quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Delcídio dizia poder influenciar Gilmar



http://jornalggn.com.br/noticia/delcidio-dizia-poder-influenciar-gilmar
 
1.   As operações não fazem parte da Lava Jato. Surgiram em função da tentativa de Delcídio do Amaral e André Esteves, do Pactual, em subornar Nestor Cerveró. O filho de Cerveró denunciou a tentativa ao Procurador Geral da República que encaminhou a denúncia à Polícia Federal, que conseguiu autorização do STF para monitorar o telefone de Delcídio.
 
2.   Curiosamente, nas fases iniciais não se encontraram maiores evidências de participação de Delcídio – apesar de suas notórias ligações com esquemas na Petrobras – e Esteves.
 
3.   Segundo o Jotainfo, nas gravações, Delcídio garante a Cerveró poder influenciar o Ministro Gilmar Mendes, do STF, através do peemedebistas Renan Calheiros e Michel Temer. Em qualquer tema mais político, surge a figura indefectível de Gilmar.
 
4.  Por seu lado, Esteves garantiu uma mesada de R$ 50 mil à família de Cerveró e apoio na sua fuga, através do Paraguai.
 
5.   Esteves tem pendências no CARF. Na época conseguiu calar a mídia. Será curioso acompanhar a cobertura da sua prisão pelos jornalões.

Belo Monte consegue licença de operação do IBAMA

http://jornalggn.com.br/noticia/belo-monte-consegue-licenca-de-operacao-do-ibama


Jornal GGN – Hoje (25), a Norte Energia informou à imprensa que conseguiu ontem a Licença de Operação da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, emitida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).
Foram investidos cerca de R$ 4 bilhões em ações socioambientais na região para cumprir o Projeto Básico Ambiental. Altamira, Anapu, Brasil Novo, Senador José Porfírio e Vitória do Xingu foram os municípios beneficiados.
“Em Altamira, milhares de famílias que viviam em palafitas nas áreas historicamente alagadas pelo Rio Xingu foram reassentadas em cinco novos bairros construídos pela empresa ou receberam indenizações e adquiriram imóveis em áreas saneadas do município”, informou a Norte Energia em nota.
A empresa também investiu em serviços de saúde na região do Xingu. Construiu três hospitais e 30 Unidades Básicas de Saúde. Além disso, realizou um programa de controle de malária que, entre 2011 e 2015, reduziu os casos em 98,6% na região.
A Norte Energia firmou parceria com a Prefeitura de Altamira na construção e reforma de escolas e na ligação das casas ao sistema de saneamento.
Sobre a questão indígena, a companhia informou que investiu R$ 260 milhões “para garantir a segurança territorial, alimentar e ambiental das etnias indígenas do Médio Xingu, assim como o fortalecimento das associações indígenas e do patrimônio cultural. São mais de 700 casas de moradia, e cada uma das 34 aldeias atendidas receberam uma casa de farinha (onde produzem o alimento) e receberão uma Unidade Básica de Saúde e uma escola, além da instalação de Sistemas de Abastecimento de Água”.

Cade negocia acordos de leniência com cartel de bancos

http://jornalggn.com.br/fora-pauta/cade-negocia-acordos-de-leniencia-com-cartel-de-bancos


