sexta-feira, 1 de maio de 2015

Na Época, o alto custo da politização do Ministério Público Federal

http://jornalggn.com.br/noticia/na-epoca-o-alto-custo-da-politizacao-do-ministerio-publico-federal


Não há mais limites para a politização do Ministério Público Federal.
A denúncia da Procuradoria da República do Distrito Federal contra a Odebrecht e Lula, por suas ações para conquistar mercados em países emergentes, é um dos capítulos mais graves da atuação política do órgão (http://migre.me/pGGtG).
Desde o início dos anos 90, obras de construtoras brasileiras no exterior foram enquadradas na categoria “exportação de serviços”, tendo acesso a linhas de financiamento do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social). Já em 2003, o banco contava com um departamento especializado em América do Sul, com US$ 2,6 bilhões de projetos em carteira.
Junto com as obras vão equipamentos brasileiros, insumos brasileiros e, frequentemente, trabalhadores brasileiros.
Reconhecendo que as características da venda de serviços são similares a de exportação de produtos, houve enquadramento no PROEX (Programa de Financiamento às Exportações).
Em 15 de outubro de 2014, a Época Negócios exaltava a estratégia de internacionalização das empresas brasileiras (http://migre.me/pGFJi) a partir de estudos da Fundação Dom Cabral.
A conclusão do estudo foi a de  que o melhor mercado para as multi brasileiras são países em desenvolvimento:  "Como as empresas brasileiras inovam mais em processos, acabam se dando melhor em países não desenvolvidos, porque sabem lidar melhor com instituições desestruturadas".
E qual a razão da melhor competitividade das empresas brasileiras?
“Nesse sentido, o estudo mostra que os brasileiros têm conseguido muita "aceitabilidade" e lidam melhor que os norte-americanos, por exemplo, com a diversidade cultural de outros países. "Ao invés de chegar e sobrepor a sua cultura àquele país, a maioria das empresas brasileiras adaptam processos, produtos e culturas aos do anfitrião".
A primeira colocada no ranking da Dom Cabral foi a Construtora Norberto Odebrecht (http://migre.me/pGFQN), com um índice de internacionalização de 54,9%.
A ascensão das multinacionais brasileiras foi um feito celebrado por todas as escolas de administração. Em 2005 a revista Forbes passou a incluir empresas de países emergentes entre as 500 maiores do mundo. Esse mesmo mapeamento passou a ser feito pela Boston Consulting, que incluiu 14 empresas brasileiras na lista dos “100 maiores desafiantes globais” (http://migre.me/pGG0i).
No ranking da Dom Cabral. A Odebrecht aparecia em 28 países do mundo.

