quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Lava Jato: após omitir-se, o Supremo se assusta. Vai acordar?

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Por Marcelo Auler
Em sua coluna de terça-feira (23/08) na Folha de S. Paulo, a farejadora Mônica Bérgamo – a quem devo parte do Prêmio Esso que recebi em 1992 quando estávamos na Veja -, traz a público a indignação do ministro Gilmar Mendes – logo ele – com o vazamento de informações – Vazamento de citação a Toffoli em delação abre crise entre STF e  MPF. Referia-se ao provável vazamento por procuradores da República de informações reveladas por Veja em sua última edição. Foi uma tentativa direta de queimar o ministro Dias Toffoli como, aliás, Luís Nassif  comentou em oportuno artigo no  próprio sábado (20/08) – A vingança torpe da Lava Jato contra Dias Toffoli. Tanto que viralizou.
 
No transcorrer do dia, Mendes voltou a se manifestar, ampliando suas críticas às 10 Medidas Contra a Corrupção, apresentadas pelo Ministério Público Federal, com mais de dois milhões de assinaturas coletadas em todo o país. Segundo o UOL, o ministro do Supremo Tribunal Federal, referindo-se aos procuradores da Lava Jato, sem citá-los comentou que os “cemitério está cheio desses heróis“.
 
Bateu firme na proposta de “que prova ilícita, obtida de boa fé, deve ser validada”. Para ele, “a priori, tem que ser muito criticada e se negar trânsito. Imagine, agora, um sujeito que é torturado, ah, mas foi de boa fé”.
 
Avançando, criticou os procuradores e foi citar seu velho arqui-inimigo, o ex-delegado federal Protógenes Queiroz, da Operação Satiagraha – deflagrada em 2008 -, expulso da Polícia Federal por violação de sigilo funcional.
 
“Isso lembra o nosso delegado herói, que fazia interceptação telefônica sob o argumento de que agia com bons propósitos. Ora, espera aí. A autoridade se distingue do criminoso porque não comete crime, senão é criminoso também! Aí vira o Estado de Direito da barbárie (…) Estado de Direito tem que ser Estado de Direito. Não se combate crime com a prática de crime. É preciso moderação, que os procuradores calcem as sandálias da humildade”.
Acostumado a lidar com procuradores da República desde os anos 90, com muitos dos quais desenvolvi amizade, eu lamento que dentro do Ministério Público Federal, que sempre assumiu o seu papel constitucional de fiscal da lei, tenha hoje um grupo – pequeno, é verdade – que se destaque pela defesa de métodos que ferem a Constituição e o Estado de Direito, Pior ainda, o próprio juiz Sérgio Moro defendeu algo parecido na Câmara dos Deputados, mas naquela vez não se ouviu qualquer voz do STF criticá-lo.
 
Alerto para um comentário postado aqui no blog pelo leitor Ramirez Gonzaga, que certamente já é o que muitos começam a defender. Se acontecer, entendo que será um retrocesso, mas plenamente justificado aos olhos de uma parcela da sociedade, pela ação deste pequeno grupo que age sob o silêncio da maioria. Diz o leitor Gonzaga:
 
“Com todo respeito ao Ministério Público, vejo que os poderes investigatórios desse órgão deve ser revisto e seus membros devem se ocupar apenas com sua função acusatória. Esse negócio da Liga da Justiça formada entre um juiz, procuradores e policiais federais se mostrou perniciosa ao País”.
 
Silêncio sobre o grampo na cela – Não sei se a opinião de Mendes é compartilhada pelos outros dez ministros . Geralmente não é. Mas, ao que parece, o Supremo está despertando muito tarde para um problema que vem sendo apontado na Lava Jato há anos. Aqui neste blog, desde agosto de 2014. E não só pela questão dos vazamentos, mas também pelo uso de métodos heterodoxos adotados nas investigações que acabaram sendo validados, ainda que indiretamente, pelos tribunais superiores, inclusive o próprio STF.
 