Jornal GGN - O Conselho Administratitvo de Defesa Econômica (Cade) negocia acordos em processo que apura cartel internacional de bancos que manipulava as taxas de câmbio no Brasil. O processo foi aberto em julho após denúncia do banco UBS. Entre os bancos investigados, então o Barclays, Citigroup, Credit Suisse, Deutsche Bank, HSBC, entre outros, além de 30 pessoas físicas.
Segundo o Cade, o esquema para manipular taxas de câmbio teve impacto no Brasil entre 2007 e 2013. Os envolvidos teriam combinado desde propostas de preços para um mesmo cliente até a quantidade de moedas compradas para influenciar taxas e índices de referência, como o Ptax.Também dificultavam e impediam a atuação de operadoras no mercado de câmbio.
Enviado por antonio francisco
Do Estadão
Quinze instituições financeiras são alvo do processo que investiga formação de cartel para manipular as taxas de câmbio no Brasil
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) negocia novos acordos em processo que investiga cartel de bancos para manipular taxas de câmbio no Brasil. De acordo com fontes próximas às negociações, é grande a possibilidade que novos termos de compromisso sejam fechados, pelos quais as empresas investigadas prestam informações em troca de punições menores. São esperadas multas milionárias para as empresas.
A expectativa no Cade é que haja uma corrida para tentar acordos, uma vez que a legislação assegura incentivos maiores para as primeiras empresas a entregarem provas.
Em julho, o Cade abriu processo para apurar o cartel depois de denúncia do banco UBS, que firmou acordo de leniência e se livrou de punição. São investigados ainda os bancos Barclays, Citigroup, Credit Suisse, Deutsche Bank, HSBC, JP Morgan Chase, Merril Lynch, Morgan Stanley, Nomura, Royal Bank of Canada, Royal Bank of Scotland, Standard Chartered, Banco Standard de Investimentos e Banco Tokyo­Mitsubishi UFJ, além de 30 pessoas físicas.
Corrida. O acordo de leniência como o firmado pelo UBS é o único que livra totalmente a empresa do pagamento de multa e traz benefícios no processo penal. Mas, por lei, ele só pode ser assinado com uma empresa em cada processo.
As demais empresas podem fechar outros acordos, chamados de Termo de Compromisso de Cessação (TCC), que dão desconto na multa a ser paga ao fim da investigação.
A prática do Cade, porém, é não firmar TCCs com mais do que dois ou três investigados por processo. Depois que os primeiros denunciados entregam as provas, deixa de ser interessante fechar novos acordos.
A primeira empresa a propor um TCC ao Cade é beneficiada com uma redução de 30% a 50% na multa que seria imposta, a depender de sua colaboração. Para a segunda empresa, a redução é de 25% a 40%, e, da terceira em diante de até 25%.
Esquema. De acordo com a investigação do Cade, o esquema para manipular taxas de câmbio teve impacto no Brasil entre 2007 e 2013. A conduta ocorria em vários países.
Em maio, os Estados Unidos assinaram acordo com grandes bancos, como Citigroup, JPMorgan e Barclays, para o pagamento de US$ 5,6 bilhões pela participação em esquema de cartel para manipulação de taxas de câmbio. O cartel é investigado ainda no Reino Unido e na Suíça.
No Brasil, o UBS entregou ao Cade um relato detalhado de como funcionava o esquema, com cópias de conversas em chats e e­mails. As provas foram consideradas pelo Cade bastante robustas. De acordo com a denúncia, os operadores utilizavam o serviço de trocas de mensagem da agência de notícias Bloomberg para combinar a taxa de câmbio que ofereceriam ao mercado e trocavam informações como preços, clientes e tamanho de contratos.
Os envolvidos teriam combinado desde propostas de preços para um mesmo cliente até a quantidade de moedas compradas para influenciar taxas e índices de referência, como a Ptax, taxa de câmbio divulgada pelo Banco Central. Além disso, dificultavam e até impediam a atuação de operadoras no mercado de câmbio.
Todas as instituições investigadas são estrangeiras e, de acordo com o Cade, não há indício de participação de empresas brasileiras. Se condenadas, elas pagarão multas que variam de 0,1% a 20% do faturamento da instituição no ramo de atividade. As pessoas físicas poderão pagar de 1% a 20% da multa aplicada aos bancos, no caso dos administradores das empresas, e de R$ 50 mil a R$ 2 bilhões, para os não administradores.
Bancos. Procurados, os bancos Citigroup, Deutsche Bank, HSBC, Morgan Stanley e Banco Standard de Investimentos não quiseram comentar o assunto. Banco Tokyo­Mitsubishi UFJ e Merril Lynch disseram que não comentam processos em andamentos. Barclays, Credit Suisse, JP Morgan Chase, Nomura e Standard Chartered não responderam os pedidos de informação e Royal Bank of Scotland e Royal Bank of Canada não foram localizados.

