terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

De olho em eleições, Alckmin ignora alertas sobre desabastecimento e falta de investimento

Há onze anos governador foi alertado sobre necessidade de obras no sistema Cantareira. Gravidade de queda no nível do reservatório e falta de recursos pintam cenário perigoso para próximos anos
por Diego Sartorato e Rodrigo Gomes, da RBA publicado 17/02/2014 13:51
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JORGE ARAÚJO/FOLHAPRESS
Cantareira
Com a pior seca dos últimos 50 anos, sistema Cantareira está reduzido a 18,5% de sua capacidade
São Paulo – Um verão quente e seco como nunca soa como a explicação perfeita para uma queda alarmante nos níveis do reservatório Cantareira, o principal responsável por abastecer de água a Grande São Paulo. Mas não é a São Pedro nem ao desperdício que se deve culpar pela ameaça de desabastecimento. Ou não apenas: falta de planejamento por parte do governo estadual é o resumo da história que deixa sob suspense o oferecimento de um serviço fundamental para dez milhões de pessoas nas zonas norte, leste, oeste e central de São Paulo, além de moradores de dez municípios da região metropolitana da capital.
Observando os dados e conversando com quem acompanha o setor, conclui-se que a Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp) deveria ter iniciado ainda no ano passado uma campanha para redução de consumo. A queda no nível é contínua desde maio de 2013, mas só no dia 1º de fevereiro a gestão Geraldo Alckmin (PSDB) decidiu propor à população que passasse a reduzir o consumo em troca de um abatimento no valor da conta. Com mais três semanas de seca, chegou-se ontem (16) ao menor nível da história: 18,5% do total.
Voltando um pouco mais no tempo, desde 2009 o reservatório Cantareira, composto por quatro represas, atua no limite. O armazenamento máximo é de 990 milhões de metros cúbicos de água, mas trabalha com uma média entre 65% e 70% disso. O sistema é capaz de tratar e remeter até 33 mil litros por segundo.
O relatório final do Plano da Bacia do Alto Tietê, de dezembro de 2009, elaborado pela Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo (FUSP), já apontava a “necessidade de contar com regras operativas que evitem o colapso de abastecimento das regiões envolvidas e minimizem a influência política nas decisões”, porque o sistema tem “altas garantias de atendimento (de água), porém com déficits de grande magnitude”, o que indica que a possibilidade de queda do nível da represa era conhecida.
O mesmo relatório aponta o fato de o reservatório estar no seu limite. Isso há quatro anos. “Outra análise importante em relação ao Sistema Cantareira é que este já se encontra no seu limite de exportação. (...) Desta forma, outras medidas devem ser elaboradas para atender ao acréscimo de demanda na RMSP, como a transposição de água de outras bacias mais distantes.”
Segundo o presidente do Conselho Mundial da Água e professor de Engenharia Civil e Ambiental da Escola Politécnica (Poli) da USP, Benedito Braga, o problema é mais antigo e o relatório de 2009 seria uma reafirmação de questões colocadas há ao menos dez anos. “A USP trabalhou para o Comitê do Alto Tietê em um plano de recursos hídricos nos idos de 2003 e lá já se falava das obras que era preciso realizar para ter segurança hídrica na região metropolitana de São Paulo. E o que é que foi feito?”
Para Braga, a demanda por água não está sendo afetada simplesmente pelo baixo índice de chuva, embora este seja um componente importante. O problema é a falta de planejamento e realizações em determinadas áreas. “A infraestrutura não acompanhou o crescimento da demanda. Não só pelo crescimento demográfico, mas também pela melhoria do padrão de vida da população, que agora usa mais água, mais energia, gera mais resíduo sólido.”
Uma parcela dessa dificuldade em se adequar à demanda pode ter relação com o buraco nos investimentos da companhia no ano de 1999. A Sabesp vinha em um crescente nos anos 1990, atingindo um pico R$ 1,18 bilhão em 1998. No ano seguinte, o valor foi menos da metade disso: R$ 457 milhões. O mesmo patamar só foi retomado – e superado – em 2008, quando ela investiu R$ 1,85 bilhão. Desde então vem subindo e deve chegar a R$ 2,62 bilhões neste ano.
investimentos
No entanto, diferente do que seria esperado, a Sabesp reduziu a previsão de investimento para os próximos anos, projetando R$ 2,41 bilhões em 2015 e R$ 2,27 em 2016. O relatório é uma projeção realizada em 2013 e não considera a atual situação. Em relação a investimentos específicos para o Sistema Cantareira, a Sabesp deverá apresentar uma estratégia para melhorar o controle dos níveis do reservatório e de descargas hidráulicas apenas em fevereiro de 2015, de acordo com a minuta de renovação do direito de uso das águas do sistema. A renovação da outorga, que deve ser assinada em agosto de 2014 e pode sofrer alterações até lá, também prevê a modernização dos postos de monitoramento de chuva, vazão, sedimentação e qualidade da água nas bacias do Cantareira.
plano

