. Sua escolha revela que um setor importante do establishment está disposto a levar adiante sua crença fundamentalista no desmonte dos serviços públicos.
Entre os países cujas opções decidirão o futuro imediato da economia mundial, resta a China. Nos últimos quatro anos, foi um fator de estabilidade. Respondeu à crise de 2008 com um pacote ousado (e trilionário) de investimentos públicos. Graças a ele, manteve sua economia aquecida, num período de dificuldades generalizadas. Mas já sofre os efeitos da desaceleração global contínua.
Os ajustes que terá de fazer, adverte Roubini, são bem mais profundos que os de há três anos. Há, no meio do caminho (segundo semestre deste ano, ainda sem data precisa), um congresso do Partido Comunista, encarregado de articular a sucessão dos líderes atuais. Serão capazes de combinar esta tarefa com reorientações sensíveis, na segunda maior economia do planeta? Ainda não se sabe.
Numa época em que os temas econômicos são vistos como inacessíveis, na mídia tradicional, é um prazer ler ou ouvir Roubini na NPR. Com a autoridade conquistada com justiça, nos últimos anos, ele relembra que as decisões não podem ser deixadas aos mercados. As sociedades precisam assumi-las, sob pena de sofrer na carne as consequências de sua omissão.

STF quer acelerar julgamentos para aumentar produtividade

Com o destaque dado pela mídia ao mensalão podemos ter uma boa noção da morosidade no Supremo Tribunal Federal. São anos num processo e os ministro escrevem votos de mais de mil páginas e querem lê-los no plenário.

Perderam completamente a noção de tempo! Rapidez mesmo é só para soltar os grandes criminosos de colarinho branco.

Leia a matéria da agência Brasil:
http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-08-22/stf-quer-acelerar-julgamentos-para-aumentar-produtividade

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

No grupo dos que rejeitam Serra, 46% vão de Russomanno


Datafolha mostra que candidato do PRB é, disparado, o mais eficiente em capturar a rejeição recorde ao tucano
Os melhores resultados de Russomanno ocorrem nas mesmas áreas que registram as maiores rejeições a José Serra
RICARDO MENDONÇA
O bom desempenho de Celso Russomanno (PRB) na disputa pela Prefeitura de São Paulo pode ser explicado, em parte, pela rejeição recorde do tucano José Serra na cidade. É o que mostram cruzamentos de dados secundários do Datafolha de anteontem.
Pela pesquisa, Russomanno tem 31% das intenções de voto; Serra, 27%. Como a margem de erro é de três pontos, trata-se de um empate técnico. Na investigação sobre rejeição, porém, Serra lidera isolado: 38% não votariam nele de jeito nenhum. Com a margem de erro, a rejeição do tucano já pode estar em 41%.
Cruzamentos do Datafolha indicam que há uma correlação direta entre esses dois dados: quanto maior é a rejeição de Serra, melhor é o resultado de Russomanno.
No universo dos 38% que rejeitam Serra, Russomanno tem 46% dos votos. Não há nenhuma região da cidade e nenhuma faixa de renda, idade ou escolaridade em que Russomanno avance tanto.
No recorte de renda, seu melhor resultado ocorre entre os eleitores de famílias que ganham entre 2 e 5 salários mínimos: 36%. No recorte etário, seu máximo está na turma de 35 a 44 anos: 39%. Na escolaridade, seu recorde aparece no grupo dos que têm ensino médio: 36%.
No segmento dos que recusam Serra, Fernando Haddad (PT) tem 14%. E nenhum outro consegue mais que 10%.
Conclusão: Russomanno é, disparado, o mais eficiente em tirar proveito do inédito índice de anti serrismo.
E por que ele vai tão melhor que os outros nisso? Talvez porque, até aqui, é único rival de Serra plenamente conhecido (94%). Parte dos que recusam Serra só reconhecem bem Russomanno no cartão de resposta da pesquisa.
Outra forma de notar a correlação é pelo desempenho dos candidatos nas regiões.
Os recordes de Russomanno são nas regiões Leste 1 (42%), Leste 2 (39%) e Sul 2 (35%). São exatamente as três áreas onde Serra amarga seus índices mais altos de rejeição.
O inverso também é verdadeiro: os piores índices de Russomanno são no Centro e na região Oeste, áreas onde a rejeição de Serra é menor.

domingo, 19 de agosto de 2012

Sessão especial relembrando os (des)caminhos de Veja

 Uma serie de vídeos mostrando que o histórico da Veja com o crime vem de longa data.

