segunda-feira, 3 de junho de 2013

Gestão pública dos pedágios no RS reduzirá tarifa em até 30%: chupa PSDB

Enquanto na última campanha o Picolé de Chuchu prometeu para os eleitores rever os abusivos pedágios e não fez nada. No Rio Grande do Sul, o governador de PT prometeu não renovar as concessões e assim o fez. Algumas praças não não terão mais pedágios enquanto outras terão tarifas substancialmente reduzidas.

Veja matéria:

http://www.sul21.com.br/jornal/2013/05/gestao-de-pedagios-passa-a-ser-publica-e-tarifa-reduz-ate-30-no-rs/

Meta de inflação

Enquanto aqui os medalhões do mercado financeiro querem inflação de Japão, nos EUA há uma discussão sobre a meta de inflação. Economistas famosos como Paul Krugman (prêmio nobel), Larry Ball e Olivier Blanchard (usei seu livro no meu curso de macroeconomia) acha que 4% estaria de bom tamanho.

Aqui no Brasil a meta é 4,5% em cima do IPCA (indicador que abrange quase todos os preços). Lá a meta não é explicita, mas sabe-se que 2%  em cima do núcleo da inflação (exclui por exemplo variações de produtos agrícolas).

Aqui se defende redução da meta. Faz diferença? Faz sim, para uma país em desenvolvimento onde os serviços estão em forte crescimento de renda em função da correção nas desigualdades histórica. Juro alto não vai trazer inflação para 2 ou 3%. Ao contrário dos comentarias papagaios que ouvimos na mídia, o juro tem pouco efeito no controle da inflação, mas implica em altos ganhos para o setor financeiro que patrocinam os veículos de comunicação.



http://krugman.blogs.nytimes.com/2013/05/24/the-four-percent-solution/

domingo, 2 de junho de 2013

1862 - Lincoln sanciona Homestead Act, lei da "reforma agrária" dos EUA

Modelo baseado na pequena propriedade, aliado à mão de obra familiar, resolveu a questão agrária norte-americana

Do OperaMundi
http://operamundi.uol.com.br/conteudo/historia/28975/Hoje+na+historia+1862+_+lincoln+sanciona+homestead+act+lei+da+reforma+agraria+dos+eua.shtml&SyAxxOu==

Como um marco na história da ocupação do oeste norte-americano por colonos de todas as partes do país e do mundo, o presidente Abraham Lincoln sanciona em 20 de maio de 1862 o Homestead Act (Lei da Fazenda Rural). Trata-se de um programa destinado a conceder terras públicas a pequenos fazendeiros a baixo custo. A lei concedia 160 acres – 650 mil metros quadrados – a todo solicitante, desde que fosse chefe de família e tivesse 21 anos ou mais, e garantisse permanecer e trabalhar a terra por no mínimo cinco anos, pagando uma pequena taxa de administração.

WikiCommons - concessão de território
Se os colonos quisessem obter antes o título de propriedade, só poderiam fazê-lo transcorridos seis meses e pagando 1,25 dólar por acre (aproximadamente 4.000 metros quadrados). Dessa forma, um modelo baseado na pequena propriedade, no plantio de diversos tipos de alimentos e criação de gado e aves de distintos portes, aliado à mão de obra familiar, resolveu a questão agrária norte-americana.

O Homestead Act foi inicialmente proposto nos anos 1850, contudo os congressistas do Sul temiam que a ocupação do Oeste por pequenos fazendeiros poderia criar uma alternativa agrícola ao sistema escravagista sulista. Em 1858, uma lei de reforma agrária foi derrotada por apenas um voto no Senado e, em 1859, um projeto de lei foi aprovado em ambas as casas tendo sido, no entanto, vetada pelo presidente James Buchanan.

A aprovação desta lei era prioritária na agenda do presidente Lincoln, que sucedeu a Buchanan. A ausência de congressistas do Sul em virtude da Secessão removeu grande parte da oposição parlamentar à lei. O presidente Lincoln promulgou o ‘Homestead Act’ em 20 de maio de 1862. Ao final da Guerra Civil cerca de 15 mil pedidos de terra já haviam sido feitos.

O notável crescimento da economia norte-americana acabou estimulando a procura por novas terras. Levas de migrantes norte-americanos e imigrantes vindos da Europa manifestaram interesse em conquistar terras mais a Oeste, a partir da metade do século XVIII e no século XIX. Em meados de 1860, a população dos Estados Unidos já superava a marca dos 30 milhões de habitantes.