Chuva e política

Disponível para consulta pela internet, o índice de armazenamento e pluviometria das represas que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo da Sabesp demonstra que o problema era previsível com base na queda do volume de água da Cantareira. Em maio do ano passado, a represa tinha 59,1% do volume total. Em setembro, o índice havia caído para 40,3%. E em dezembro já estava em 27,4%.
A pluviometria – quantidade em milimetros cubicos (mm³) de chuva – dos meses também vem em queda, desde agosto de 2013. Naquele mês, choveu 6 milímetros cúbicos, frente a uma média de 36,9. Foram quatro meses de queda seguidos, até a menor relação do que deveria chover sobre o que realmente choveu em dezembro: 59,4 mm³ de 226,8 mm³ – menos de 30% do total.
índice chuva
O presidente do Instituto Trata Brasil, Edison Carlos, especializado em saneamento, avalia que a Sabesp errou o tempo de agir e afirma que a questão agora tomou um caráter político e econômico que se sobrepõe ao técnico. “Acontece que é muito difícil para um governante tomar uma decisão dessas em ano eleitoral. A Sabesp é uma empresa de capital misto, tem ações na bolsa, não pode abrir mão de vender seu único produto. Tem de dar satisfação aos investidores”.
Talvez por isso o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), tenha esperado até 20 de janeiro para fazer o primeiro pronunciamento sobre a situação. E mesmo assim descartando veementemente a possibilidade de racionamento, um otimismo que não encontra correspondência nos dados disponíveis.
As ações realizadas até agora foram somente o anúncio de descontos na conta de água, de até 30% para quem economizar 20% em relação ao gasto de janeiro. E as cinco frustradas tentativas de fazer chover na região da Cantareira com o uso de aviões. A empresa ModClima foi contratada, sem licitação, por R$ 4,4 milhões, para realizar o trabalho, numa operação que a RBA já adiantava estar fadada ao fracasso.
Fato é que a recomposição do reservatório Cantareira pode não ser tão simples quanto faz crer a propagando oficial. “O governo está tendo uma atitude muito otimista, de que a partir do dia 15 vai começar a chover e estará tudo resolvido. Não é verdade. Mesmo que chova, a situação é tão grave que não vai encher o reservatório”, alerta Benedito Braga.
Como exemplo do tempo que os reservatórios levam para se recuperar após um evento grave de desabastecimento, basta observar as consequências da estiagem que teve início em 1951 e que é considerada, até hoje, a mais grave pela qual as regiões metropolitanas de São Paulo e Campinas já passaram. Durante a produção do Plano Diretor de Recursos Hídricos do estado, aquele evento foi utilizado pela Sabesp para projetar os efeitos de uma seca grave hoje em dia.
No momento mais crítico de uma seca com a mesma intensidade da década de 1950, a macrorregião São Paulo-Campinas teria capacidade para atender a apenas 56% da demanda. O município de São Paulo ficaria em situação ainda mais grave, com capacidade para atender a apenas 40% da população, e Campinas entraria em situação de emergência, com acesso a água suficiente para apenas 10% dos moradores. Nesses casos, de acordo com as projeções, os reservatórios levam de três a cinco anos para começar a se reestabelecer.
Reservatórios
O mais recente ingresso de um braço de água para o sistema de abastecimento da Sabesp foi realizado em 1993, ainda na gestão de Luiz Antônio Fleury Filho (PMDB) no governo paulista. Desde então a população do estado cresceu em pelo menos 10 milhões de habitantes. A próxima inauguração prevista é a obra do Sistema Produtor São Lourenço, no Vale do Ribeira, que está na fase de instalação dos canteiros. O novo sistema tinha previsão inicial de inauguração em 2016, mas o governo estadual afirma que só deverá ficar pronto em 2018.
Embora não tenha relação com o sistema Cantareira, a situação permite ter uma ideia da lentidão de crescimento da oferta de água tratada em São Paulo.