Para citar um exemplo clássico, basta refazer uma pergunta muitas vezes repetida aqui: O que foi feito pela Polícia Federal – e pelo Ministério Público Federal, que deve exercer o controle externo do DPF – da sindicância sobre o grampo ilegal encontrado na cela da Alberto Youssef?
 
O resultado desta sindicância, lembre-se, foi prometida pelo corregedor do DPF, delegado Roberto Mario da Cunha Cordeiro, em ofício ao próprio juiz Moro, para o final de novembro de 2015 (veja ao lado), como noticiamos em novembro na reportagem Grampo da Lava Jato: aproxima-se a hora da verdade.
 
Passaram-se nove meses e ela não veio a público.E o pior, por todas as informações que se tem, ela está concluída e deverá atingir pesos pesados da Força Tarefa da Lava Jato. Mas não é tornada pública. Medo de serem obrigados a punir membros da Força Tarefa?
 
Afinal, como o agente da Polícia Federal Dalmey Werlang confessou, foi ele quem instalou o grampo a mando dos delegados Rosalvo Ferreira Franco, superintendente do DPF no Paraná, Igor Romário de Paulo, coordenador regional da Delegacia de Combate ao Crime Organizado (DRCOR) e Marcio Anselmo Adriano, que comandava as investigações na época.
 
Sindicância engavetada – É algo semelhante com o que aconteceu com a sindicância para apurar o grampo mandado instalar no fumódromo.
 
Desde agosto de 2015, na primeira reportagem nesse blog sobre a força tarefa de Curitiba –  Lava Jato revolve lamaçal na PF-PR – noticiamos que, através  do depoimento do Agente de Polícia Federal (APF) Dalmey Werlang, que o grampo no fumódromo partiu de uma ordem da delegadas Daniele Gossenheimer Rodrigues, chefe do Núcleo de Inteligência Policial (NIP) da Superintendência, coincidentemente, esposa do delegado Igor.
 
 A responsabilidade dela pela colocação do grampo foi confirmada pela Sindicância realizada, mas a corregedoria e a direção-geral do DPF decidiram que ela e Werlang só responderão a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), tal como informamos em Para o DPF, grampo ilegal na Superintendência do PR é transgressão disciplinar, Esqueceram que o uso de grampo ambiental sem autorização judicial é considerado crime?
 

Presidente do PSDB é preso por corrupção em empresa de saneamento de Goiás

Qual a chance dessa notícia virar destaque no Jornal Nacional?
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Jornal GGN - O presidente do PSDB de Goiás Afrêni Gonçalves Leite foi preso pela Polícia Federal na manhã desta quarta (24), suspeito de integrar esquema que desviou R$ 4,5 milhões em recursos públicos por meio de contratos com a Saneago, empresa de saneamento do Estado.
Segundo a PF, o tucanato de Goiás teria recebido doações legais e também via caixa dois a partir do esquema de fraude em licitações. Por isso, o presidente foi preso temporariamente.
Pelas investigações, agentes e colaboradores da Saneago contrataram de maneira fraudulenta uma empresa de consultoria que fazia pagamentos de propina e distribuia recursos a outras empresas que participaram do conluiu. Estas teriam feito as doações oficiais ao PSDB.
A Operação Decantação contou com apoio do Ministério Público Federal e do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle, e estima ter evitado um prejuízo de quase R$ 7 milhões.
Recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), de financiamentos do BNDES e da Caixa Econômica Federal, foram desviados para pagamento de propinas e dívidas de campanhas políticas, apontam os investigadores.
Os envolvidos responderão, na medida de suas participações, pelos crimes de peculato, corrupção passiva, corrupção ativa, organização criminosa e fraudes em processos licitatórios.
Cerca de 300 federais cumprem 120 mandados judiciais, sendo 11 de prisão preventiva, quatro de prisão temporária, 21 de condução coercitiva e 67 de busca e apreensão na sede de empresas envolvidas e de um partido político, além de residências e outros endereços relacionados aos investigados.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Golpistas se queixam da proteção de Gilmar aos bêbados