As suspeitas do MPF

Saindo do governo, através do Instituto Lula, o ex-presidente focou sua atividade internacional na África. Da mesma maneira que a Fundação Clinton, do qual FHC é membro. E  o soft powerbrasileiro – cuja maior expressão é a imagem internacional de Lula  – foi utilizada para enfrentar a invasão chinesa na África e em outros países do terceiro mundo.
De repente, o que era uma estratégia brasileira vitoriosa, nos olhos da inacreditável Procuradoria da República do Distrito Federal – e da inacreditável revista Época – torna-se objeto de inquérito.
Trechos da reportagem da revista sobre as investigações do Ministério Público Federal de Brasília a respeito das viagens de Lula e dos negócios da Odebrecht em outros países.
1.     A Odebrecht venceu uma licitação para obras na República Dominicana, usinas termelétricas em Pinta Catalina no valor de US$ 2 bilhões. “Suspeita do Ministério Público”, segundo a revista: superfaturamento da obra (na República Dominicana) porque o valor proposto pela Odebrecht seria o dobro da segunda colocada. O MPF acolhe denúncia do grupo chinês que perdeu a disputa. E vai se importar com superfaturamento em outro país.
2.     Obra da Odebrechet em Gana, logo após a visita de Lula: construção de corredor rodoviário no valor de US$ 290 milhões. A “suspeita” do MPF é que, quatro meses após a visita de Lula, a Odebrecht fechou o contrato.
Entre 2009 e 2014, a construtora fechou 35 contratos com o BNDES, para financiar obras de infraestrutura em outros países, , Angola, Argentina, Cuba, Equador, Venezuela e República Dominicana, construindo aeroportos, rodovias, linhas de transmissão, hidrelétricas, gasodutos, metrôs, portos (http://migre.me/pGGeH).  E 32 desses contratos firmados com governos nacionais, que são os entes responsáveis pelas obras de infraestrutura.
Nesse oceano de contratos, o Ministério Público Federal do Distrito Federal levantou um caso – o fato da construtora ter obtido uma obra em Gana após a visita de Lula – e transforma em suspeita, meramente para arrancar a fórceps uma desculpa para abrir investigação.
Há uma disputa insana entre as construtoras brasileiras e as chinesas pelo mercado da África. As chinesas são acusadas até de levar empregados chineses, abrigados em containers de navios, quase como mão de obra escrava. Têm a facilidade de estruturar financiamentos de forma rápida, em condições mais vantajosas.
Para tentar competir, o BNDES estruturou carteiras de financiamento (http://migre.me/pGGjE) e as empresas brasileiras passaram a oferecer treinamento e utilização da mão de obra local como contrapartida.
Estudos da Ernest & Young situaram a África como o mercado mais promissor para as multinacionais brasileiras, segundo matéria do Estadão (http://migre.me/pGGmv):
“A África é, ao lado da América Latina, o principal vetor da expansão internacional de grupos brasileiros. Segundo um estudo da Ernst & Young, embora o Brasil só participe com 0,6% do total dos investimentos estrangeiros nos 54 países africanos, a expansão nos últimos cinco anos tem acompanhado de perto o ritmo chinês. Desde 2007, a atividade brasileira cresceu 10,7% ao ano na África, enquanto a chinesa subiu 11,7%.
Junto com o direito de explorar os recursos naturais do continente vem a obrigação de realizar obras de infraestrutura para os governos - o que abre um mercado cativo para as empreiteiras. Não é por acaso que Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Odebrecht estão entre os grupos brasileiros mais bem conectados no continente”.
É hora de clarear esse jogo. É extremamente alto o custo da politização do Ministério Público e a falta de responsabilidade da mídia.
O Procurador Geral Rodrigo Janot precisa sair de sua zona de conforto, esquecer o show midiático, e garantir um mínimo de seriedade e responsabilidade institucional no órgão que comanda.

A culpa é dos professores...

Comentário do Vlad: A culpa pela violência da PM sobre os professores ordenada pelo governador Beto Richa, é dos professores. Eles deveriam ficar quietinhos em suas casas e aceitar pagar a conta da má administração dos tucanos no PR.