Racionamento é perigoso

Outro problema para o qual alerta o presidente do Conselho Mundial da Água é que o racionamento pode apresentar riscos de contaminação, em virtude de fissuras nos dutos do sistema de distribuição. “A tubulação tem perdas, ela não é 100% fechada. Quando você tem pressão, sai água limpa de dentro do duto e vai para o solo. Quando não tem a água que estava fora pode adentrar o encanamento. E essa água pode vir de um solo contaminado. Então o racionamento é uma coisa arriscada.”
Em São Paulo, a Sabesp admite perdas de aproximadamente 25% do volume de água que circula nos canos. No entanto, segundo o relatório de 2013 do Plano Diretor da Macrometrópole, elaborado pelo Departamento de Água, Esgoto e Eletricidade (DAEE), a Região Metropolitana de São Paulo perde 38% da água que deveria abastecer as cidades.
O mesmo plano projeta que até 2035 a Sabesp deve atuar com um parâmetro de perdas entre 20% e 30%. Ou seja, em 20 anos não há uma perspectiva de redução significativa nas perdas de água. “Nesse Plano Diretor da Macrometrópole, não foram consideradas reduções abaixo de 20%, pois, abaixo deste patamar, entende-se que seriam necessárias tecnologias e aportes financeiros diferentes daqueles necessários para que as perdas se enquadrem nos limites de 20% a 30%”, descreve o relatório.
Para alcançar perdas de 28% nas duas macrorregiões (Campinas e São Paulo) até 2035, seriam necessários investimentos de R$ 11,4 bilhões. Levando-se em conta a economia da empresa, o empreendimento causaria um prejuízo de cerca de R$ 540 milhões, prossegue explicando o documento. Ou seja, não ter atacado o problema antes o tornou mais complexo e mais caro de resolver.

Outros problemas

O Plano Diretor de Recursos Hídricos do estado aponta que o ritmo de crescimento da economia brasileira tem efeito direto sobre a demanda de água tratada.
Se o crescimento anual médio do Produto Interno Bruto (PIB) do país for de 2,5% até 2018, por exemplo, a demanda das regiões metropolitanas de São Paulo e Campinas por água será de 123 m³/s. Mas, se o ritmo de crescimento no mesmo período for de 4% ao ano, a demanda salta para 261 m³/s – variação que não está contemplada nos dados públicos sobre os investimentos da Sabesp.
Outro fator que revela a baixa de investimentos em estrutura da Sabesp, e que pode afetar a prestação de seus serviços, é a relação entre funcionários próprios e terceirizados. Segundo Renê Vicente, presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema), hoje há 15 mil funcionários próprios da Sabesp e outros 20 mil terceirizados.
O número de empregados próprios é praticamente o mesmo desde 2008, o que aponta que a companhia não tem investido em formação de mão de obra qualificada. “Você pega o setor de fraudes, por exemplo, que averigua a origem da perda de água, e são todos terceirizados”, aponta Vicente. Para ele, essa situação fragiliza o poder fiscalizador da Sabesp. “Quando o governo terceiriza, contrata empreiteiras. Então os trabalhadores são da construção civil, e não da área de saneamento.”
A Sabesp não se manifestou sobre os questionamentos apresentados na última sexta-feira (14) pela RBA.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

MP investiga gestão Serra/Kassab por desvio de R$ 10 bi do IPTU

do Vermelho.org - com informações da IstoÉ
Informações divulgadas na edição de N° 2308 da Revista IstoÉ, neste sábado (15), indicam que o Ministério Público de São Paulo e a Controladoria-Geral do Município (CGM) investigam 84 empresas suspeitas de integrar um esquema de cobrança de propina para zerar dívidas milionárias do IPTU, ocultação de reformas de grandes empreendimentos para reduzir o cálculo do tributo e até rebaixamento do padrão de construções de luxo para diminuir o valor venal do imóvel.