Oposição cara de pau

Até poucos dias atrás essa turminha eram amigos do Cunha. Eles elegeram ele presidente da câmara e o sustentaram (já sabiam que ele não prestava). A Globo também fingiu não conhecer a ficha de Cunha.

Queriam derrubar Dilma de qualquer jeito, mesmo se isso significasse entregar o governo para cara com a ficha mais suja que a lama da Samarco.

Agora os caras de pau vem dizer que querem a saída de Cunha.


segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Alckmin sofre nova derrota na justiça e alunos já ocupam mais de 100 escolas em São Paulo.

https://www.facebook.com/IvanValentePSOL/posts/1089495361095345:0
Alckmin sofre nova derrota na justiça e alunos já ocupam mais de 100 escolas em São Paulo.
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) rejeitou recurso movido pelo governo Geraldo Alckmim (PSDB) que insistia na reintegração de posse de todas as escolas estaduais ocupadas pelos estudantes que lutam contra o fechamento das mesmas.
"O presidente do processo na 7ª Câmara de Direito Público, Eduardo Gouveia, entendeu que não há interesse por parte dos alunos em tomar posse dos prédios escolas, mas, sim, de discutir a reorganização das escolas da rede estadual. "Não há o que se reintegrar. A manifestação é um direito constitucional que tem de ser preservado", disse ele, durante o julgamento do recurso." - Estadão.
Mais uma vitória dos estudantes contra a intransigência do governo tucano, fortalecendo ainda mais um movimento justo que não para de crescer. Já são mais de 100 escolas ocupadas pelos estudantes nesta segunda-feira 23 de novembro de 2015.
Confira a lista completa:
1 E.E. João Batista de Aquino. (Agudos)
2 E.E. Dr. Clybas Pinto Ferraz (Assis)
3 E.E. Stela Machado (Bauru)
4 E.E. Carlos Gomes (Campinas)
5 E.E. Francisco Glicério (Campinas)
E.E. Professor Dr. Décio Ferraz Alvim (Sapopemba)
7 E.E. Pequeno Cotolengo (Cotia)
8 E.E. Délcio de Souza Cunha (Diadema)
9 E.E. Diadema, antigo Cefam
10 E.E. Homero Silva (Diadema)
11 E.E. Ede Wilson Gonzaga (Embu das Artes)
12 E.E. Suely Machado Silva (Franca)
13 E.E. Antônio Viana de Souza, (Guarulhos)
14 E.E. Alayde Maria Vicente (Guarulhos)
15 E.E. Vila Any (Guarulhos)
16 E.E. Maria de Lurdes Stipp Steffen (Indaiatuba)
17 E.E.Prof° Josepha P. Chiavelli (Jandira)
18 E.E. Doutor Eloy de Miranda Chaves (Jundiaí)
19 E.E. Profª Antonieta Grassi Malatrasi (Lençóis Paulista)
20 E.E. 21 de Abril (Lins)
21 E. E. Sylvia Ribeiro (Marília)
22 E.E. Chilorita de Oliveira Penteado Martins (Matão)
23 E.E. Maria Elena Colonia (Mauá)
24 E. E. Maria Aparecida Damo (Maua-Guapituba)
25 E.E. Leonardo Villas Boas (Osasco)
26 E.E. Coronel Antonio Paiva de Sampaio (Osasco)
27 E.E. Heloísa Assumpção (Osasco)
28 E.E. Francisca Peralta Lisboa (Osasco)
29 E.E. Antônio de Mello Cotrim (Piracicaba)
30 E.E. Profª Nanci Cristina do Espirito Santo (Poá)
31 E.E. Santinho Carnavale (Ribeirão Pires)
32 E.E. Prefeito Mario Avesani (Santa Cruz das Palmeiras)
33 E.E. Prof. José Augusto de Azevedo Antunes (Santo André)
34 E.E. Antônio Adib Chammas (Santo André)