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Jornal GGN - O ministro do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, voltou a dar munição aos seus detratores provocando mais uma vez os defensores da Lei da Ficha Limpa. No mês passado, Gilmar disse que a lei, por todas as suas lacunas, parece ter sido feita por bêbados.
O presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Cláudio Lamachia - advogado que tentou ser protagonista no impeachment de Dilma Rousseff na Câmara - reagiu e disse que isso não era coisa para sair da boca de um magistrado. Gilmar rebateu, nesta quinta (1/9), afirmando que não queria ofender os "bêbados" com sua fala. 
Por Rafael Moraes Moura
No Estadão
Em mais um novo ataque à Lei da Ficha Limpa, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, disse na manhã desta quinta-feira, 1º, que não queria ofender os “bêbados” ao fazer críticas à legislação de iniciativa popular.
No dia 17 de agosto, o presidente do TSE disse que a legislação, de tão mal feita, parece ter sido feita por “bêbados”, o que provocou reação de entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
O novo comentário de Gilmar Mendes foi feito durante sessão plenária do TSE em que se discutiu o caso do prefeito de Boa Viagem, no Ceará, Fernando Assef (PSD), que teve os registros de candidatura indeferidos pelo Tribunal Regional Eleitoral do Ceará com base na Lei da Ficha Limpa, após a rejeição de suas contas.
Conforme a Lei da Ficha Limpa, serão considerados inelegíveis os políticos que tiverem suas contas relativas ao exercício de cargos ou funções públicas rejeitadas por "irregularidade insanável que configure ato doloso de improbidade administrativa, e por decisão irrecorrível do órgão competente, salvo se esta houver sido suspensa ou anulada pelo Poder Judiciário, para as eleições que se realizarem nos 8 (oito) anos seguintes”.
“Essas condições cumulativas que se estabelecem são extremamente difíceis de serem atendidas, até porque os acórdãos dos Tribunais de Contas raramente se ocupam disso no detalhe”, comentou Gilmar Mendes.
“Numa referência que fiz (as críticas do mês passado, quando disse que a legislação parecia ter sido feita por “bêbados”), mas não queria ofender os Alcoólatras Anônimos, nem os bêbados, eu falei que essa lei tinha sido feita por pessoas não muito lúcidas, por conta desses problemas todos”, completou o presidente do TSE.
Posicionamento. Em nota divulgada no mês passado, o presidente da OAB, Claudio Lamachia, disse que a OAB e outras entidades que apoiaram a legislação estavam “absolutamente conscientes” da importância da medida ao se engajarem pela sua aprovação.