Os grampos sem áudio da revista Veja





Revista Veja contra Protógenes


O Mensalão da Revista Veja



O Mensalão da Revista Veja 3






http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/sessao-especial-relembrando-os-descaminhos-de-veja

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Serra visita às escondidas os evangélicos para não desagradar os católicos


Serra monta comitê evangélico e faz périplo por igrejas
Tucano vai a cultos sem divulgar na agenda e já conseguiu apoio da Igreja Mundial e do principal tronco da Assembleia de DeusDE SÃO PAULO
O candidato do PSDB a prefeito de São Paulo, José Serra, vem fazendo um périplo por igrejas evangélicas na tentativa de atrair apoio de seus líderes.
A importância dada ao segmento motivou a criação de uma espécie de comitê evangélico, vinculado à coordenação de mobilização da campanha, que responde pela aproximação com o setor.
Desde abril, depois de ter sido escolhido candidato pelo PSDB, Serra já foi recebido por nove denominações, segundo Geraldo Malta, responsável pelo contato com os evangélicos. Os encontros, no entanto, não são divulgados em sua agenda pública.
De acordo com a campanha, isso acontece para não tumultuar as celebrações, em respeito aos religiosos que fazem os convites.
Entre as igrejas que já declararam apoio a Serra estão a Convenção Geral das Assembleias de Deus, principal tronco institucional da maior denominação pentecostal do país, e a Igreja Mundial.
Nos encontros, a presença de Serra costuma ser anunciada aos fiéis pelo líder religioso, que pede uma oração em sua direção. Das igrejas, a campanha costuma ouvir pedidos pela regularização de templos e pela intensificação de parcerias de suas associações com a prefeitura.
Líder no Datafolha com 30% das intenções de voto, Serra tem desempenho pior entre evangélicos: 25%.
Celso Russomanno (PRB), tecnicamente empatado com Serra na liderança com 26%, cresce no setor: vai a 34%.
Russomanno já tem apoio da Universal, ligada ao PRB, e iniciou ofensiva sobre igrejas que tinham o apoio a Serra dado como certo, como a Renascer. Ontem, a igreja recuou e deve anunciar sua decisão sobre quem apoiar nos próximos dias.
Hoje, Russomanno participa de gravação em TV vinculada à Igreja da Graça. O ex-deputado investe no apoio da denominação, apesar de a campanha de Serra e um aliado da igreja considerarem o acordo fechado com o tucano.

Mais da metade vivem em condições de moradia inadequadas

Mais da metade dos paulistanos (52%) vive em favelas, cortiços e loteamentos clandestinos, ou seja, 5,7 milhões de pessoas moram mal. As favelas e os cortiços, como sabemos, são moradias precárias.

Apesar disso, há anos no Estado e na prefeitura se elegem grupos que não tem o menor interesse em tratar do problema habitacional da cidade.

A quem cabe o passo seguinte da história?


O economista Carlos Lessa costuma dizer que o Estado brasileiro inventou o keynesianismo em 1930, antes de Keynes, com Getúlio Vargas. O Brasil é uma criação do Estado, ironizava Celso Furtado sobre a esquálida capacidade de iniciativa da sempre festejada 'iniciativa privada'. A verdade é que em praticamente todo os ciclos de crescimento coube ao Estado brasileiro determinar o nível de investimento, fixar prioridades, induzir e financiar a participação privada no arranjo macroeconômico. Por que seria diferente agora? Ou melhor, porque é tão difícil agora reproduzir a mesma alavanca, quando seu papel contracíclico mais que nunca é necessário face ao colapso da ordem neoliberal? 

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