35 E.E. Dr. Américo Brasiliense (Santo André)
36 E.E. Oscavo Paulo (Bangu, Santo André)
37 E.E. Senador João Galeão Carvalhal (Santo André)
38 E.E. Valdomiro Silveira (Santo André)
39 E.E. 16 de Julho (Santo André)
40 E.E. 8 de Abril (Santo André)
41 E.E. Prof. Cleóbulos Amazonas Duarte (Santos)
42 E.E. Tito Lima (São Bernardo)
43 E.E. Major Miguel Naked (São José dos Campos)
44 E.E. Caetano de Campos (Consolação)
45 E.E. João Kopke (Luz)
46 E.E. Fidelino Figueiredo (Centro)
47 E.E. Moacyr de Campos (Zona Leste)
48 E.E. Deputado João Dória (Itaim Paulista)
49 E.E. República do Suriname (Itaim Paulista)
50 E.E. Astrogildo Arruda (Vila Carolina)
51 E.E. Cohab Inácio Monteiro III (Zona Leste)
52 E.E. Roger Jules Carvalho Mange(Itaim Paulista)
53 E.E. Salvador Allende (Cohab José Bonifácio)
54 E.E. Shinquichi Agari (Vila Curuça)
55 E.E. Wilma Flor (Zona Leste)
56 E.E. Maria Regina M. C. Guimarães (Vila Nova Curuçá)
57 E.E. Castro Alves (Zona Norte)
58 E.E. Egídio Damy (Brasilândia)
59 E.E. Sílvio Xavier Antunes (Piqueri)
60 E.E. Joaquim Leme do Prado (Imirin)
61 E.E. Souza Penna (Freguesia do Ó)
62 E.E. Pio Telles (Jaguara)
63 E.E. Dona Ana Rosa (Vila Sônia)
64 E.E. Fernão Dias Paes (Pinheiros)
65 E.E. Godofredo Furtado (Pinheiros)
66 E.E. Gavião Peixoto (Perus)
67 E.E. Miss Browne (Pompeia)
68 E.E. Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque E Melo (Alto de Pinheiros)
69 E.E. Luís Magalhães de Araújo (Zona Sul)
70 E.E Caetano de Campos (Aclimação)
71 E.E. Antônio Manoel Alves de Lima (Jd. São Luís, zona sul)
72 E.E. Comendador Miguel Maluhy (Campo Limpo, zona sul)
73 E.E. Flávio José Osório Negrini (Jd. Olinda, zona sul)
74 E.E. José Lins do Rego (Jd. Ângela, zona sul)
75 E.E. Marilsa Garbosa ( Jd. São Luiz, zona sul)
76 E.E. Mary Moraes (Portal do Morumbi)
77 E.E. Padre Sabóia de Medeiros (Chácara Santo Antonio, z/s)
78 E.E. Professora Neyde Apparecida Sollitto ( Jd. das Palmas, z/s)
79 E.E. Raul Fonseca (Saúde - ZS)
80 E.E. Sinhá Pantoja (Recanto Santo Antonio, zona sul)
81 E.E. Tancredo de Almeida Neves (Extremo sul)
82 E.E. Pedro Fonseca (Jd Monte Kemel)
83 E.E. Eulalia Silva (Jd. Angela)
84 E.E. Maria Petrolina (Santo Amaro)
85 E.E. Honório Monteiro (ZS)
86 E. E. Lauro Sanches (Sorocaba)
87 E.E.Maria Peccioli Giannasi (ZS)
88 E.E José Alfredo de Almeida (Marilia)
89 E.E. Estela Borges Morato (Jardim Helena)
90 E.E. Azevedo Junior (Santos)
91 E.E. Parque Marajoara II (Santo André)
92 E.E. Professor Nelson Pizzotti Mendes (Santo André)
93 E.E. Professor Emygdio de Barros (Butantã)
94 E.E. Ayrton Busch (Bauru)
95 E.E. Sapopemba
96 E.E Cicero Antonio de Sá Ramalho (Itaquaquecetuba)
97 E.E. Professor Andronico de Mello (Zona Oeste)
98 E.E. Olindo Dartora (Caieiras)
99 E.E. Plínio Negrão (Zona Sul)
100 E.E. Professor Ciridião Buarque (Lapa)
101 E.E. Jesuíno de Arruda (São Carlos)
102 E.E. Beatriz Caixeiro Del Cistia (Sorocaba)
103 E.E. Helio del Cistia (Sorocaba)
104 E.E. Antonio Vieira (Sorocaba)
105 E.E. Mario Guilherme Notari (Sorocaba
Informações e imagem: Não fechem minha escola

