quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Crescem domicílios sem nenhum tipo de restrição à compra de alimentos no Brasil

Está melhorando, mas ainda falta muito. 
Jornal GGN - Aumenta o número de domicílios sem nenhum tipo de restrição para a compra de alimentos no Brasil. Os dados são do suplemento de Segurança Alimentar da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD 2013), organizado pelo IBGE e divulgado nesta quinta-feira (18). O trabalho aponta que em 2013 o país possuía 65,3 milhões de domicílios. Desse total, 50,5 milhões, ou 77,4%, foram classificados com segurança alimentar. O percentual foi superior ao observado em 2004 (65,1%) e 2009 (69,8%). Por outro lado, o estudo também apresentou que em 22,6% dos domicílios brasileiros as pessoas estão preocupadas com a segurança alimentar. A faixa representa um quarto da população, ou 52 milhões de pessoas.

Abreu e Lima realiza primeira venda de diesel

http://jornalggn.com.br/noticia/abreu-e-lima-realiza-primeira-venda-de-diesel


Jornal GGN – A Petrobras anunciou ontem (17) que realizou a primeira venda de diesel da Refinaria Abreu e Lima (RNEST). De acordo com o diretor de Abastecimento, José Carlos Cosenza, a expectativa é que com a refinaria, localizada no Pernambuco, a importação de derivados, principalmente diesel e gasolina, seja reduzida em 100 mil barris por dia. A RNEST passa a disponibilizar para o mercado um volume total de 13 mil m³ de diesel S-500. A primeira nota fiscal emitida pela distribuidora tem volume de 1.600 m³.
A presidente Graça Foster comemorou o resultado. "É uma grande satisfação", disse em café de confraternização com jornalistas, na sede da empresa. E destacou os bons resultados alcançados pelo Programa de Otimização de Custos Operacionais (Procop), que deve fechar o ano tendo proporcionado uma economia de R$ 10 bilhões à Petrobras. A meta era de R$ 7,3 bilhões.
De acordo com o gerente executivo de Desempenho, Mário Jorge da Silva, a redução de custos com o Procop, entre janeiro e setembro, já chegou a R$ 7,4 bilhões. “Esse número já supera a meta do ano. As equipes e os equipamentos têm respondido melhor do que o previsto”, afirmou. No comparativo com o mesmo período de 2013, a redução de custos foi 54% maior.
Os executivos também destacaram o desempenho do Programa de Aumento da Eficiência Operacional (Proef), criado para recuperar os índices de produtividade em campos maduros. O Proef permitiu a recuperação de 135 mil barris de petróleo por dia, um aumento de 156% em relação a 2013.
A receita de vendas da estatal também cresceu. Os R$ 252,2 bilhões negociados entre janeiro e setembro deste ano representam 13% a mais do que no mesmo período do ano passado. A empresa está com um fluxo de caixa líquido positivo de R$ 4,2 bilhões. O aguardado balanço do terceiro trimestre deve ser divulgado até o fim de janeiro.
Além disso, Graça Foster disse que até o fim de janeiro já deve contar com uma lista de três nomes de executivos para que o Conselho de Administração escolha o novo diretor de Governança, Risco e Conformidade.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Natural gas: The fracking fallacy

Um grupo do departamento de petróleo e engenharia de geosistemas da Universidade do Texas acredita que o crescimento da produção de produção de petróleo e gás de xisto (shale gas) não é tão grande como previsto. Os preços não devem baixar tanto, pois a extração é custosa, inúmeros poços tem que ser aberto e tem que se furar quilômetros na horizontal para atingir a região de extração. Estas previsões não consideram o custo maior dos reservatórios mais difíceis de explorar. Abaixo da linha dos US$60 inviabilizam a exploração de várias jazidas.

Para os EUA a queda do preço do petróleo é geopolíticamente interessante: enfraquece os países que tem suas contas externas muito dependentes do fluxo de petrodólares. A Rússia, Irã e Venezuela sofrem muito com o petróleo baixo (os dois últimos bem mais).