http://jornalggn.com.br/noticia/em-nota-governo-do-parana-culpa-manifestantes

Em nota, governo do Paraná culpa manifestantes

Jornal GGN – Depois de conseguir um saldo de 150 feridos graças à truculência da Polícia Militar em Curitiba, Beto Richa colocou a culpa de tudo à “agressão” e ao “vandalismo” de manifestantes infiltrados no protesto, entre eles alguns pertencentes ao “movimento black bloc”.
A nota do Governo Beto Richa, do PSDB, foi divulgada perto das 18h de hoje, quarta-feira. Na nota a afirmação de que "o radicalismo e a irracionalidade de pessoas mascaradas e armadas com pedras, bombas de artifício, paus e barras de ferro, utilizados contra os policiais" são os responsáveis pelo ocorrido. De acordo com o governo tucano, a PM fez uma "ação de defesa", na qual sete pessoas foram presas.
O Sindicato respondeu com nota de repúdio e afirmou que o “governo do Paraná ultrapassou todos os limites de civilidade, moralidade e humanidade”, criando “mancha deplorável” na história paranaense
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Confira a íntegra da nota do governo:
O Governo do Paraná lamenta profundamente os atos de confronto, agressão e vandalismo provocados na tarde desta quarta-feira (29) por manifestantes estranhos ao movimento dos servidores estaduais que estavam concentrados em frente à Assembleia Legislativa.
As reiteradas tentativas desses manifestantes de invadir o espaço do Parlamento Estadual culminaram com a ação de defesa das forças policiais, destacadas para cumprir a ordem judicial de proteção à Assembleia e ao seu livre exercício democrático.
O radicalismo e a irracionalidade de pessoas mascaradas e armadas com pedras, bombas de artifício, paus e barras de ferro, utilizados contra os policiais, são responsáveis diretos pelo confronto que se instalou na Praça Nossa Senhora de Salete. Lamentavelmente, policiais e manifestantes saíram feridos.
Sete pessoas foram detidas por envolvimento direto nos ataques aos policiais. E a investigação sobre os atos protagonizados por pessoas ligadas ao movimento black-bloc já está em curso, sob responsabilidade da Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária.
Curitiba, 29 de abril de 2015
GOVERNO DO PARANÁ
Confira a nota do APP-Sindicato:
Nota de Repúdio da direção da APP-Sindicato
A direção estadual da APP-Sindicato repudia toda a ação policial usada contra a nossa categoria - e os demais companheiros(as) servidores(as) do Estado - nesta trágica quarta-feira, 29 de abril, bem como nos dias que antecederam a votação do projeto de lei 252/2015. Neste dia, que entrará para a história como uma data a se lamentar, o governo do Paraná ultrapassou todos os limites. Da civilidade, da moralidade, da humanidade. O execrável exemplo de abuso de autoridade - protagonizado pelo governador Beto Richa e pelo secretário de Segurança Pública Fernando Francischini – é uma mancha deplorável na história do nosso Estado.
Centenas de policiais foram deslocados(as), de todas as regiões, para a capital, apenas com o intuito de garantir a votação, na Assembleia Legislativa do Paraná, de uma proposta que poderia ter encontrado consenso, mas que pela ganância e incompetência do governador, teve sua discussão atropelada. A polícia, em uma obediência cega e cruel, atirou milhares de balas de borracha, bombas de gás e jatos de água em pessoas que protestavam contra um projeto que coloca em risco suas aposentadorias. O futuro suado de cada um de nós, servidor e servidora do Paraná.
E assim, neste dia, apesar da resistência pacífica e heroica dos(as) servidores(as) estaduais, a tramitação do projeto do governo continuou. Ao custo de sangue e lágrimas de centenas de trabalhadores(as). E isto, sim, é de lamentar e repudiar. Além de não podermos entrar e nos manifestar na Casa do Povo, fomos expulsos violentamente das ruas. É um desrespeito ao Estado Democrático de Direito. É o retorno de uma ditadura insana, na qual a vaidade e o projeto personalista do senhor governador se sobrepõe ao de milhares de trabalhadores e trabalhadoras.
Mas a direção estadual da APP-Sindicato continuará fazendo o seu papel, de organização e liderança, para que a nossa categoria renasça, mais uma vez, dessa tragédia e permaneça na luta por uma educação pública de qualidade e por respeito aos(às) trabalhadores(as) do Paraná.