De acordo com as informações, o promotor Marcelo Mendroni afirma que, além dos fiscais já investigados pela máfia do ISS, “de cinco a dez auditores da prefeitura paulistana podem ter participação no esquema”.

Os órgãos que estão investigando o caso afirmam que se ao menos metade dessas verbas drenadas pela corrupção durante a gestão PSDB/PSD for recuperada, a prefeitura terá em caixa dinheiro para realizar investimentos em áreas como saúde e educação da ordem de R$ 4 bilhões.

A semanária ainda apresenta declarações do fiscal Luis Alexandre Magalhães, que foi pego em gravações com Ronilson Bezerra Rodrigues, subsecretário da Receita na gestão Kassab (2006-2012), apontado como o chefe da quadrilha, ele diz que tem “todos os comprovantes do IPTU” das empresas que conseguiram certidões negativas de débitos do imposto com a ajuda do grupo.
Os auditores chegaram a sumir com o registro de devedores que haviam aderido ao Programa de Parcelamento Incentivado, lançado na gestão Kassab. Segundo os cálculos da administração, cerca de R$ 1 bilhão de 400 devedores do IPTU foram parcelados em até 120 meses entre 2007 e 2012. Os investigadores suspeitam que parte dessas dívidas possa ter sumido do sistema da prefeitura após a ação da quadrilha.

Rombo de R$ 10 bilhões

De acordo com a reportagem, as cifras contabilizadas em 2009, por uma Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara Municipal da cidade, mostram que o rombo seria bilionário. Além disso, aponta que entre 2003 e 2008, durante as gestões de José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab (PSD), cerca de três milhões de metros quadrados de construções estavam irregulares e R$ 10 bilhões teriam sido drenados dos cofres públicos.

Quem lucrou

As investigações indicam que o esquema de desvio do IPTU beneficiou shoppings, igrejas e até universidades e era coordenado pela mesma quadrilha de fiscais da Prefeitura de São Saulo, que desviou mais de R$ 500 milhões do Imposto Sobre Serviços (ISS).

Segundo a denúncia, em alguns casos, o recolhimento do tributo caiu pela metade. “Não é possível estimar ainda o prejuízo aos cofres públicos. A investigação está só no início, mas dá para ter a ideia de que são muitos milhões de reais desviados”, denunciou o promotor Marcelo Mendroni, do Grupo de Atuação Especial de Combate aos Delitos Econômicos.