Segue a matéria da Nature.
http://www.nature.com/news/natural-gas-the-fracking-fallacy-1.16430

A rig drills for natural gas using hydraulic-fracturing methods in a Pennsylvania shale formation.Foto de: Jim Lo Scalzo/EPA/Alamy
When US President Barack Obama talks about the future, he foresees a thriving US economy fuelled to a large degree by vast amounts of natural gas pouring from domestic wells. “We have a supply of natural gas that can last America nearly 100 years,” he declared in his 2012 State of the Union address.
Obama's statement reflects an optimism that has permeated the United States. It is all thanks to fracking — or hydraulic fracturing — which has made it possible to coax natural gas at a relatively low price out of the fine-grained rock known as shale. Around the country, terms such as 'shale revolution' and 'energy abundance' echo through corporate boardrooms.
Companies are betting big on forecasts of cheap, plentiful natural gas. Over the next 20 years, US industry and electricity producers are expected to invest hundreds of billions of dollars in new plants that rely on natural gas. And billions more dollars are pouring into the construction of export facilities that will enable the United States to ship liquefied natural gas to Europe, Asia and South America.
All of those investments are based on the expectation that US gas production will climb for decades, in line with the official forecasts by the US Energy Information Administration (EIA). As agency director Adam Sieminski put it last year: “For natural gas, the EIA has no doubt at all that production can continue to grow all the way out to 2040.”
But a careful examination of the assumptions behind such bullish forecasts suggests that they may be overly optimistic, in part because the government's predictions rely on coarse-grained studies of major shale formations, or plays. Now, researchers are analysing those formations in much greater detail and are issuing more-conservative forecasts. They calculate that such formations have relatively small 'sweet spots' where it will be profitable to extract gas.
The results are “bad news”, says Tad Patzek, head of the University of Texas at Austin's department of petroleum and geosystems engineering, and a member of the team that is conducting the in-depth analyses. With companies trying to extract shale gas as fast as possible and export significant quantities, he argues, “we're setting ourselves up for a major fiasco”.
That could have repercussions well beyond the United States. If US natural-gas production falls, plans to export large amounts overseas could fizzle. And nations hoping to tap their own shale formations may reconsider. “If it begins to look as if it's going to end in tears in the United States, that would certainly have an impact on the enthusiasm in different parts of the world,” says economist Paul Stevens of Chatham House, a London-based think tank.

The idea that natural gas will be abundant is a sharp turnaround from more pessimistic outlooks that prevailed until about five years ago. Throughout the 1990s, US natural-gas production had been stuck on a plateau. With gas supplying one-quarter of US energy, there were widespread worries that supplies would shrink and the nation would become dependent on imports. The EIA, which collects energy data and provides a long-term outlook for US energy, projected as recently as 2008 that US natural-gas production would remain fairly flat for the following couple of decades.
Then the shale boom caught everyone by surprise. It relied on fracking technology that had been around for decades — but when gas prices were low, the technology was considered too costly to use on shale. In the 2000s, however, prices rose high enough to prompt more companies to frack shale formations. Combined with new techniques for drilling long horizontal wells, this pushed US natural-gas production to an all-time high, allowing the nation to regain a title it had previously held for decades: the world's top natural-gas producer.