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Só o BC não viu

http://jornalggn.com.br/noticia/so-o-bc-nao-viu-por-jose-casado


Por José Casado
Só o BC não viu
Para os empresários, durante seis longos anos o “cartel" e a “máfia" ajudaram a desindustrializar o Brasil
Grandes empresas industriais e exportadoras brasileiras decidiram ir à Justiça contra alguns dos maiores bancos globais. Durante seis anos, essas instituições financeiras manipularam um dos principais indicadores econômicos do Brasil — a taxa de câmbio, preço-chave para contratos de comércio e investimentos.
— Empresas e governo pagaram uma conta pesada demais, e estamos falando de centenas de bilhões — diz o empresário Roberto Giannetti da Fonseca, presidente do Conselho Empresarial de América Latina. — Aqui, em 2011, os negócios com derivativos cambiais chegaram a 24 bilhões de dólares por dia.
Entre 2007 e 2013, 30 operadores de bancos estrangeiros conspiraram para influenciar o câmbio do real em relação ao dólar. Combinaram cotações falsas, compartilharam lucros de 30% e dados sigilosos de clientes. Dividiam-se em dois grupos de chat: um autodenominava-se “A Máfia”, outro identificava-se como “O Cartel”.
Representavam Citigroup, Bank of America, Barclays, Deutsche, HSBC, Merril Lynch, Morgan Stanley, JP Morgan Chase, Royal Bank of Canada, Nomura, Tokyo-Mitsubishi, Royal Bank of Scotland, Standard, Credit Suisse e UBS.
Estão sob investigação no Brasil, nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha. Cinco (JP Morgan, Citigroup, Barclays, RBS e UBS) já admitiram culpa em processos nos EUA. As primeiras multas americanas somam US$ 6,4 bilhões.
A investigação brasileira é comandada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica. O Cade aceitou acordo proposto pelo suíço UBS que, em julho, confessou, entregou provas contra outros bancos e delatou 30 pessoas físicas envolvidas na fraude do câmbio do real.
A Associação Brasileira de Comércio Exterior decidiu participar da ação conduzida pelo Cade: — Estamos levantando subsídios para um processo —, conta José Augusto de Castro, presidente. — Essa manipulação ajudou a destruir a nossa estrutura. Somente em vendas de produtos manufaturados perdemos US$ 50 bilhões e a chance de criar dois milhões de empregos.
A trama para supervalorizar a moeda brasileira incentivou importações. Até 2005 o país tinha 17 mil empresas de exportação e 22 mil de importação. Ano passado contavam-se 19 mil exportadoras contra 44,3 mil importadoras.
A especulação, favorecida pela taxa recorde de juros, deixou o país no lado oposto das nações industrializadas: no Brasil, o volume de negócios diários no mercado futuro de câmbio passou a ser cinco vezes maior do que no mercado de cambio à vista. Segundo o banco dos bancos centrais (BIS), o real se tornou a segunda moeda mais negociada no mercado futuro internacional. Só perde para o dólar.
Em recente audiência no Senado, um diretor do Banco Central, Aldo Mendes, minimizou os efeitos da conspiração sobre o real, apesar da confissão de participantes como o UBS. Mendes não admitiu falhas na vigilância e considerou impossível a manipulação da taxa de câmbio (Ptax) no Brasil:
— Nosso modelo é o melhor que existe.
— Ele mentiu ao Senado — diz Giannetti da Fonseca. — As provas estão no Cade, entregues, em confissão, por um dos participantes.
Castro complementa:
— Fiscalizar seria a obrigação do BC, que nada fez.
Para os empresários, durante seis longos anos o “cartel" e a “máfia" ajudaram a desindustrializar o Brasil. Só o Banco Central não viu.