Direção Estadual da APP-Sindicato
As informações são da Carta Capital.

PEC da Bengala é cortina de fumaça sobre reais intenções do Congresso

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Faz parte do acordo para tramitação da proposta que adia a aposentadoria dos ministros do STF a aprovação de uma PEC que retira do presidente da República a exclusividade sobre a escolha dos magistrados
Jornal GGN - Faz parte de um acordo interno para que a PEC da Bengala seja aprovada na Câmara uma segunda proposta de emenda à Constituição que altera o método de escolha dos ministros que compõem o Supremo Tribunal Federal. A edição do Estadão desta quarta-feira (29) revelou o projeto que altera a idade de aposentadoria dos magistrados é uma "cortina de fumaça" sobre as verdadeiras intenções do Congresso. Segundo o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), os deputados querem fixar mandato de 11 anos para os titulares da Suprema Corte, e retirar do presidente da República a exclusividade sobre as nomeações.
"Na surdina", escreveu o jornal, Cunha desengavetou a PEC 473, proposta apresentada em 2001 pelo então deputado federal Antonio Carlos Pannunzio (PSDB), considerado o "projeto mãe", condutor do debate sobre a escolha de ministros. O peemedebista formou, no início de abril, uma comissão especial para discutir esse projeto mãe e outras seis PECs que versam sobre o mesmo assunto com "celeridade", ou seja, em tempo inferior às 40 sessões estabelecidas pela Casa.
A Constituição de 1988 determina que o chefe do Executivo nacional tem poder de escolha sobre os ministros que podem ingressar no STF, e estes devem ter, no mínimo, 35 anos, com possibilidade de permanecer até os 70 na Corte.
A chamada PEC da Bengala eleva a idade para aposentadoria do servido público para 75 anos. Se aprovada, a presidente Dilma Rousseff (PT) deixaria de repor cinco ministros que atingem a idade máxima neste mandato. Gilmar Mendes, único magistrado não indicado por um presidente petista, acha a PEC da Bengala pertinente para que o STF não ganhe contornos "bolivarianos". (Leia mais aqui)
O teor das propostas
O "projeto mãe" (PEC 473/01) abriga, agora, outras seis propostas: a PEC 566/2002 (assinada por Alceu Collares, do PDT), a PEC 484/2005 (João Campos, PSDB), a PEC 342/2009 (Flávio Dino, PCdoB), a PEC 393/2009 (Julião Amin, PDT), a PEC 434/2009 (Vieira da Cunha, PDT) e a PEC 441/2009 (Camilo Cola, PMDB). Todas elas serão analisadas e transformadas em um único projeto.
O que está em discussão, segundo a primeira PEC (556), é a escolha dos ministros do STF pelo seu Tribunal Pleno. Já a segunda (484) estabelece que os ministros serão escolhidos pelo Congresso e que os candidatos, pelo período de quatro anos após afastamento de suas funções judiciais, não podem exercer cargo eletivo, de ministro de Estado ou de presidente de partido.
A terceira PEC (342) fixa o mandato de 11 anos para os ministros e estabelece critérios para a escolha. A quarta (393) cria um conselho eleitoral para a escolha dos ministros. As demais repetem os pontos já apresentados.
A PEC 434 propõe que os candidatos ao Supremo tenham entre 45 e 75 anos de idades, e que sejam indicados por uma lista sêxtuple, a ser elaborada pela própria Corte. O escolhido será nomeado pelo presidente da República em exercício após aprovação de um terço do Senado. A PEC 441, por sua vez, sugere que ocupe a vaga deixada no STF o ministro o decado do Superior Tribunal de Justiça.
O que a Câmara pretende, em linhas gerais, é entregar ao Senado e à Câmara a possibilidade de indicação de dois nomes cada para uma vaga no Supremo, e estabelecer que os mandatos serão de 11 anos, sem chances de prorrogação, levantou o Estadão. Ao periódico, Eduardo Cunha disse que a comissão especial da PEC 473 é uma demanda dos deputados e que ele não tem "opinião formada" sobre o assunto.
O deputado Arthur Maia (SD) foi designado por Cunha para comandar a comissão especial, e admitiu que recebeu ordem para que a PEC 473 seja aprovada o mais rápido possível. Maia, em demonstração de obediência, convocou reunião para esta quarta-feira (29), antevéspera de feriado do Dia do Trabalhador, para definiri o plano de trabalho da comissão. Eles estudam convocar uma audiência pública para debater as propostas com juristas. O relator da PEC é Osmar Serraglio (PMDB).