Rich rocks

Much of the credit for that goes to the Marcellus shale formation, which stretches across West Virginia, Pennsylvania and New York. Beneath thickly forested rolling hills, companies have sunk more than 8,000 wells over several years, and are adding about 100 more every month. Each well extends down for about 2 kilometres before veering sideways and snaking for more than a kilometre through the shale. The Marcellus now supplies 385 million cubic metres of gas per day, more than enough to supply half of the gas currently burned in US power plants.
A substantial portion of the rest of the US gas supply comes from three other shale plays — the Barnett in Texas, the Fayetteville in Arkansas and the Haynesville, which straddles the Louisiana–Texas border. Together, these 'big four' plays boast more than 30,000 wells and are responsible for two-thirds of current US shale-gas production.
The EIA — like nearly all other forecasters — did not see the boom coming, and has consistently underestimated how much gas would come from shale. But as the boom unfolded, the agency substantially raised its long-term expectations for shale gas. In its Annual Energy Outlook 2014, the 'reference case' scenario — based on the expectation that natural-gas prices will gradually rise, but remain relatively low — shows US production growing until 2040, driven by large increases in shale gas.
The EIA has not published its projections for individual shale-gas plays, but has released them to Nature. In the latest reference-case forecast, production from the big four plays would continue rising quickly until 2020, then plateau for at least 20 years. Other shale-gas plays would keep the boom going until 2040 (see 'Battle of the forecasts').
Petroleum-industry analysts create their own shale-gas forecasts, which generally fall in the neighbourhood of the EIA assessment. “EIA's outlook is pretty close to the consensus,” says economist Guy Caruso of the Center for Strategic and International Studies in Washington DC, who is a former director of the agency. However, these consultancies rarely release the details behind their forecasts. That makes it difficult to assess and discuss their assumptions and methods, argues Ruud Weijermars, a geoscientist at Texas A&M University in College Station. Industry and consultancy studies are “entirely different from the peer-reviewed domain”, he says.
To provide rigorous and transparent forecasts of shale-gas production, a team of a dozen geoscientists, petroleum engineers and economists at the University of Texas at Austin has spent more than three years on a systematic set of studies of the major shale plays. The research was funded by a US$1.5-million grant from the Alfred P. Sloan Foundation in New York City, and has been appearing gradually in academic journals1, 2,3, 4, 5 and conference presentations. That work is the “most authoritative” in this area so far, says Weijermars.
If natural-gas prices were to follow the scenario that the EIA used in its 2014 annual report, the Texas team forecasts that production from the big four plays would peak in 2020, and decline from then on. By 2030, these plays would be producing only about half as much as in the EIA's reference case. Even the agency's most conservative scenarios seem to be higher than the Texas team's forecasts. “Obviously they do not agree very well with the EIA results,” says Patzek.
The main difference between the Texas and EIA forecasts may come down to how fine-grained each assessment is. The EIA breaks up each shale play by county, calculating an average well productivity for that area. But counties often cover more than 1,000 square kilometres, large enough to hold thousands of horizontal fracked wells. The Texas team, by contrast, splits each play into blocks of one square mile (2.6 square kilometres) — a resolution at least 20 times finer than the EIA's.
Resolution matters because each play has sweet spots that yield a lot of gas, and large areas where wells are less productive. Companies try to target the sweet spots first, so wells drilled in the future may be less productive than current ones. The EIA's model so far has assumed that future wells will be at least as productive as past wells in the same county. But this approach, Patzek argues, “leads to results that are way too optimistic”.
The high resolution of the Texas studies allows their model to distinguish the sweet spots from the marginal areas. As a result, says study co-leader Scott Tinker, a geoscientist at the University of Texas at Austin, “we've been able to say, better than in the past, what a future well would look like”.
The Texas and EIA studies also differ in how they estimate the total number of wells that could be economically drilled in each play. The EIA does not explicitly state that number, but its analysis seems to require more wells than the Texas assessment, which excludes areas where drilling would be difficult, such as under lakes or major cities. These features of the model were chosen to “mimic reality”, Tinker says, and were based on team members' long experience in the petroleum industry.