Governo Alckmin proíbe protesto contra Temer na Paulista

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Jornal GGN - Após reprimir violentamente os atos contra a presidência de Michel Temer em função do impeachment de Dilma Rousseff na noite de ontem, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, Estado governado por Geraldo Alckmin (PSDB), decidiu impedir que manifestantes se reúnam no domingo (4/9)  para protestar contra o golpe parlamentar. A Polícia Militar vai isolar a Avenida Paulista durante todo o dia, com a desculpa de que a via estará reservada para a passagem da tocha paraolímpica. 
O governo Temer, ciente do nível de repressão que a Polícia Militar usou contra os manifestantes no dia do impeachment  - uma militante do Levante Popular da Juventude perdeu a visão de um olho após o uso de bombas de efeito moral - também decidiu que atos que não forem comunicados com antecedência à Secretaria de Segurança serão coibidos. Além disso, será impedido atrapalhar o trânsito em qualquer circunstância.
Abaixo, a nota na íntegra:
Diante da ocorrência de protestos violentos, com atos de vandalismo, ocorridos ontem, a Secretaria de Segurança Pública reuniu nesta quinta-feira, 1 de setembro,  os comandos das Polícias Civil e Militar e vem a público reafirmar que respeita o direito de manifestação e está empenhada em garantir a segurança dos manifestantes.
Ressalta ainda que, conforme determina a Constituição, é obrigatória a comunicação de hora, local e trajeto em que se realizarão os atos públicos. Para que sejam preservados os direitos das pessoas que não participam das manifestações e garantida a ordem pública, será evitado o fechamento das vias importantes da cidade. A SSP informa ainda que até o momento não recebeu qualquer comunicado oficial de movimentos organizados dando ciência da realização de manifestações públicas nos próximos dias.
Por fim, a secretaria alerta que, no domingo, não será permitida a realização de atos na Avenida Paulista, pois toda a extensão da avenida estará reservada para o evento de passagem da tocha paraolímpica, que integra a cerimônia oficial dos Jogos Paraolímpicos Rio 2016.

Violência e repressão marcam atos contra Michel Temer

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Jornal GGN - Nas ruas das capitais do Brasil, o resultado do impeachment de Dilma Rousseff foi a resistência e a repressão da Polícia Militar. Enquanto manifestantes de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Recife gritavam por democracia e contra o governo de Michel Temer, os atos foram duramente reprimidos, resultando em graves feridos, ataques a jornalistas e, ainda, uma ativista que ficou cega.
 
São Paulo foi palco de uma dos maiores atos e violências da PM. Manifestantes se concentraram em diversas ruas, marchando pela Avenida Paulista logo no início da tarde desta quarta-feira (31), quando foi anunciado o resultado da votação pela saída definitiva de Dilma.
 
 
Policiais avançaram rapidamente contra os ativistas, lançando bombas de gás lacrimogênio para dispersar integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), da União Nacional dos Estudantes (UNE), União Estadual dos Estudantes (UEE) e União da Juventude Socialista (UJS), além de outras multidões de insatisfeitos com o governo ilegítimo.
 
Entre as resultados agressivos da repressão policial, registros de atropelamentos, fotógrafos perseguidos e atacados e uma jovem manifestante que, segundo relato pessoal, chegou a ficar cega de um olho por um estilhaço de bomba de efeito moral.
O Democratize, que acompanhou as manifestações em São Paulo, também publicou que sem nenhuma justificativa, policiais avançaram sobre um grupo de jovens entre a Rua Rego Freitas e o Largo do Arouche:
 
 

Outros registros e depoimentos pelas redes sociais constataram a violência desproporcional empregada pela Polícia Militar do governo de Geraldo Alckmin na capital.
 
De acordo com o Coletivo Democracia Corinthiana, que foi um dos organizadores do ato que reuniu cerca de 12 mil pessoas na cidade, os manifestantes realizavam o ato de forma pacífica desde às 19h20. 
 
"Na descida da Consolação, no entanto, utilizando como pretexto um entrevero com provocadores mackenzistas, a Polícia Militar de Geraldo Alckmin iniciou violenta repressão aos cidadãos e cidadãs, agredindo e ferindo aqueles que, por meio dos impostos, pagam seus salários. As ruas do Centro transformaram-se, então, em território de guerra. Foram registrados duros combates na Praça Roosevelt, na Praça da República e na Rua Amaral Gurgel", publicou o coletivo.

E seguiu: "Mais uma vez, a polícia tentava impedir os manifestantes de alcançarem a sede da Folha de S. Paulo, órgão de imprensa que teve papel fundamental no golpe de Estado de 1964 e que repetiu a vergonhosa façanha em 2016. Vencendo inúmeras barreiras da milícia, cerca de 600 pessoas conseguiram chegar à Alameda Barão de Limeira, onde de forma pacífica expressaram em jogral as críticas à corporação golpista da Família Frias".
 