Da Redação em São Paulo
Com informações da IstoÉ

Banco do Brasil tem lucro 23,7% menor no trimestre

Do Jornal GGN
O Banco do Brasil encerrou o quarto trimestre de 2013 com um lucro líquido de R$ 3,02 bilhões, um resultado 23,7% inferior ao visto no mesmo período de 2012. O total corresponde a um retorno sobre patrimônio líquido (RSPL) de 18%. Apesar da redução, o total acumulado no ano chegou a R$ 18,5 bilhões, representando RSPL de 22,9%. 
Segundo balanço financeiro divulgado pela instituição, o lucro líquido "foi impulsionado principalmente pela expansão dos negócios, contenção das despesas, assim como pelo impacto do IPO da BB Seguridade no segundo trimestre de 2013". 
A carteira de crédito ampliada atingiu R$ 692,9 bilhões em dezembro, crescimento de 19,3% em 12 meses e 6,2% em relação ao trimestre anterior. Os destaques do período ficaram com o financiamento imobiliário, crédito ao agronegócio e às empresas, que registraram incrementos em 12 meses de 87,2% (saldo de R$ 24,1 bilhões), 34,5% (R$ 144,8 bilhões) e 19,5% (R$ 323,2 bilhões), respectivamente. Ao final de 2013, o BB ampliou a sua liderança em crédito no Sistema Financeiro Nacional (SFN), atingindo 21,1% de participação de mercado. 
A carteira de crédito orgânica, formada por operações com clientes pessoa física do banco, apresentou um saldo de R$ 134,3 bilhões em dezembro, crescimento de 3,3% no trimestre e de 16,2% em 12 meses. Desse total, 74,5% estão concentrados nas linhas de crédito de menor risco (Crédito Consignado, CDC Salário, Financiamento de Veículos e Crédito Imobiliário), evolução de 40 pontos-base em relação ao fim de 2012. 
A margem financeira bruta, que representa a diferença entre as receitas e despesas de intermediação financeira, chegou a R$ 46,4 bilhões no ano, com elevação de 1,5% sobre o registrado em 2012. Na comparação com o terceiro trimestre de 2013, a margem aumentou 1,9%. As rendas de tarifas cresceram 10,6% em relação ao observado em 2012 e 6,2% no comparativo do quarto trimestre com os três meses imediatamente anteriores. As Despesas Administrativas aumentaram 7,2% no ano. 

O índice de inadimplência do banco (operações vencidas há mais de 90 dias) representou 1,98% da carteira de crédito. No mesmo período, o SFN (Sistema Financeiro Nacional) registrou índice de 3%. Os ativos do Banco do Brasil superaram R$ 1,3 trilhão em dezembro, crescimento de 13,5% em 12 meses e 3,5% em relação ao trimestre anterior, favorecido principalmente pela expansão da carteira de crédito. 
A remuneração aos acionistas em 2013 atingiu R$ 6,3 bilhões, montante equivalente a 40% do lucro líquido, sendo R$ 3,3 bilhões na forma de juros sobre capital próprio (JCP) e R$ 3 bilhões em dividendos. O valor por ação alcançou R$ 2,23. O valor proporcional ao quarto trimestre foi de R$ 1,2 bilhão, destes R$ 871,6 milhões na forma de JCP e R$ 365,2 milhões em dividendos. O valor por ação no trimestre foi de R$ 0,44.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Todos contra Haddad

Por Guilherme Scalzilli
 
O Tribunal de Contas do Município vetou os corredores de ônibus. O Tribunal de Justiça impediu o aumento do IPTU. A Polícia Civil avacalhou a Operação Braços Abertos. Não há uma iniciativa da administração Fernando Haddad a salvo de alguma interferência saneadora milagrosa.
 
Qual foi a última vez que um órgão fiscalizador estadual vetou programas de Geraldo Alckmin? Ou que o Judiciário paulista retirou centenas de milhões de reais dos cofres tucanos? Ou ainda que a soldadesca entrou numa obra assistencial de qualquer prefeitura descendo o cacete nos beneficiários?
 
Claro que nada é casual nisso tudo. Um sucesso do PT em São Paulo, principalmente na sensível área dos transportes, soa como hecatombe às sanguessugas paulistanas. O mesmo vale para tantos projetos sociais que nasceriam de um vultoso aporte financeiro. E para a revitalização das áreas centrais, somada ao alívio da calamidade que atinge os dependentes químicos (área de atuação de Alexandre Padilha, pré-candidato petista ao governo, que esteve no local horas antes da chegada dos paisanos de Alckmin).
 
Mas o que assombra nos episódios é o porte institucional da sabotagem. Os três Poderes republicanos, em suas conformações locais, revezam-se numa série de medidas estranhas que só beneficiam o projeto reeleitoral do PSDB. São vinte anos de uma engrenagem muito bem regulada, a serviço do bem comum.
 