Alternative Futures

The lower forecasts from Texas mesh with a few independent studies that use simpler methods. Studies by Weijermars6, as well as Mark Kaiser7 of Louisiana State University in Baton Rouge and retired Geological Survey of Canada geologist David Hughes8, suggest that increasing production, as in the EIA's forecasts, would require a significant and sustained increase in drilling over the next 25 years, which may not be profitable.
Some industry insiders are impressed by the Texas assessment. Richard Nehring, an oil and gas analyst at Nehring Associates in Colorado Springs, Colorado, which operates a widely used database of oil and gas fields, says the team's approach is “how unconventional resource assessments should be done”.
Patzek says that the EIA's method amounts to “educated guesswork”. But he and others are reluctant to come down too hard. The EIA is doing “the best with the resources they have and the timelines they have”, says Patzek. Its 2014 budget — which covers data collection and forecasting for all types of energy — totalled just $117 million, about the cost of drilling a dozen wells in the Haynesville shale. The EIA is “good value for the money”, says Caruso. “I always felt we were underfunded. The EIA was being asked to do more and more, with less and less.”
Patzek acknowledges that forecasts of shale plays “are very, very difficult and uncertain”, in part because the technologies and approaches to drilling are rapidly evolving. In newer plays, companies are still working out the best spots to drill. And it is still unclear how tightly wells can be packed before they significantly interfere with each other.
Representatives of the EIA defend the agency's assessments and argue that they should not be compared with the Texas studies because they use different assumptions and include many scenarios. “Both modelling efforts are valuable, and in many respects feed each other,” says John Staub, leader of the EIA's team on oil and gas exploration and production analysis. “In fact, EIA has incorporated insights from the University of Texas team,” he says.
Yet in a working paper9 published online on 14 October, two EIA analysts acknowledge problems with the agency's methods so far. They argue that it would be better to draw upon high-resolution geological maps, and they point to those generated by the Texas team as an example of how such models could improve forecasts by delineating sweet spots. The paper carries a disclaimer that the authors' views are not necessarily those of the EIA — but the agency does plan to use a new approach along these lines when it assesses the Marcellus play for its 2015 annual report. (When Nature asked the authors of that paper for an on-the-record interview, they referred questions to Staub.)

Boom or bust

Members of the Texas team are still debating the implications of their own study. Tinker is relatively sanguine, arguing that the team's estimates are “conservative”, so actual production could turn out to be higher. The big four shale-gas plays, he says, will yield “a pretty robust contribution of natural gas to the country for the next few decades. It's bought quite a bit of time.”
Patzek argues that actual production could come out lower than the team's forecasts. He talks about it hitting a peak in the next decade or so — and after that, “there's going to be a pretty fast decline on the other side”, he says. “That's when there's going to be a rude awakening for the United States.” He expects that gas prices will rise steeply, and that the nation may end up building more gas-powered industrial plants and vehicles than it will be able to afford to run. “The bottom line is, no matter what happens and how it unfolds,” he says, “it cannot be good for the US economy.”
If forecasting is difficult for the United States, which can draw on data for tens of thousands of shale-gas wells, the uncertainty is much larger in countries with fewer wells. The EIA has commissioned estimates of world shale potential from Advanced Resources International (ARI), a consultancy in Washington DC, which concluded in 2013 that shale formations worldwide are likely to hold a total of 220 trillion cubic metres of recoverable natural gas10. At current consumption rates — with natural gas supplying one-quarter of global energy — that would provide a 65-year supply. However, the ARI report does not state a range of uncertainty on its estimates, nor how much gas might be economical to extract.
Such figures are “extremely dubious”, argues Stevens. “It's sort of people wetting fingers and waving them in the air.” He cites ARI's assessments of Poland, which is estimated to have the largest shale-gas resources in Europe. Between 2011 and 2013, the ARI reduced its estimate for Poland's most promising areas by one-third, saying that some test wells had yielded less than anticipated. Meanwhile, the Polish Geological Institute did its own study11, calculating that the same regions held less than one-tenth of the gas in ARI's initial estimate.
If gas supplies in the United States dry up faster than expected — or environmental opposition grows stronger — countries such as Poland will be less likely to have their own shale booms, say experts.
For the moment, however, optimism about shale gas reigns — especially in the United States. And that is what worries some energy experts. “There is a huge amount of uncertainty,” says Nehring. “The problem is, people say, 'Just give me a number'. Single numbers, even if they're wrong, are a lot more comforting.”