Entretanto, a reação veio mais forte: Logo em seguida, as tropas cercaram o lugar e iniciou-se novo combate feroz. Os jovens foram acuados e tiveram de escapar em direção à Praça Princesa Isabel. Cercados, foram empurrados pela polícia ao funil da Cracolândia. Neste momento, muitos foram assaltados e agredidos. Celulares foram roubados e carteiras subtraídas", contaram.
 
Entre as vítimas, o fotógrafo William Oliveira teria sido perseguido pelos policiais, agredido e seu equipamento destruído. A ativista Deborah Fabri sofreu graves ferimentos no rosto e, na madrugada, teve que passar por procedimento cirúrgico.
 
"Horror, desrespeito e suspensão das liberdades democráticas. Este é o Brasil de Aécio, Temer, Maia, Renan, Marta, Cunha e Caiado, dirigido também pelo oligopólio de comunicação liderado pela Rede Globo. 1964 está de volta", criticou o coletivo.
 
O caso da ativista foi registrado por outros grupos, como os Jornalistas Livres. "Quando encontramos Deborah, ela já estava ferida e era amparada por amigos e outros manifestantes. Ainda assim, ela conseguiu explicar que o estilhaço da bomba que atingiu seu olho, dilacerou a lente do óculos que usava. Deborah sentia pedaços de vidro dentro do globo ocular", relataram.

 
"Ao nos aproximarmos, ela dizia: 'perdi meu olho, meu olho não está aqui'. Deborah mal conseguia ficar em pé. Foi levada para os primeiros socorros da unidade ambulatorial da PUC, na Rua Marquês de Paranaguá. De lá. Foi encaminhada ao Hospital das Clínicas, onde permanece internada. Contatamos a advogada Ana Casarin e a Rede Feminista de Juristas DeFemde para acompanhar o caso", explicaram.
A polícia também chegou a invadir a USP, que, sob a justificativa de prevenir contra a manifestação, mandou " todos os alunos saírem das aulas e trancaram as portas", segundo relatos de alunos.
 
 
Em outro depoimento de Sato do Brasil, jornalista que acompanhava as manifestações, um policial mandou a saída do repórter, caso contrário tomaria "um tiro na cara": "Eu tava atrás dele. O policial gritou: sai daqui filho da puta! Eu falei: sou imprensa. Ele: foda-se seu filho da puta! Quer tomar um tiro na cara? Dei as costas e saí andando, ele ficou. Dois fotógrafos, apanharam da polícia e tiveram seus equipamentos de trabalho destruídos. Um está na 2DP, o outro no pronto-socorro na Vitorino Carmilo. Esses são os novos tempos. E se prepare, compre seu capacete, seu colete, sua máscara e seu vinagre. As coisa vão piorar muito!", publicou nas redes.
 
Um restaurante árabe no centro de São Paulo foi destruído pela ação da PM. O "Al Janiah" foi alvo de várias bombas na noite de ontem. Em nota, afirmaram que "não acontecia nenhum tipo de protesto ou movimentação na rua e apenas nosso estabelecimento que sofreu o ataque". "Quando alguns membros da nossa equipe saíram e avisaram aos policiais que ali era um bar e restaurante, eles mandaram mais duas bombas", completaram.
 
 
 
No Rio de Janeiro, a população saiu às ruas dos bairros na Zona Sul, Norte e região central com os mesmos intrumentos usados pelos chamados "defensores do golpe": panelaços foram registrados durante todo o pronunciamento do governo, agora efetivo, de Temer, por volta das 20 horas desta quarta. 
 
O cenário não foi diferente no Recife. As principais avenidas da capital pernambucana, entre elas a avenida Agamenon Magalhães, foram preenchidas pelos manifestantes e representantes de diversas entidades civis, até chegar ao corredor viário da Conde da Boa Vista e a Praça do Diário.
 