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Barbosa contraria regimento do STF ao derrubar decisões de Lewandowski

do IG
http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2014-02-11/barbosa-contraria-regimento-do-stf-ao-derrubar-decisoes-de-lewandowski.html


Por Wilson Lima - iG Brasília | 11/02/2014 16:32 - Atualizada às 11/02/2014 16:59

Artigo 317 do regimento interno da Corte diz que um ministro somente pode revogar a tese de outro colega em plenário ou em decisões nas turmas do Supremo

Ao derrubar duas decisões tomadas pelo ministro Ricardo Lewandowski, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, feriu artigos estabelecidos no regimento interno da Suprema Corte.

Alguns ministros classificaram a interlocutores que a medida adotada por Barbosa foi “antiética”. Outros, como Gilmar Mendes, afirmaram ser “normal” a reconsideração de decisões entre ministros. Houve ministro que classificou a ação como “manobra jurídica”. Com essa medida, agrava-se ainda mais a relação tumultuada entre os dois ministros. Ambos trocam farpas desde o julgamento do mensalão.

Durante essa semana, Barbosa derrubou, em agravo de instrumento, duas decisões proferidas por Lewandowski durante o recesso do Judiciário. Durante o período em que exerceu a presidência do Supremo, Lewandowski suspendeu liminares que barravam o aumento do Imposto Territorial e Predial Urbano (IPTU) em Caçador (SC) e em São José do Rio Preto (SP), alegando que a suspensão do reajuste poderia prejudicar os investimentos nas duas cidades e que havia risco para as finanças de ambas. As liminares que impediam os reajustes foram concedidas pela Justiça Estadual catarinense e paulista.

O presidente do Supremo, ao voltar de férias, “reconsiderou” essas decisões e derrubou o que foi decidido por Lewandowski. Assim, o presidente do Supremo impediu o reajuste nestas duas cidades. “Sem prejuízo de melhor exame das questões de fundo, no momento adequado, e sem desconsiderar as preocupações externadas pelo eminente ministro Ricardo Lewandowski, considero necessária a reconsideração da decisão agravada”, concluiu Barbosa nas ações. “A situação é peculiarmente sensível em matéria tributária e em matéria orçamentária, pois é um simples truísmo afirmar que valores que não foram arrecadados não poderão ser gastos em serviços públicos”, pontuou na decisão.

Interlocutores de alguns ministros e especialistas em direito constitucional acreditam que, ao adotar essa medida, Barbosa foi de encontro ao que determina o artigo 317 do regimento interno do Supremo.

Segundo esse artigo, nenhuma decisão tomada por outro ministro de forma monocrática pode ser revogada também de maneira individual por meio de agravo de instrumento. Isso somente ocorreria em decisão das turmas ou mesmo do plenário do Supremo Tribunal Federal. A possibilidade de um ministro derrubar uma decisão de outro, por meio de agravo, seria, conforme o regimento interno, somente após a opinião do ministro que tomou a decisão originária, o que não aconteceu neste caso.

“O agravo regimental será protocolado e, sem qualquer outra formalidade, submetido ao prolator do despacho, que poderá reconsiderar o seu ato ou submeter o agravo ao julgamento do Plenário ou da Turma, a quem caiba a competência, computando-se também o seu voto”, afirma o inciso II do artigo 317 do regimento interno do Supremo.