É a geopolítica, estúpido!

http://www.ocafezinho.com/2014/12/16/e-a-geopolitica-estupido/


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Agora as coisas estão mais claras!
Enquanto a mídia brasileira, sórdida como sempre, tenta faturar politicamente com o declínio das ações da Petrobrás, a imprensa internacional começa a desvendar o que está por trás da brutal queda nas cotações de petróleo.
Duas matérias na Reuters nos dão uma ideia do que está acontecendo.
As duas notícias da Reuters são as seguintes.
Uma fala sobre a violenta desvalorização do rublo, moeda russa, causada pelo declínio dos preços do petróleo.
Outra fala sobre a estratégia da Arábia Saudita, aliada dos EUA, de usar o petróleo para atingir a Rússia e o Irã, ambos sofrendo sanções econômicas do mundo rico ocidental e ambos fortemente dependentes do petróleo.
A Arábia Saudita, regida por sunitas, é inimiga mortal do Irã, controlado por xiitas, e quer reduzir a influência dos aiatolás na região.
Da leitura das análises acima, conclui-se facilmente que os EUA estão por trás da tática, visando dois objetivos:
1) Vergar o governo russo, ou mesmo derrubar sua principal liderança, Putin, que venceu uma guerra fria (ou nem tão fria assim) na Ucrânia, motivo pelo qual sofre sanções; apoiou a Síria; e fornece tecnologia nuclear ao Irã.
2) Derrubar o regime iraniano, cuja economia, já fragilizada pelas sanções, depende mais do que nunca de preços do petróleo acima de US$ 100. Os EUA são inimigos mortais do Irã, por constituírem o último produtor de petróleo no oriente médio não alinhado ao império, e com planos de desenvolver tecnologia nuclear.
A Petrobrás é uma vítima colateral do processo (ou nem tão colateral assim, como veremos a seguir).
Sua situação agrava-se, naturalmente, pelos bombardeios internos causados pela operação Lava Jato.
Os EUA vivem uma situação energética temporariamente confortável, por causa da nova tecnologia que lhe permite explorar o petróleo de xisto. E também porque a economia americana, ainda deficitária em petróleo, não perde com a queda nos preços do combustível. Ao contrário, a medida ajuda a baixar o custo de vida dos americanos.
Sem contar a possibilidade, algo conspiratória, dos EUA também estarem interessados em baixar a bola do governo brasileiro, que acaba de realizar três grandes operações militares: a compra dos caças suecos, num processo que transferirá tecnologia para o Brasil produzir seus próprios caças; o avanço da construção do nosso primeiro submarino nuclear; e o lançamento bem sucedido de um satélite em conjunto com a China.
A nova direita americana, paranoica e aberta aos delírios do Tea Party, deve temer que um governo forte e nacionalista no Brasil possa enveredar-se em aventuras “bolivarianas”. Debilitar a Petrobrás, e, por consequência, o poder de fogo do governo recém-eleito, viria bem a calhar ao Tio Sam. Até porque facilitaria a introdução de argumentos em prol da privatização do pré-sal.
Não podemos esquecer que a NSA espionou a Petrobrás e a presidenta Dilma.
Com uma operação assim, os EUA matam três coelhos com uma só porrada.
*
A economia brasileira, todavia, não é, nem de longe, tão dependente do petróleo como Rússia ou Irã.
A queda no preço do barril apenas leva a Petrobrás a postergar investimentos, enxugar custos, estabelecer prioridades, aguardando a poeira assentar, e as coisas se normalizarem.
Como o Brasil, assim como os EUA, ainda consome mais do que produz, a queda nos preços do petróleo ajuda a derrubar a inflação.
A Petrobrás, por sua vez, tem a vantagem de ser a principal revendedora de refinados no país, um negócio que se beneficia dos preços baixos do barril.
*
Conclusão: a queda no preço do petróleo e, por consequência, no valor das ações da Petrobrás, tem motivos geopolíticos muito mais profundos do que um escândalo de corrupção, o qual está sendo investigado e punido.
A Petrobrás resistirá, e sairá da crise ainda mais forte, porque mais enxuta e mais experiente.
A economia brasileira, por sua vez, enfrentará a crise com relativa facilidade, em virtude de sua enorme diversificação.
A guerra entre Obama e Putin nos afeta, claro, mas a economia brasileira saberá se ajustar rapidamente às novas variáveis.
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Retomada da Castelo de Areia depende do Ministro Barroso, do STF

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Sugestão de Assis Ribeiro
da Carta Capital
Castelo de Areia, a operação das operações

