terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Maquiladoras mexicanas: é isso que os tucanos queriam para o Brasil ao defenderem a ALCA

As maquiladoras mexicanas

Por Paulo F.
Em tempos de revisão do acordp automotivo com o México vale a pena dar uma passad de olhos nesta matéria da Radio Nederland Wereldomroep
 As 'maquiladoras' mexicanas: falso sonho de industrialização Data de publicação : 14 Setembro 2011 - 9:56am | Por (Foto: Wikipedia)
As 'maquiladoras' se beneficiam dos privilégios que lhes são outorgados pelo governo mexicano e que lhes permitem explorar seus trabalhadores. O congresso daquele país debate uma reforma trabalhista. Vai melhorar a situação?
Por Isabel Caro e Marta Garrido
Nos anos 1960, o governo mexicano impulsionou um novo modelo de fábrica manufatureira com o objetivo de industrializar o país: as chamadas 'maquiladoras'. Atualmente, existem mais de três mil delas ao longo dos dois mil quilômetros de fronteira entre o México e os Estados Unidos, nas quais mais de um milhão de mexicanos estão empregados. Mas... a que preço?
Mago Ávalos trabalhou em uma maquiladora de Tijuana durante quatro anos, onde recebia cerca de 50 dólares por semana. Sua jornada, teoricamente, era das duas da tarde às 9h30 da noite, mas era obrigada (contra a opção que consta da lei mexicana) a fazer horas extras: “Na verdade, trabalhava das duas da tarde às seis da manhã”, conta.
Além disso, ela assegura que os patrões obrigam os empregados a trabalhar em ritmo “cada vez mais acelerado e com mais qualidade”. Mago tinha o objetivo de empacotar quinhentas meias-calça por hora: “A única forma de conseguir isso é trabalhar sem sair para tomar água ou ir ao banheiro, comer muito rápido ou até não comer. Porque não cumprir a meta pode significar demissão”.
Vivendo na pobrezaDepois do trabalho, as vidas dos empregados das maquiladoras transcorrem em acampamentos conhecidos como 'colônias', carentes dos serviços mínimos, como água potável, luz elétrica ou rede de esgoto. Mago afirma também que há muita violência nessas áreas. O jornalista estadunidense David Bacon, que visitou algumas delas para suas reportagens, as define como “áreas com caminhos de terra à margem das cidades”.
BeneficiadosDesde a criação das maquiladoras e principalmente a partir do Tratado de Livre Comércio da América do Norte, algumas potências, especialmente os Estados Unidos, as utilizaram para melhorar sua competitividade internacional com os privilégios que lhes foram oferecidos por diversos governos mexicanos.
Enrique Dávalos, presidente da Rede de Solidariedade de San Diego, explica que “as maquiladoras pagam menos impostos que as empresas mexicanas, utilizam uma força de trabalho muito barata e possuem regulamentações ambientais que nunca são cumpridas”. A falta de cumprimento dessa legislação permite, segundo Dávalos, que as indústrias reduzam custos enquanto contaminam a vida dos trabalhadores, a terra e os animais que vivem próximos das zonas industriais das maquiladoras.
Sem defesaO governo impõe obstáculos a qualquer tipo de organização, de acordo com Bacon: “Se as pessoas decidem criar um sindicato independente ou exigem salários mais altos ou um tratamento mais justo, o governo toma ações legais. Se há greve, a polícia age com represálias." São colocados muitos obstáculos aos trabalhadores, a ponto de demiti-los ou encarcerá-los. Mago fala de sindicatos ‘fantasmas’: “Na empresa em que trabalho, os empregados não tinham visto o sindicato em 40 anos. Começamos a reivindicar direitos e então ele apareceu para nos dizer que não podíamos nos mobilizar porque eles eram nosso sindicato”.
Esta falta de representação permite que muitas trabalhadoras sofram a discriminação no corpo. “O assédio sexual é comum nas maquiladoras. Geralmente se dá por parte da administração e caso as mulheres não cedam aos pedidos sexuais dos patrões, são ameaçadas ou demitidas”.
"Tudo em ordem"A Secretaria de Trabalho do México garante que a indústria maquiladora está sendo estigmatizada e insiste que a situação dos empregados melhorou. A subsecretária de Inclusão Trabalhista, Patrícia Espinosa, argumenta que “a indústria maquiladora, especialmente no setor químico e também no têxtil, melhorou muito as condições, praticando tudo o que a lei exige. Dão boas condições e têm cuidado com suas trabalhadoras. Evitam a rotação de pessoal e oferecem cursos de capacitação.” No entanto, Espinosa admite que ainda não se conseguiu que 100% das maquiladoras eliminem as más práticas.
Reforma Trabalhista
O governo mexicano pretende mudar a lei trabalhista vigente no país. Críticos preveem que a reforma prejudicará os trabalhadores das maquiladoras. Bacon acredita que tornará o custo da mão de obra ainda mais barato, deve piorar as condições de trabalho e aumentar a vulnerabilidade dos operários.
A Secretaria do Trabalho defende a nova lei “necessária para o México, porque a atual tem 40 anos e não está adaptada à atualidade”. Espinosa assegura que, ainda que a lei pretenda incentivar a produtividade, deve continuar defendendo os trabalhadores: “Pede maior produtividade, mobilidade e flexibilidade e contempla modalidades de trabalho que são importantes para as jovens, grávidas ou idosas, que podem trabalhar em períodos curtos, por horas e com benefícios sociais”.
A Reforma Trabalhista está sendo debatida atualmente no congresso mexicano e há que se esperar para saber se melhorará a situação das maquiladoras. No entanto, Mago considera essa reforma como “uma mentira que vai permitir a legalização da violação dos direitos trabalhistas que acontecem atualmente”. Diante disso, reivindica "que o governo respeite os direitos trabalhistas que temos e os direitos humanos, porque antes de sermos trabalhadores, somos seres humanos. Não é possível que o governo permita que a indústria viole os direitos fundamentais.”