A batalha do Proer não acabou, 20 anos depois

http://jornalggn.com.br/noticia/a-batalha-do-proer-nao-acabou-20-anos-depois-por-joao-villaverde
Vinte anos após o polêmico programa que injetou dinheiro público em 7 bancos privados que quebraram, a batalha continua. Três bancos ainda devem quase R$ 30 bilhões ao governo. Documentos inéditos revelam parte importante de uma história viva do País:
Imagine, caro leitor, que sete dos maiores bancos privados do País estão quebrados. Literalmente: quebrados. Diante disso, o governo decide injetar dinheiro público – e muito, muito dinheiro público – nessas instituições financeiras para evitar que a falência leve o sistema ao chão. Ao mesmo tempo em que coloca o dinheiro nos bancos, o governo toma o controle dessas instituições para si e as divide em duas partes. A parte boa, com ativos, é colocada à venda para outros bancos. A parte ruim… bem, a parte ruim de três desses sete desses bancos existe até hoje, 20 anos depois.
Este foi o Proer, o mais polêmico programa de nossa história econômica. Seu nome completo, como foi criado em novembro de 1995 pelo governo federal, é Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional.
Em valores da época, o Banco Central injetou nada menos do que R$ 16 bilhões em dinheiro público nos seguintes bancos: Nacional, Econômico, Mercantil, Bamerindus, Banorte, Pontual e Crefisul. Pelo site do Banco Central, clicando aqui, é possível ao leitor atualizar esse patamar para valor presente.
Sede do Banco Central em Brasília
Desde janeiro, o autor deste blog e o repórter Murilo Rodrigues Alves, levantamos, por meio da Lei de Acesso à Informação e do Banco Central, mais de 500 páginas em documentos do Proer. Diante de documentos que nunca tinham sido revelados foi possível acessar uma parte dessa história que ainda não acabou, mesmo 20 anos depois.
Três dos 7 bancos que receberam dinheiro público ainda devem ao Banco Central nada menos do que R$ 28,8 bilhões, em valores atualizados a fevereiro de 2015. A maior parte da dívida pertence ao Banco Nacional, da família Magalhães Pinto. O Nacional ainda precisa pagar ao governo R$ 21 bilhões. Outros R$ 7,7 bilhões são devidos pelo Banco Econômico, do banqueiro baiano Ângelo Calmon de Sá. O restante, um valor menor, de R$ 26,3 milhões, é devido ainda pelo banco Crefisul, do empresário Ricardo Mansur, que fora o fundador das extintas redes Mesbla e Mappin (lembra delas, caro leitor?).  Os demais bancos já quitaram suas dívidas com o governo.
Nacional, Econômico e Crefisul tem mais 13 anos para pagar o que resta de dívida com o governo. Ou seja, somados ao que vivemos de 1995 para cá, o Proer poderá ter seu acerto de contas final somente 33 anos após sua criação.
Quando foi anunciado, o Proer imediatamente causou grande polêmica. O então presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) vendeu a ideia de que o programa era a “única forma” de “salvar” o sistema bancário brasileiro de um colapso: a metade dos principais bancos relevantes à época quebrou entre 1994 e 1995. Por que? Foi uma combinação de fatores. O principal foi o fim da hiperinflação, que ao mesmo tempo em que permitia ganhos às instituições financeiras, também mascarava grandes problemas nesses bancos. Diversas fraudes foram realizadas nessas instituições para benefício de seus controladores, como depois ficou comprovado. Com fraudes e sem a inflação, os bancos ficaram de joelhos e uma quebradeira ficou iminente. O BC, então, preparou o plano polêmico, de injeção de dinheiro e separação das instituições em duas. No fim de 1995, FHC autorizou.
Os bancos que não tinham salvação entraram em liquidação extrajudicial. Outros, com ativos como agências e clientes, foram vendidos sem que as dívidas e cobranças judiciais fossem no mesmo pacote. O Nacional – que foi o maior dos bancos a quebrar – teve sua parte boa vendida ao Unibanco (que depois, em 2008, seria vendido ao Itaú). O Bamerindus foi comprado pelo HSBC. O Econômico foi vendido ao Excel, depois incorporado ao Bradesco, que também tinha adquirido o Pontual.
As partes podres de Nacional, Econômico e Crefisul existem até hoje e, como vimos, ainda devem quase R$ 30 bilhões ao governo federal.
O caso do Banco Nacional
Como que o Nacional quebrou? Sim, aquele mesmo banco que estava, nas manhãs dos domingos, na figura do grande ídolo nacional, que também aparecia nas capas das principais revistas e jornais, todas as semanas, ao longo de dez anos: Ayrton Senna.