Acompanhe outras fotos das manifestações em São Paulo, publicadas pelo Mídia Ninja:
 
Foto: Mamana Foto Coletivo
 
Foto: Mídia NINJA
 
Foto: Mamana Foto Coletivo
 
Foto: Mídia NINJA
 
Foto: Mamana Foto Coletivo
 
Foto: Mídia NINJA
 
Foto: Mamana Foto Coletivo
 
Foto: Mídia NINJA
 
Em solidariedade à manifestante Déborah Fabri, o Levante Popular da Juventude publicou uma nota. Acompanhe:
 
Na noite de ontem, 31 de agosto de 2016, milhares de jovens saíram às ruas de diversas capitais para protestarem e expressar todo seu repúdio ao golpe parlamentar que destituiu a presidenta legítima, Dilma Rousseff, colocando em seu lugar o golpista e usurpador, Michel Temer.
 
O Levante Popular da Juventude esteve presente em diversas destas manifestações, somando-se ao coro Não ao Golpe, Fora Temer!
 
Praticamente todas as manifestações ocorreram fortes reações da polícia militar, que agiu de maneira desproporcional, violenta e brutal, reprimindo e agredindo os manifestantes. Em São Paulo, na esquina da rua Caio Prado com a rua da Consolação, mesmo lugar onde ocorreu o massacre de 13 de junho de 2013, a militante do Levante Popular da Juventude, Deborah Fabri, estudante da Universidade Federal do ABC (UFABC), foi atingida por um estilhaço de bomba no rosto, ferindo seu olho esquerdo.
 
Deborah foi hospitalizada e passa bem, perdeu a visão do olho esquerdo! Isso é inaceitável! Prestamos toda nossa solidariedade à ela e seus familiares e afirmamos que não descansaremos até que os responsáveis sejam punidos e ela disponha de todo a assistência necessária.
 
Repudiamos veementemente a ação da Polícia Militar do governador Geraldo Alckmin. Exigimos apuração, identificação e punição dos responsáveis imediatamente.
 
Essa é a marca desse governo ilegítimo e desse golpe: violência, truculência e autoritarismo. Não toleram a democracia, a liberdade de expressão, a soberania popular. Querem nos tirar tudo, desde os nossos direitos à nossa voz: não permitiremos!
 
Michel Temer e seu governo não nos representa, muito menos irá nos intimidar. Tomaremos todas as medidas judiciais e políticas cabíveis. Lutaremos e resistiremos em todas as trincheiras!
 
Seguiremos nas ruas, na luta contra esse golpe! Convocamos todos e todas a ocuparem as ruas!
 
Fora Temer!

Calote do PSDB em Minas soma mais de R$ 1 bilhão, aponta controlador

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Jornal GGN - Em entrevista publicada no último dia 29 pelo o Estadão, o controlador-geral de Minas Gerais, Mário Spinelli, disse que está estruturando o órgão de fiscalização e combate à corrupção na esfera estadual e que, a partir dos trabalhos iniciais, já detectou a existência de dívidas na casa do bilhão deixadas pelas administrações dos ex-governadores Aécio Neves e Antonio Anastasia, hoje senadores do PSDB.
O montante foi gerado a partir de uma manobra fiscal que mais se parece a um calote. Segundo Spinelli, o Estado tinha por costume contratar serviços e, na hora de pagar, cancelava o empenho previsto no orçamento daquele ano e empurrava a dívida para o ano seguinte. A ação foi se repetindo ano a ano, até que encerrou-se a gestão tucana em 2014, com a vitória de Fernando Pimentel (PT), herdeiro de pelo menos R$ 1 bilhão em restos a pagar.
"A empresa vinha, prestava o serviço para o Estado. O Estado, na hora de pagar, cancelava o empenho. Isso vai para o ano seguinte, sem orçamento, sem nada. É um verdadeiro absurdo. Essa prática o Estado vem fazendo há mais de 10 anos. Só no ano passado, cancelou R$ 1,138 bilhões de empenhos liquidados. É uma prática que prejudica muito o equilíbrio orçamentário, porque você joga a conta para este ano. Esse ano, o Estado tem que pagar R$ 1,138 bilhão sem previsão de orçamento", disse Spinelli.
Considerado um "xerife" após a repercussão de seu trabalho na Controladoria-Geral do Município de São Paulo - ele desbaratou esquemas que ficaram conhecidos como a Máfia do ISS e Máfia dos Alvarás -, Spinelli ainda apontou que, nos últimos dois meses, 126 funcionário do Estado de Minas foram demitidos após fiscalização na área correcional.
"(...) Eram processos que estavam aqui sem o devido julgamento. Nós fizemos uma força tarefa para julgar processos disciplinares. Demitimos 126 funcionários do Estado nos últimos dois meses, que é um número muito grande. Nós identificamos que deveria haver esse esforço na área correcional, porque isso é uma medida preventiva também. Criamos uma força tarefa para analisar e julgar esses processos num tempo recorde. E tirar essas pessoas do serviço público."