O Jogo dos “7 erros” do advogado do chefe da milícia

1 – Como é do conhecimento de todos, o advogado que caluniou Marcelo Freixo – tentando ligá-lo aos rapazes que jogaram o rojão que matou o cinegrafista da Band – foi advogado de Natalino Guimarães, ex-deputado estadual no Rio de Janeiro e miliciano cuja prisão foi fruto da CPI das Milícias, comanda por Freixo. Hoje (13/02), o advogado novamente partiu para o ataque afirmando que partidos políticos pagam 150 reais para pessoas participarem de manifestações. Uma clara insinuação para comprometer partidos como o PSOL e, por consequência, o próprio Marcelo Freixo. A atuação desse advogado até o momento é muito suspeita.
2 – No sábado se apresentou na polícia Fábio Raposo, suspeito de ter repassado o rojão para a pessoa que o explodiu durante o protesto. Em depoimento ele afirmou que quem acendeu o explosivo foi Caio Souza. Ou seja, no linguajar popular, caguetou para aliviar a sua barra.
3 – Estranhamente o Jonas Tadeu, advogado do Fábio, assumiu também a defesa do Caio. Isso é algo completamente absurdo. É absurdo porque não existe na história do direito um sujeito dedurado contratar o mesmo defensor do sujeito que o dedurou. E isso ocorre não por razões pessoais, mas sim porque as teses de defesa são conflitantes. Um acusado, para reduzir a sua pena ou até para ser absolvido, vai tentar comprovar que a responsabilidade pelo ato criminoso é do outro. Por isso é absurdo que ambos sejam defendidos pelo mesmo profissional, pois, sendo a tarefa do advogado a de usar todos os meios para defender os interesses de seus clientes, isso se torna impossível se o interesse de um conflita com o interesse do outro.
4 – Hoje, durante entrevista para a Globo News, o Jonas Tadeu diz que o Caio estava planejando ir para o exterior e que ele o demoveu dessa ideia. Isso é outro ABSURDO. Um dos motivos que embasam as prisões preventivas é justamente o receio de que o acusado fuja. A função de um advogado que esteja realmente interessado em defender o seu cliente é tentar soltá-lo o mais rápido possível. Ao afirmar que o Caio pretendia fugir ele liquida com a possibilidade de um eventual habeas corpus ser concedido.
5 – O cúmulo do absurdos foi a forma como o Caio foi preso, o que mais uma vez joga suspeitas sobre o verdadeiro interesse do advogado. Os dois delegados afirmaram na coletiva de imprensa, e o próprio Jonas confirmou na Globo News, que foi ele quem avisou à polícia o local em que o Caio estava foragido. Palavras do delegado Fernando Veloso, “a intervenção do advogado, fazendo contato direto com o Caio, com o apoio da namorada dele, possibilitou que a equipe que era conduzida pelo Dr. Maurício chegasse ao local do paradeiro dele antes das equipes de busca”. O Dr. Maurício é o outro delegado que investiga o caso.
Perceberam o escândalo? É comum que um advogado oriente seu cliente, o qual possui mandado de prisão expedido contra si, a se entregar. Mas isso JAMAIS se faz dizendo para a polícia o endereço no qual ele está escondido. Isso se faz indo com ele, de tarde, até uma delegacia. Vocês devem ter visto o vídeo da prisão do Caio. Foi humilhante. Ocorreu de madrugada, enquanto ele dormia em uma pousada. Além do advogado, estava presente no momento da prisão, a polícia e uma repórter da Globo. Vejam o que disse o delegado Maurício Luciano na coletiva hoje, “o Caio, quando nós encontramos ele, estava extremamente acuado, assustado, com muita fome, disse que estava a dois dias sem se alimentar, também não dormiu, estava em um cômodo muito pequeno, em uma pensão no município de Feira de Santana (…)”. Não precisa ter conhecimento jurídico para saber que se a função do advogado é zelar pelo interesse do seu cliente, ele deveria primeiro ter ido ao encontro do Caio antes da polícia. Devria ter levado alimentos para ele, depois ter conversado e o orientado o que dizer e o que não dizer e enfim acompanhá-lo até a delegacia. Jamais ter ajudado a investigação e muito menos não fazer nada para impedir que a repórter tentasse entrevistá-lo no momento da prisão. Sequer houve pedido para que ele não fosse algemado. Todo advogado criminalista sério requer a polícia que não algeme o seu constituinte. Com um “defensor” desses ninguém precisa de inimigos!
6 – A afirmação de que o Caio recebia 150 reais para participar de manifestações é um desastre para a defesa. Pode ser bom para a luta política contra o Freixo, contra as manifestações, etc. Mas para o acusado, e é dever do defensor defender o acusado, essa informação é catastrófica. Gera uma qualificadora caso ele venha a ser condenado. Homicídio já dá uma pena alta. Homicídio por motivo fútil (receber 150 reais) dá uma pena ainda maior.
7 – O advogado mora no Rio de Janeiro. O Caio estava foragido em Feira de Santana, na Bahia. O Caio é extremamente pobre. Questionado pela apresentadora da Globo News, o Jonas disse que estava advogando de graça e que estava bancando do seu bolso a passagem de ida e volta para a Bahia. Muitos advogados já defenderam pessoas sem lhes cobrar nada. Mas mesmo aqueles que são simpáticos a causas políticas e que têm relação com os militantes dos movimentos sociais, no mínimo iriam pedir para serem ressarcidos por seus gastos com passagens aéreas, por exemplo. Por que ele, que já deixou claro que não apoia as manifestações de rua, faria todo esse sacrifício para atuar no caso? Ele justificou que o Fábio Raposo é amigo dos estagiários do seu escritório. Mas e o Caio? De onde ele tem relação para que se sinta obrigado a atuar de forma tão abnegada?