Quando Senna sofreu seu acidente fatal, na curva Tamburello, durante o Grande Prêmio de San Marino, no campeonato de Fórmula 1 de 1994, o Nacional já estava em situação gravíssima, mas ninguém sabia. Senna morreu no dia 1º de maio de 1994, dois meses antes do início do Plano Real e um ano inteiro antes da crise do Nacional realmente começar a se tornar pública.
Publicidade de 1991 do Banco Nacional com Ayrton Senna
O banco era não só um dos maiores bancos privados do Brasil naquele instante, mas um dos maiores bancos da América Latina. Da noite para o dia, no fim de 1995, o banco foi dividido em dois, vendido ao Unibanco e sofrido intervenção do Banco Central.
O que aconteceu?
O Estadão teve acesso aos relatórios finais produzidos pela comissão de inquérito do Banco Central, que investigou todos os balanços e documentos do Nacional, em 1996 (logo após a intervenção do Proer, portanto), para tentar explicar como que o próprio BC, responsável pela fiscalização do sistema financeiro brasileiro, tinha deixado passar por debaixo de seu nariz um conjunto de fraudes tão grandes que deixara quebrado um banco daquele porte.
As revelações da comissão de inquérito do Banco Central são impressionantes mesmo aos olhos de hoje, 2015.
Capa do relatório final feito pela comissão de inquérito do Banco Central sobre o caso do Nacional. É possível ler que o Nacional estava em regime de administração especial "temporária". Mas isso já dura 20 anos.
Capa do relatório final feito pela comissão de inquérito do Banco Central sobre o caso do Nacional. É possível ler que o Nacional estava em regime de administração especial “temporária”. Mas isso já dura 20 anos
Os documentos apontam que as fraudes no Nacional começaram em 1987, com as operações de crédito de “natureza 917″. Este era o código para empréstimos concedidos a “empresas falidas, concordatárias, desaparecidas” e que, em vez de serem transferidos para a rubrica “crédito em liquidação”, permaneciam em aberto, como créditos normais, inflando artificialmente o balanço do banco. Não foi só isso: a partir de 1988, as “operações 917″ foram crescendo em ritmo desenfreado, ano a ano, atingindo o auge em 1994-95. Quando o Nacional quebrou e o BC interviu no banco, no âmbito do Proer, em novembro de 1995, as operações “de natureza 917″ acumulavam um impressionante saldo bilionário, que o BC estimou a época em R$ 5,367 bilhões, que inflavam as receitas do banco. Este valor, atualizado pelo IGP-M, corresponde hoje a R$ 24,9 bilhões.
Sim, caro leitor, as fraudes do Nacional somavam, em valores de hoje, vinte e cinco bilhões de reais.
Segundo os investigadores do Banco Central, não havia dúvida. Anotaram no documento obtido pelo Estadão o seguinte: “Temos a indicação que o procedimento de apropriar receitas visava unicamente melhorar as demonstrações financeiras do Banco Nacional S.A., procedimento este comumente conhecido como enfeitar ou maquiar o balanço, permitindo, desta forma, que a instituição financeira mantivesse uma boa imagem de credibilidade no mercado financeiro e, por outro lado, ilaquiasse o Banco Central, a CVM, a auditoria externa, acionistas e clientes“.
Justamente neste período, a partir de 1987, a exposição do Nacional aumentou muito, graças ao desempenho de Ayrton Senna na Fórmula 1. Em 1987, Senna, que ainda pilotava a Lotus, conseguiu duas vitórias (uma delas em Mônaco), e brigou pelo título de pilotos. Em 1988, Senna, já pilotando a inesquecível McLaren branca e vermelha, foi campeão do mundo após vencer 8 das 16 corridas e bater o rival Alain Prost. Em 1989, Senna foi vice-campeão após disputa acirrada com Prost. Em 1990 e 1991, Senna foi campeão, batendo Prost e o inglês Nigel Mansell. Entre 1992 e 93, dispondo de uma McLaren inferior às Williams, Senna ainda mostrou genialidade e fez corridas históricas debaixo de chuva. Em 1994, foi para a Williams e faleceu em San Marino.
Durante todo esse período, o boné azul do Nacional acompanhou o piloto. Senna, é evidente, nada sabia do que ocorria nos gabinetes do Nacional.
Ayrton Senna fotografado dentro da Williams, em 1994
Um dado impressionante coletado pelo BC na comissão de inquérito aponta para a ramificação das operações de “natureza 917″. Das 335 agências que o Nacional tinha no momento de criação do Proer, nada menos do que 187 delas foram utilizadas para abrigar essas operações. Ao final, o BC afirma: “Considerando as suspeitas desta comissão de inquérito de que, pelos valores envolvidos, os ex-administradores conheciam as operações e a elas não se opuseram“.
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A história do Proer ainda revela surpresas sobre um capítulo dramático – e ainda muito polêmico – da travessia econômica dos últimos anos no País.