Porque a Lava Jato já condenou Lula

http://jornalggn.com.br/noticia/porque-a-lava-jato-ja-condenou-lula

Procuradores, delegados e o juiz Sérgio Moro têm certeza de que o esquema de corrupção esteve sob o comando de Lula. A prisão de Lula tornou-se ideia fixa para a Lava Jato. Não se trata de suspeita tratada como suspeita.
Quando o procurador grisalho, de olhos rútilos afirma que já pegaram Dirceu e agora vão pegar quem está acima de Dirceu, certamente não está pensando no Divino Espírito Santo.
Há três fatores alimentando essa obsessão: um de caráter penal, dois de fundo psicológico.
O de caráter penal é a simplificação que acomete procuradores, delegados e repórteres policiais, de tratar a organização política com a mesma ótica com que tratam as organizações criminosas: uma estrutura hierárquica em que todos os comandos emanam do chefe e todos os favores visam benefícios pessoais.
Há uma estrutura hierárquica e o comando geral é do primeiro da hierarquia. Sua cabeça persecutória não consegue entender as nuances do jogo político, muito mais fluido e descentralizado que nas organizações criminosas.
Não é de hoje, nem restrito ao Brasil, esse conflito entre a maior permissividade da política e dos negócios, e a visão branco-preto dos órgãos de fiscalização e controle.
No caso da Lava Jato soma-se a essa visão um conhecimento pobre sobre procedimentos bancários e ferramentas de estímulo à economia, tanto da parte de procuradores e delegados quanto de repórteres policiais. Melhoraram muito a percepção sobre crime financeiro e em nada sobre as ferramentas convencionais de política econômica.
Essa desinformação faz com que se proceda à criminalização de qualquer fato, desde financiamentos à exportação até a diplomacia comercial.

As prerrogativas do poder

Outra complicação é a dificuldade que têm para separar as chamadas prerrogativas do poder dos crimes de corrupção.
A imagem e as relações criadas por um ex-presidente é um ativo pessoal seu.  Cada qual dá o uso que bem entende. Podem usar em palestras, facilitar negócios para familiares, até afrontar alguns limites éticos sem configurar crime.
E quando o palestrante tem projeção internacional – casos de Fernando Henrique Cardoso e Lula – o valor do cachê é igualmente elevado.
Logo que deixou a presidência, a primeira palestra de Fernando Henrique Cardoso foi para a Ambev - beneficiada por ele através do CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). O cachê foi de US$ 150 mil na época e serviu de parâmetro para os cachês subsequentes.
No seu governo, seu filho Paulo Henrique conseguiu um belo emprego na CSN, em ONGs ambientais e, depois de sua saída tornou-se sócio da Disney em uma rádio paulistana. Quais os atributos profissionais de Paulo Henrique? Filho de ex-presidente.
A mesma métrica vale para Lula. Acumulou um amplo patrimônio palestrando e fazendo lobby (legítimo) na África e América Latina para empreiteiras beneficiadas por obras e financiamentos em seu período de governo.
Seu filho emplacou um patrocínio de R$ 2,4 milhões junto a um lobista da indústria automobilística. Quais seus atributos profissionais? Ser filho de ex-presidente.
Não fizeram nada diferente do que fazem ex-presidentes dos Estados Unidos, França e Inglaterra. A tentativa de criminalizar um - e esquecer o outro - se deve ao atual viés político do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, mas também a dois outros fatores.