Como a Lava Jato se conecta à Castelo de Areia, investigação da PF engavetada, mas ainda viva no gabinete do ministro Luis Roberto Barroso
Por Fabio Serapião
Após reunir as provas necessárias da existência de um cartel de empreiteiras a atuar na Petrobras, a força-tarefa envolvida nas investigações da Operação Lava Jato pretende agora seguir o caminho do dinheiro desviado nas licitações para, em seguida, mapear os destinatários da propina distribuída em troca do superfaturamento de obras públicas. O primeiro passo foi dado com a viagem à Suíça de três procuradores federais. Amparados na documentação amealhada nas fases anteriores da operação e com o apoio da delação do empresário Julio Camargo, da Toyo Setal, que revelou ao menos três contas no exterior utilizadas pelas construtoras, os investigadores buscam entender o intrincado sistema financeiro utilizado pelo esquema cuja principal engrenagem era o doleiro Alberto Youssef.
Nesse cenário, um Recurso Extraordinário esquecido desde abril na gaveta do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, poderia contribuir com o andamento dos processos sob a tutela do juiz Sergio Moro e expandir as investigações de modo a expor todos, agentes públicos e partidos políticos, que de alguma forma foram cúmplices dessas construtoras nas últimas duas décadas. O alcance de tal manobra jurídica está em seu poder de reavivar a rumorosa Operação Castelo de Areia, de 2009. Realizada pela Polícia Federal e Ministério Público de São Paulo, a operação desarticulou o esquema de desvios em obras e pagamentos de propina a agentes públicos capitaneado pela construtora Camargo Corrêa. Em 2010, após emblemática atuação do criminalista Márcio Thomaz Bastos, a operação foi interrompida por uma liminar do ministro Cesar Asfor Rocha para, em 2011, ser aniquilada por uma decisão do plenário do Supremo Tribunal de Justiça.
A discussão no STF, da qual o ministro Barroso parece esquivar-se, resulta de uma apelação da Procuradoria-Geral da República que tenta reverter o entendimento do Supremo Tribunal de Justiça de que as interceptações telefônicas utilizadas na investigação foram requisitadas apenas com base em denúncia anônima. A tese foi sustentada até agora com sucesso pelos advogados de defesa contratados à época, agora atuantes na Lava Jato, e não levou em conta o fato de os grampos terem sido autorizados pelo juiz Fausto De Sanctis com base não só na denúncia anônima, mas também em investigação prévia da PF, inclusive com compartilhamento de dados de outros inquéritos, e na delação premiada do doleiro Marco Antonio Cursini. Talvez seja o conteúdo dessa delação, hoje lacrada na Corte Suprema e com conteúdo apagado a pedido das defesas, o real motivo da celeuma causada pela Castelo de Areia. Além de contar aos investigadores os detalhes de sua atuação na Camargo Corrêa, ao lado do suíço Kurt Pickel, na OAS, com o auxílio de Joilson Santo Góes, e na Gautama, do famoso Zuleido Veras, Cursini revelou operações de câmbio ilegal executadas em favor do ex-ministro Thomaz Bastos, falecido recentemente.
Sem o imbróglio jurídico, a operação teria como resultado a avalanche de inquéritos hoje iminente por conta da Lava Jato. Antes de ter o trabalho encerrado pelo STJ, a procuradora Karen Kahn, responsável pelo caso, havia apresentado denúncia contra os diretores e doleiros citados na investigação e sugerido a abertura de muitas outras frentes de apuração graças a documentos que citam obras e agentes públicos destinatários de propina apreendidos em buscas e apreensões.
Estavam na mira as licitações dos metrôs de Fortaleza, Salvador e de São Paulo, nas quais eram mencionados valores destinados ao conselheiro do Tribunal de Contas Robson Marinho. Também apareciam contratos do Rodoanel, cuja documentação era seguida de anotações de quantias ao engenheiro Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, acusado de desviar dinheiro arrecadado para a campanha do tucano José Serra, em 2010. Da Petrobras foram encontrados indícios de fraude, segundo o material da Castelo, nas licitações para as obras da Refinaria Presidente Getúlio Vargas, no Paraná, em Abreu e Lima, na Unidade de Tratamento de Gás de Caraguatatuba e na unidade da petroquímica em Cubatão. Diz a procuradora Kahn: “A operação foi precursora no levantamento de fraudes à licitação, formação de cartel, superfaturamentos de empreiteiras e atos de corrupção. Esses ilícitos foram objeto de contratações espúrias de obras e serviços públicos com os Poderes federal, estaduais e municipais, em todo o País, envolvendo praticamente a grande maioria das empreiteiras hoje alvo da Lava Jato”.