Governo diz a teles e TVs que vai exigir caixas interativas

http://jornalggn.com.br/noticia/governo-diz-a-teles-e-tvs-que-vai-exigir-caixas-interativas


Do Teletime
O ministro das Comunicações Ricardo Berzoini esteve nesta terça, 28, com radiodifusores e empresas de telecomunicações. Em reuniões separadas, sinalizou para os dois setores que a posição do governo é para que o Gired (Grupo de Implantação da TV Digital) estabeleça como parâmetro para a caixinha de TV digital o modelo mais avançado, com capacidade de interatividade plena pelo padrão Ginga C, canal de retorno por meio de rede 3G e que seja compatível com aplicações como as demonstradas pela EBC no Projeto Brasil 4D, que incluem recursos de governo eletrônico e interatividade com a programação. Além de Berzoini e a equipe do Minicom, estavam nas reuniões o presidente da Anatel, João Rezende e o conselheiro Rodrigo Zerbone (presidente do Gired).
As reações dos dois setores foram igualmente parecidas. Os radiodifusores estão extremamente preocupados que essa posição acabe gerando um aumento de custo que comprometa substancialmente outras etapas do processo de desligamento da TV digital. A maior preocupação é que falte recursos para a mitigação de interferências, compensação aos investimentos feitos, logística e publicidade. Segundo fontes do setor de radiodifusão, a maior dificuldade é que o governo quer bater o martelo sobre o tipo de configuração de caixa sem ter uma dimensão real do custo. Os valores, dizem os radiodifusores, variam muito nas diversas configurações orçadas pelo governo, de US$ 38 a quase US$ 80, e ainda há o fator câmbio.
Lembrando que essas caixas serão distribuídas gratuitamente para cerca de 12 milhões de beneficiários do Bolsa Família e que a ideia do governo é desenvolver serviços de governo eletrônico para essa faixa da população. Se originalmente as estimativas eram de um gasto de R$ 1 bilhão na aquisição das caixas, esse valor pode facilmente saltar para R$ 2 bilhões, o que é quase dois terços do orçamento da EAD (Empresa Administradora da Digitalização, que comprará e distribuirá os equipamentos).
Mas, afinal, um modelo interativo não interessaria também à radiodifusão como forma de enriquecer seu conteúdo? Os radiodifusores dizem que sim, e não admitem nenhum receio de uma mudança no modelo de negócio, mas voltam a bater na questão dos custos como uma preocupação, daí a defesa veemente da caixa mais simples.
Teles
Entre as empresas de telecomunicações, a leitura da reunião com o governo foi outra. Primeiro, ficou uma mensagem ruim de uma intervenção do Executivo no processo, que vinha sendo negociado pelo Gired tecnicamente.
Depois, existe uma preocupação de que se esteja adicionando uma complexidade técnica mais difícil de ser administrada, com a manutenção posterior dos equipamentos, vulnerabilidade de segurança, a dificuldade de uso e os riscos de mau-funcionamento.
Há entre as teles, é claro, a questão do custo: para as teles, o princípio fundamental é fazer a migração da TV analógica para a digital (liberando o espectro de 700 MHz) dentro do prazo e sem gastar nada além dos R$ 3,6 bilhões já previstos para isso. Aumentar o custo da caixa agora (nas contas das teles ela sairá, na especificação do governo, por cerca de US$ 60) significa ter menos recursos para gastar depois. Isso significa cortar despesas sobretudo em publicidade.
Mas para as empresas de telecomunicações há um efeito positivo na imposição de modelo que o governo está fazendo. Elas entendem que essa especificação mais sofisticada da caixa não estava prevista na modelagem da Anatel quando elaborou os valores do edital de 700 MHz. Como estaria havendo, agora, uma quebra das premissas originais, haveria um argumento jurídico para brigar contra a exigência de qualquer aporte financeiro adicional no futuro, na leitura das teles.
Fontes do governo acham que é possível ainda construir um entendimento pacificado no Gired na reunião que acontecerá nesta quarta, 29, mesmo com a determinação de que se tenha uma caixa mais avançada. Há o entendimento de que a interatividade é parte do Sistema Brasileiro de TV Digital e que seria insustentável ao governo não exigir isso na caixinha que será distribuída para a população de baixa renda. Também há a leitura de que não haverá grandes impactos no orçamento, já que o valor previsto quando o edital de 700 MHz foi elaborado era muito similar ao que se imagina chegar.

Serra, o camaleão desenvolvimentista

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No "Valor Econômico" de ontem, uma longa entrevista com o senador José Serra. Esgrime argumentos desenvolvimentistas, critica o câmbio, tenta retomar o figurino que vestia nos anos 80, quando retornou do exílio e tornou-se um parlamentar eficiente.
A história política de Serra é significativa de um perfil típico da política brasileira: o camaleão ideológico.
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No início do governo FHC, as bandeiras desenvolvimentistas estavam vagas. Serra empunhou-as, tornando-se uma espécie de porta-voz da indústria.
Mas apenas para fora. À medida que foram sendo vazados os bastidores do plano Real, os depoimentos dos economistas mostravam um Serra vazio, sem participar dos debates internos devido a um amplo desconhecimento da macroeconomia.
Para fora, Serra era contra o câmbio apreciado e a privatização selvagem. Conforme depoimento recente de FHC, para dentro era o mais intimorato defensor da privatização da Vale.
A partir de determinado momento, o economista que se fizera como sucessor das teses cepalinas (da Comissão para o Desenvolvimento da América Latina) envergonhava-se dessa condição. Eram tempos de neoliberalismo, e Serra não mais se adaptava ao seu figurino original.
***
Em cargos executivos, a eloqüência de Serra sempre cedia lugar a um político acomodatício, fugindo de qualquer conflito.
No governo de São Paulo, quando estourou a crise de 2008, o antigo industrialista recusava-se a receber as associações da industriais. E sobressaiu o perfil mais fiel de Serra: aquele capaz de fazer a crítica correta, mas incapaz de tomar as medidas corretas.
De um lado, criticou o aumento de juros do Banco Central. De outro, em plena crise, aumentou substancialmente a tributação sobre as empresas com a figura do contribuinte substituto - que recolhia antecipadamente os tributos da cadeia de vendas.
Para ser recebido por Serra, a Abimaq ameaçou manifestação na porta do Palácio, ao lado da CUT e da Força Sindical.
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Quando o discurso econômico se esgotou e teve início a ofensiva moralista, imediatamente Serra converteu-se em um pastor tresloucado, lendo a Bíblia na casa das pessoas, deblaterando contra o aborto e as drogas.
Antigos jornalistas que, nos anos 80 ajudaram na formação da sua imagem, espantavam-se com sua superficialidade, com a maneira como seus conceitos tinham envelhecido sem entender nenhuma das revoluções empresariais dos anos 90 - os programas de qualidade, de inovação, a revolução no mercado de capitais.
Governador do mais importante e industrializado estado brasileiro, com as melhores cidades médias, os mais importantes institutos de pesquisa, as empresas mais modernas, Serra não logrou desenvolver um projeto sequer de competitividade, de reestruturação competitiva da economia paulista.
***
Agora que a anomia de Dilma Rousseff entrega a política econômica nas mãos ortodoxas de Joaquim Levy, e que Aécio Neves se afunda em uma superficialidade ampla e irrestrita, Serra tenta recuperar a imagem que consolidou como parlamentar, em tempos distantes.
Não conseguirá. Sua imagem esta indelevelmente ligada aos dossiês contra adversários, ao oportunismo ideológico que o fez perder toda a confiança da esquerda sem ganhar nenhuma confiabilidade junto à direita.