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Brasilianização dos EUA

A BBC visitou nos Estados Unidos alguns acampamentos de sem-teto, cada vez mais numerosos no país desde o início da crise econômica que explodiu em 2008.
Dados oficiais apontam que cerca de 47 milhões de americanos vivem abaixo da linha pobreza e este número vem aumentando.
Atualmente há 13 milhões de desempregados, 3 milhões a mais do que quando Barack Obama foi eleito presidente, em 2008.
Algumas estimativas calculam que cerca de 5 mil pessoas se viram obrigadas nos últimos anos a viver em barracas em acampamentos de sem-teto, que se espalharam por 55 cidades americanas.
O maior deles é o de Pinella Hope, na Flórida, região mais conhecida por abrigar a Disney World. Uma entidade católica organiza o local e oferece alguns serviços aos habitantes, como máquinas de lavar roupa, computadores e telefones.
Muitos acampamentos são organizados e fazem reuniões para distribuição de tarefas comunitárias. Para alguns com poucas perspectivas de encontrar trabalho, as barracas são habitações semi-permanentes.


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A Grécia precisa de um Kirchner

A Grécia precisa de um Kirchner para ter coragem de romper com a banca alemã. As medidas impostas só vão sacrificar o povo e vão piorar as condições econômicas.  Qualquer economista mais medíocre que for deveria saber que cortar gastos numa economia em franca recessão só traz mais recessão.



PIB da Grécia cai 7% no quarto trimestre de 2011

O Produto Interno Bruto (PIB) da Grécia no quarto trimestre de 2011 registrou uma queda de 7%, em comparação ao resultado do mesmo período de 2010. Em nota divulgada nesta terça-feira, o Instituto de Estatísticas do governo do país reforçou que os números ainda serão ajustados. No terceiro trimestre do ano passado, o PIB grego havia recuado 5%. Segundo cálculos extraoficiais da agência Bloomberg, a economia grega registra no ano uma contração de 6,8%, acima do recuo de 6% estimado no orçamento do governo de 2012.
A Grécia está no quarto ano consecutivo de recessão, registrando sucessivas quedas desde 2008. A economia do país tem sido afetada pelas medidas de austeridade que tentam salvar suas fracas finanças públicas e a sair da crise da dívida. No fim de 2011, o país projetava que sua economia fosse se contrair mais de 5,5% no total do ano, sem esperanças de uma recuperação antes de 2013.
No último domingo, o Parlamento de Atenas aprovou novas cortes de gastos públicos equivalentes a € 3,3 bilhões, em um novo pacote de medidas de austeridade, exigidas pelo acordo com líderes da União Europeia (UE) e do FMI, para receber um novo pacote de empréstimo, de € 130 bilhões.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/pib-da-grecia-cai-7-no-quarto-trimestre-de-2011-3967188#ixzz1mZyjHG4d 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Os minijobs: o lado escondido do “milagre” alemão