A afirmação parece encontrar amparo na realidade revelada pelo trabalho da força-tarefa da Lava Jato. Empresas, dirigentes, obras e o próprio mecanismo de operação do esquema se assemelham às fraudes detalhadas pela equipe do delegado federal Otavio Rosso ao longo da Castelo de Areia. Um exemplo são as obras de reurbanização de favelas em São Paulo, realizadas pelas gestões Serra-Kassab. Elas aparecem nas duas operações. Em 2009, foram encontrados documentos com apontamentos sobre o pagamento de propina ao então secretário de Habitação da capital paulista, Elton Zacarias, referentes ao contrato da Favela Paraisópolis. Cinco anos depois, a quebra de sigilo bancário de Alberto Youssef mostra que o Consórcio Sehab, contratado para a reurbanização da Favela Parque Real, realizou vários depósitos na conta de uma de suas empresas de fachada. Um inquérito específico foi aberto para apurar os repasses.
Possível protagonista dos próximos capítulos da Lava Jato, o ex-presidente da Transpetro, Sergio Machado, mereceu vários parágrafos nos relatórios da Castelo. Com base em documentos apreendidos na casa de um diretor da Camargo Corrêa, Karen Kahn apontou que os documentos citando Machado e a subsidiária da estatal estavam relacionados à propina paga em troca de contratos para a construção de navios no âmbito do Programa de Modernização e Expansão da Frota, o Promef. “Se infere que fora destinado a terceiro interessado um valor referente a 1% do total do contrato assinado pelo consórcio formado pela Camargo Corrêa e a Queiroz Galvão, ou seja, 27,5 milhões com a antecipação de 3 milhões em outubro de 2007”, afirma a procuradora. Na investigação atual, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, cita os mesmos contratos de navios como fonte de pagamento de propina. O Estaleiro Atlântico Sul, formado pelas duas empreiteiras, aparece ainda na lista de 750 projetos apreendida na casa de Youssef e publicada com exclusividade na edição 828 de CartaCapital.
Mais do que aumentar a quantidade de provas e o leque de obras a serem investigadas, a recuperação dos documentos da Castelo de Areia ajudaria a força-tarefa a mapear e entender o sistema de evasão de divisas e pagamento de propina em contas no exterior. Em 2009, os investigadores conseguiram encontrar contas bancárias mantidas pela construtora nos Estados Unidos, em Andorra, na Suíça e em Taiwan. Desses países, em um primeiro momento, foi possível encontrar indicações de repasses de propina para ao menos duas offshore. A Tiger Information, sediada na China, teria sido utilizada, segundo o MP, para pagamentos ao Partido dos Trabalhadores relacionados aos desvios nas licitações de hospitais no Pará. Por sua vez, a Jaravy Investments, localizada na Suíça, teria sido o destino da propina paga a Machado pelas irregularidades na contratação da empreiteira para a construção dos navios do Promef.
À época da investigação, todos os citados nos documentos apreendidos negaram qualquer prática ilícita. Procurado, o ministro Barroso não respondeu por qual motivo o recurso dormita há oito meses em sua gaveta. Muito embora possa acelerar os desdobramentos da Lava Jato, a revalidação das provas da Castelo de Areia não são imprescindíveis. Os caminhos apontados, em algum momento, aparecerão no horizonte da força-tarefa sediada no Paraná. Entretanto, uma nova análise sobre a validade das provas colhidas serviria como um ótimo argumento para aqueles que classificam o julgamento do chamado “mensalão” do PT como um divisor de águas e apostam em uma mudança de postura das Cortes superiores no País, mais severa com os chamados crimes de colarinho-branco. Ao sair do limbo, as provas comprovariam que a novidade não é a existência de um cartel de empreiteiras a atuar em todos os níveis de poder, mas o compromisso do Judiciário em punir os envolvidos em desvios de dinheiro público.