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Para entender o auxílio-reclusão

 
O assunto da coluna de hoje é polêmico. Vamos falar de um benefício previdenciário pouco conhecido e muito criticado, inclusive em correntes que circulam na internet. Vamos falar do auxílio-reclusão. Esse auxílio é concedido aos dependentes de um segurado de baixa renda que esteja recolhido à prisão em regime fechado ou em regime semiaberto. Então, ele não é pago à família do preso que esteja cumprindo pena no regime aberto ou que esteja em liberdade condicional.
 
Outro requisito para seu pagamento é que o preso seja segurado do INSS. Ou seja, a prisão da pessoa deve ter ocorrido dentro do período em que ela tinha a “qualidade de segurado”, em que ela mantinha seu vínculo com o INSS. O objetivo do auxílio-reclusão não é beneficiar a pessoa que está presa, mas sim garantir a sobrevivência e a dignidade dos familiares dela, que dependiam de um segurado da previdência, que agora está preso e, assim, não pode trabalhar. Dessa forma, um outro requisito para o pagamento do auxílio-reclusão é que a pessoa recolhida à prisão tenha dependentes.
 
Quem pode receber o auxílio-reclusão? De acordo com a Previdência Social, existem três classes de dependentes. Na primeira estão marido, mulher, companheiro e companheira, além dos filhos, que sejam menores de 21 anos, e dos filhos inválidos, esses com qualquer idade. Na primeira classe, o benefício é pago independentemente de comprovação da dependência econômica em relação ao segurado, porque ela é presumida.
 
Na segunda classe estão os pais, e na terceira estão os irmãos menores de 21 anos ou inválidos. Nessas últimas duas classes as pessoas deverão comprovar a dependência econômica, e elas só receberão o auxílio-reclusão caso não existam dependentes de primeira classe para receber.
 
E como comprovar? A comprovação pode ser feita por meio de documentos (indicando, por exemplo, que todos moram em uma mesma casa) ou por provas testemunhais. A Defensoria Pública da União pode ajudar os familiares que tenham seu benefício negado pelo INSS por qualquer razão.
 
Desde 1º de janeiro de 2014, o auxílio-reclusão só é devido aos dependentes do segurado cujo último salário de contribuição seja igual ou inferior a R$ 1.025,81. E o valor do benefício corresponderá ao valor da aposentadoria por invalidez do segurado. Importante destacar que o valor do benefício não varia em razão do número de dependentes e é dividido entre eles.
 
Após a concessão do auxílio, os dependentes devem apresentar à Previdência Social um atestado de que o trabalhador continua preso, emitido por autoridade competente, sob pena de suspensão do benefício. Os dependentes de um segurado menor de idade (entre 16 e 18 anos), que tenha sido internado em estabelecimento educacional ou congênere, sob a custódia do Juizado de Infância e da Juventude, também podem ter direito ao benefício.
 
Em que situações o auxílio-reclusão deixará de ser pago? Em caso de fuga, de liberdade condicional, de transferência para prisão-albergue ou de cumprimento da pena em regime aberto. Também não será mais pago se o segurado passar a receber aposentadoria ou auxílio-doença. O dependente que perder a qualidade (por exemplo, o filho que completar 21 anos de idade) deixa também de receber o auxílio.