Apresentada sucessivamente como a economia europeia que mais se tem fortalecido nos últimos anos, o “sucesso” alemão esconde uma economia em que o número de trabalhadores mal pagos tem vindo a aumentar explosivamente. Os “minijobs”, empregos de 400 euros e sem obrigações fiscais para o empregador, são o outro lado do “milagre” alemão.
 o lado escondido do “milagre” alemão 
Um em cada seis trabalhadores na Alemanha recebe 400 euros, livres qualquer obrigação fiscal, em trabalhos pouco qualificados. São já mais de 7 milhões e 300 mil trabalhadores mal pagos, que recebem menos de dois euros por hora num dos países com o custo de vida mais elevado do mundo.
Os “minijobs” têm vindo a aumentar nos últimos anos. Em 2003 o seu número não chegava aos 5 milhões, e, de acordo com o diário Süddeutsche Zeitung, um em cada quatro novos postos de trabalho são esta forma de precariedade laboral extrema.
Por detrás de uma economia supostamente em plena expansão, e que atingiu o número mais baixo de desemprego da última década, esconde-se o número crescente de trabalhadores que não conseguem encontrar outro emprego que não um “minijob”.
Justificados, no seu início, como uma forma mais flexível de incentivar pequenos trabalhos temporários para os mais jovens, a verdade é que são já mais de 5 milhões de trabalhadores que têm no “minijob” a sua principal ocupação e dois milhões para quem esta ocupação representa o seu segundo emprego.
Hotelaria, restauração, serviços de limpeza ou mesmo auxiliares nos cuidados de saúde são os lugares mais comuns para estes trabalhos mal pagos.
“A minha empresa explorava-me. Se pudesse encontrar outro trabalho sairia deste o mais rapidamente possível”, garante Anja, citada pelo El Economista. Com 50 anos, Anja tem trabalhado os últimos seis anos de “minijob” para “minijob”, em trabalhos de limpezas pagos a dois euros à hora.
Não existe salário mínimo na Alemanha, mas o rendimento médio dos trabalhadores dependentes ultrapassa os 40 mil euros/ano, o que torna incomportáveis salários que muitas vezes nem chegam aos 2 euros por hora.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

IBGE descobre que Selic não interfere no varejo


Do Valor Online
Por Diogo Martins | Valor
14/02/2012 - 13:52
RIO – A mudança de perfil da política monetária adotada pelo governo — de restritiva na primeira metade de 2011 para expansionista no segundo semestre do ano passado — não foi realizada a tempo de refletir nos resultados do comércio varejista. A avaliação é do gerente da coordenação de serviços e comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Reinaldo Pereira, ao comentar a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada nesta terça-feira.
  
No primeiro semestre de 2011, quando eram lançados aumentos na taxa básica de juros (Selic) e nas restrições ao crédito, o comércio varejista restrito acumulou alta de 3,1%, ao passo que na segunda metade do ano o avanço foi de 2,8%, em meio ao afrouxamento monetário e à redução da Selic.
“Reajustes para cima ou para baixo nos juros levam um tempo até surtirem efeitos na economia. É fato que a redução de juros não ajudou o comércio no segundo semestre”, disse o especialista do IBGE.
A taxa de juros foi ampliada no primeiro semestre pelo governo em razão da inflação, que estava alta e próxima ao teto da meta de 6,5%.
De acordo com Pereira, foi justamente a inflação que acabou por impactar negativamente o desempenho anual do volume de vendas de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que cresceu 4%, resultado inferior aos 6,7% registrados pela atividade em igual período. O desempenho de 4% foi o mais baixo desde 2009, quando a alta foi de 5,9%.
Pereira afirmou que o aumento de preços de commodities no mercado internacional encareceu o preço dos produtos de hipermercados, o que levou as pessoas a comprarem menos. Em 2011, as receitas nominais do grupo avançaram 11,5%.
“As pessoas gastaram menos, porque os preços ficaram mais ‘salgados’”, afirmou, citando a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no grupo alimentação em domicílios, que cresceu 5,41% no ano passado.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A Eurozona é governada abertamente pela banca

A Eurozona anda em crise há tempos. Em 2008 os governos se endividaram para salvar os banqueiros da maior crise desde a década de 1930. Agora a turma do mercado financeiro pressiona os governos para cortar gastos sociais e com isso sobrar mais recursos públicos para engordar seus caixas.

Vejam só, num período em que o desemprego está muito elevado (não há emprego para quem procura, isso é o significado dessa estatística), o governo britânico está forçando trabalhadores de licença médica a procurar emprego. Distribuiu cartilhas até mesmo para os que são doentes terminais (cegos, paraplégicos) insinuando que eles devem procurar empregos.

Esses sujeitos são insensíveis. Só pensam nos bônus trimestrais.  Na França a ministra da saúde solicitou que os sem-teto fiquem em casa durante o inverno.


Até então, a turma da alta finança tinha políticos na mão ao financiar suas campanhas, mas a crise ao invés de enfraquecer o neoliberalismo, o fortalece. Na Itália a banca nomeou um premier tecnocrata, isto é, um banqueiro que vai esfolar o povo sem dó para atender os interesses do setor financeiro. Na Grécia a mesma coisa. Pelo que lí, até o ministro do trabalho é banqueiro. 

domingo, 5 de fevereiro de 2012