As jogadas em torno da Petrobras

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Há nos mercados o fenômeno recorrente do “overshooting”.
Trata-se de um empurrão dos especuladores em cima de tendências de alta ou baixa de determinados ativos.
O jogo é conhecido desde sempre:
  1. No mercado, existem os estoques (a quantidade total de ações de uma empresa) e os fluxos (as negociações diárias de suas ações).
  2. Em geral, negociam-se diariamente frações ínfimas do capital de uma empresa.
  3. Só que o preço registrado no final do dia é utilizado para precificar todo o estoque de papéis existentes.
O que os especuladores fazem é identificar a fase inicial de alta ou de baixa e acentuarem esses movimentos para baixo ou para cima.
Para cima, o jogo de sedução começa assim.
O especulador identifica um determinado ativo barato. Se está barato, é porque é pouco negociado, tem baixa liquidez. Portanto, bastam poucas operações de compras sucessivas para elevar as cotações, mesmo sendo inexpressivas em relação ao estoque existentes daqueles ativos. Com isso, chama a atenção de novos investidores que passam a “descobrir” o ativo.
Cria-se, então, a bolha. Cada novo investidor compra a ação achando que irá encontrar na frente outro investidor disposto a pagar mais caro ainda pelo papel.
Até o momento que os espertos julgam que o papel bateu no pico. Aí, começam a desovar as ações que compraram. O movimento se inverte e há uma corrida que termina por provocar uma queda acentuada nas cotações.
***
Na queda, o movimento é similar, mas em mão inversa.
Há um conjunto de eventos negativos em relação a determinado papel. Torna-se difícil para o não especialista avaliar o peso daqueles eventos, ou das manchetes, no futuro da companhia.
Esse lusco-fusco é o terreno ideal para o “overshooting” para baixo.
***
Hoje em dia, há os seguintes fatores contra a Petrobras:
  1. Os efeitos da Operação Lava Jato.
  2. Seus desdobramentos no mercado nova-iorquino, com as ações dos escritórios de advocacia e as investigações da SEC (a Comissão de Valores Mobiliários local) com implicações sobre a captação de recursos no mercado.
  3. A indefinição em relação ao futuro da diretoria.
  4. A queda nas cotações internacionais de petróleo, afetando as petroleiras como um todo.
  5. A partir de ontem, a crise russa se agravando, trazendo dúvidas sobre o mercado cambial.
***
Por outro lado, a Petrobras é uma companhia com produção crescente no pré-sal. Atualmente, grande parte do investimentos está na fase pré-operacional.
A produção do pré-sal começa a aumentar sistematicamente. As refinarias começam a produzir. A empresa já renegociou todos os investimentos que venciam nos próximos meses. O preço de equilíbrio do pré-sal suporta um nível menor de cotação de petróleo.
Além disso, a combinação de preço de petróleo em queda e de dólar em alta melhora a rentabilidade da empresa nas vendas internas.
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Todos esses fatores são ponderados pelos grandes investidores. Na balança, a relação entre a solidez e o futuro da companhia é incomparavelmente maior do que os problemas que enfrenta hoje em dia.
Ao menor sinal de que o cenário está desanuviando, as ações voltarão a recuperar o valor.
Perderão apenas os investidores que entraram em pânico e venderam seus papéis no meio do tiroteio.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Educação: matemática báscia

Segundo dados da PNAD, em 2013 o Brasil tinha 3,3 milhões de professores na educação básica, ganhando em média R$1700, levando em conta férias, 13º, previdência, etc, vamos chutar que custa R$3400 por mês para o Estado, isso dá um gasto da ordem de R$135 bilhões por ano. É pouco? Professor devia ganhar mais que o dobro do salário médio atual. Tem dinheiro para isso? Só se mexer na parte dos rentistas.