A busca do Santo Graal

 O segundo fator é a busca do Santo Graal, a vitória final para a imortalidade: a prisão de Lula, que se tornou uma obsessão para a Lava Jato, seja por suas inclinações partidárias, seja por disputa profissional.
Se não conseguir, ao menos atenda-se ao terceiro fator, dar sobrevida à Lava Jato nas manchetes de jornais.
No jornalismo, não há tema que resista ao desgaste da repetição reiterada, nem atentado na França, nem lama de Mariana.
A Lava Jato esgotou seu potencial midiático. Não ganha mais as manchetes principais, e quando ganha é por mera solidariedade partidária dos jornais. Mas não desperta mais o interesse do leitor porque tornou-se uma repetição menor dos procedimentos inciais: anuncia-se uma nova etapa, prende-se a arraia miúda (porque a graúda já foi presa), vaza-se uma delação do delator que ouviu dizer que fulano ouviu dizer que beltrano ouviu dizer que Lula sabia de tudo. Aí o Instituto Lula solta um desmentido que não é desmentido e a vida continua.
Diga-se em favor da Lava Jato, que o modelo de atuação impediu parcialmente o excesso de protagonismo individual de procuradores e delegados. Digo parcialmente porque a imagem de procuradores percorrendo o país com uma lanterna acesa e pregando o fim da corrupção constrangeu públicos mais sofisticados.
Mas, enfim, atuam em equipe, vazam as notícias em equipe e se defendem mutuamente: quando um corregedor da PF ousou colocar em dúvida o grampo na cela de Alberto Yousseff, procuradores da Lava Jato correram para processá-lo por calúnia, injúria e difamação antes mesmo de terminar a sindicância.
Depois de conhecer a luz, deter o poder de comandar as manchetes, montar coletivas aguardadíssimas, o maior temor é a volta à normalidade do trabalho burocrático e das operações invisíveis, pois sem viés político.
Não bastasse o gradativo esgotamento do potencial feérico da Lava Jato, a partir de agora os holofotes terão que ser divididos com colegas que atuarão em outros estados. A divisão da Lava Jato em várias frentes aumentará sua eficácia investigativa, saindo do rame-rame da delação premiada e da quebra de sigilos para ações de inteligência; mas aumentará a disputa pelas manchetes, em um mercado que deixou de ser ofertante.
E aí a Força Tarefa e o juiz Sérgio Moro são vítimas de um problema que acomete toda pessoa que experimentou os holofotes da mídia: a síndrome da abstinência.
O fator Lula
É esse o pano de fundo para essa caçada implacável a Lula. Enfiaram na cabeça e passaram publicamente a expressar esse desejo: querem a cabeça de Lula. Todas suas energias estão a serviço da sua tese. Mas como não pronunciam a palavra Lula, limitando-se a se referir ao “chefe do Dirceu”, atendem aos requerimentos republicanos do Ministro José Eduardo Cardozo.
E aí cria-se um quadro de autoconvencimento que está longe de ser profissional:
  • Já tem a conclusão antes das provas: o culpado é Lula.
  • Tem o poder de aceitar ou não a delação do delator. E o delator sabe o que os procuradores querem: Lula. E esse desejo expresso, público, notório dos procuradores é a condição para a aceitação da delação do delator. Então, se é isso que eles querem....
  • Como o operador não tem provas, provavelmente jamais viu Lula pessoalmente, recorre ao “ouvi dizer”. A delação, então, é vazada para a mídia e o “ouvi dizer” torna-se matéria diária, com procuradores e delegados iludindo-se de que isto é investigação e a imprensa iludindo-se que isto é notícia, e ambos banalizando o conceito de investigação séria que deveria permear a Lava Jato.