Governo Richa monta operação "de guerra" contra protesto de professores

Comentário do Vlad: trabalhador que vota em tucano é isso que deve esperar.

http://jornalggn.com.br/noticia/governo-richa-monta-operacao-de-guerra-contra-protesto-de-professores


Jornal GGN - O governo do Paraná, capitaneado pelo tucano Beto Richa, montou uma estrutura "de guerra", segundo relatos da equipe da Folha de S. Paulo, para conter os protestos de trabalhadores do setor público (a maioria, professores) contra a votação do projeto que altera a previdência dos servidores pelos deputados estaduais, nesta quarta-feira (29).
O Estadão relatou, por volta das 15h, que professores e policiais militares entraram novamente em confronto em frente à Assembleia Legislativa do Paraná, e cerca de 50 pessoas sairam feridas após a polícia lançar mão de bombas de efeito moral, balas de borracha, jatos de água e gás de pimenta. No dia anterior, o arsenal foi o mesmo, mas o número de feridos aumentou no confronto de hoje. Os professores estão em greve desde o início da semana.
Segundo a Folha, entre os manifestantes há alunos da rede pública, que tiveram de recuar depois da truculência da PM, mas ainda tentam acompanhar a votação do projeto encaminhado por Richa à Assembleia. No início do ano, a Casa foi invadida por servidores em greve. Desta vez, os deputados conseguiram na Justiça a proibição de invasores na sessão. A polícia diz que recebeu ordens de cumprir com o mandado.
Um vídeo caseiro divulgado pela página do Facebook "Insurgência" - que, por volta das 17h, já falava em mais de 100 feridos - mostra o cenário de violência encampado pela polícia do Estado. A prefeitura de Curitiba, que fica em frente à Assembleia, foi usada como ambulatório emergencial para dar conta dos casos de agressão. Em comunicado oficial, o Paço disse que o Centro Cívico parece "uma praça de guerra" e está evacuando as escolas da região por conta dos efeitos do gás. Os funcionário da prefeitura seguiram no atendimento às vítimas.
 

Ainda de acordo com a Folha, todas as entradas da Assembleia estão fechadas e os policiais foram orientados a usar o cassetete se for preciso, mas sem mirar em membros superiores. "Se precisar usar a tonfa [cassetete], é por baixo! Nada de sair girando por cima", disse um dos comandantes.
Os deputados começaram a votar, esta semana, um projeto que pretende alterar a previdência estadual, aliviando o caixa do governo em R$ 1,7 bilhão ao ano. Por volta das 17h40, eles ainda debatiam o assunto, com alguns parlamentares de oposição ao governo Richa lamentando a operação de guerra montada pelo tucano.
O deputado Ademar Traiano (PSDB) foi um dos que não ficou sensibilizado pelo número de servidores agredidos. Mesmo com pedidos de diversos parlamentares para que a sessão fosse adiada, ele disparou: "A bomba não é aqui dentro. Então, vamos votar [o projeto do governador]."
Além de professores, outras categorias como agentes penitenciários e sevidores da saúde estão unidos contra o projeto.