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Esquema para salvar Cunha reforça tese de golpe em Dilma, diz Kennedy Alencar

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A Câmara assina o atestado de "covardia" e demonstra medo de Eduardo Cunha (PMDB) ao aceitar o esquema para livrar o deputado da cassação em plenário. A opinião é do jornalista Kennedy Alencar.
Segundo artigo publico nesta quinta (11), o "presente" para Cunha - marcar a cassação para um dia em que o quórum será baixíssimo - é sinal claro de que os parlamentares não querem pagar para ver o que o ex-presidente da Casa pode entregar à Justiça caso perca o mandato, seja preso e venha a fechar um acordo de delação premiada.
O jornalista destacou que essa manobra para salvar o peemedebista após o afastamento definitivo de Dilma Rousseff "reforça a tese de golpe" adotada pelos aliados da presidente eleita, que apontam que Cunha só deflagrou o impeachment em retaliação aos desdobramentos da Lava Jato.
Por Kennedy Alencar
Marcar a votação da cassação do mandato de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para uma segunda-feira, dia 12 de setembro, no meio das eleições municipais, é uma clara articulação para facilitar a vida do ex-presidente da Câmara.
Será um escândalo realizar essa votação num dia de baixa presença no Congresso Nacional. Como são necessários 257 votos dos 513 deputados para que Cunha seja cassado, essa data é um presente para o peemedebista e um tapa na cara da sociedade diante da quantidade de acusações graves que pesam contra ele.
Mais: mostra que o governo e boa parcela da Câmara temem segredos que Cunha possa tornar públicos. Aprovar o impeachment de Dilma e dar a Cunha a chance de escapar confirma o uso de dois pesos e duas medidas e reforça a tese de um golpe parlamentar contra a petista.
É inusual marcar a votação para uma segunda-feira, porque cassações são geralmente votadas às quartas, dia de maior quórum no Congresso. Aliás, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), está quebrando uma promessa de votar a cassação num dia de presença alta no plenário, a fim de evitar que seja responsabilizado por eventual salvação de Cunha. Maia mudou o discurso pressionado pelo governo, que não assume isso publicamente, e por líderes partidários comprometidos com os segredos que dividem com o ex-presidente da Câmara.
Marcar a votação da cassação para depois do impeachment de Dilma permitirá o discurso de que seria melhor deixá-lo responder às acusações da Lava Jato com o mandato de deputado federal a fim de não criar tumulto na economia. Deixar Cunha como um problema apenas do Supremo Tribunal Federal é uma covardia da Câmara dos Deputados.
Essa votação deveria ter sido marcada para esta semana ou para a próxima, como sugeriu Rodrigo Maia quando se elegeu presidente da Câmara. Mas ele deu sinais de que embarcou na articulação para salvar Cunha.