Os grandes proprietários defendiam que essas terras fossem vendidas a um preço alto que impedisse a formação de novos concorrentes no comércio agrícola. Por outro, industriais do Norte e pequenos fazendeiros defendiam que as terras fossem distribuídas com políticas que facilitassem sua ocupação e, ao mesmo tempo, permitisse o crescimento da oferta de alimentos e a ampliação do mercado consumidor industrial.

Diante desse rápido crescimento demográfico, o próprio Estado resolveu adquirir novos territórios valendo-se da compra, da guerra ou da assinatura de acordos diplomáticos.

Em 1803, os EUA conseguiram tomar posse da Louisiana por meio do pagamento de uma indenização de quinze milhões de dólares. Anos mais tarde, a Flórida foi comprada dos espanhóis por cinco milhões de dólares. Até a metade do século XIX, uma série de anexações e uma sangrenta guerra travada com o México garantiram boa parte dos territórios que hoje compõem os Estados Unidos da América.

A partir de então, um novo dilema surgiu com relação ao processo de ocupação dessas novas terras. Afinal de contas, qual seria a medida governamental capaz de organizar a formação das novas propriedades?

A maioria dos postulantes era de fazendeiros experientes do populoso leste ou da Europa. Em 1900, cerca de 600 mil inscrições já haviam sido feitas abarcando perto de 80 milhões de acres (325 mil quilômetros quadrados) de terras públicas.

A fim de levar o desenvolvimento a esse novo espaço, a economia da Costa Leste levou a cabo ações para a integração das propriedades agrícolas e novas cidades que surgiam. Muitos quilômetros de ferrovias foram construídos para garantir a prosperidade dos novos empreendimentos.

Além de conferir dinamismo à economia, a Homestead Act foi de fundamental importância para a consolidação da política agrária nos Estados Unidos. Em vez de favorecer a formação de uma pequena elite de proprietários de terra ligada à exportação de produtos agrícolas – como vinha acontecendo com a exportação de algodão para o Reino Unido – a medida tomada impulsionou o processo de modernização, garantiu a segurança alimentar e criou excedentes para a exportação de vários itens, fator crucial para a transformação dos Estados Unidos em grande potência econômica.

Embora incontáveis pedidos continuassem a ser feitos já no século XX, a mecanização da agricultura norte-americana nos anos 1930 e 1940 levou à substituição de pequenas propriedades individuais por um pequeno número de fazendas muito maiores.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

CONHEÇA OITO TECNOLOGIAS DO FUTURO NA EXTRAÇÃO DE PETRÓLEO

Como será a produção de petróleo e gás daqui a 10, 15, 20 anos? Os pesquisadores de Petrobras, em parceria com fornecedores e universidades, trabalham diariamente projetando novas tecnologias. O infográfico “8 tecnologias do futuro”, disponível a partir desta sexta-feira (17/05) em no site da PETROBRAS, aborda alguns dos estudos em andamento. Lá, é possível saber como serão os FPSOs (navios-plataforma) do futuro, a nova geração de equipamentos de processo, os veículos autônomos submarinos, a distribuição de energia submarina, a utilização de  nanomateriais e nanopartículas, o processamento submarino, além da perfuração sem risers. 


       
 
http://fatosedados.blogspetrobras.com.br/2013/05/17/conheca-oito-tecnologias-do-futuro/

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Há 20 anos, a inflação semanal brasileira era maior que o nível anual de hoje

Da CartaCapital
http://www.cartacapital.com.br/economia/taxa-de-juros


O presidente do banco de investimentos BTG Pactual, André Esteves, pediu nesta terça-feira 7 comedimento em relação às análises econômicas de que o Brasil vive um período de deterioração das contas externas e pressão inflacionária. “Precisamos ver uma dimensão histórica. Há 20 anos, a inflação semanal brasileira era maior que 5,5%, o nível anual de hoje”, disse durante o Fórum de Economia organizado por CartaCapital, em São Paulo.
O banqueiro também ressaltou ser normal a queda da Selic para patamares mais baixos e eventuais aumentos, como o anunciado pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central em abril. “O importante é ver que há 15 anos a alta na taxa de juros era maior que a taxa nominal atual. Em qualquer ciclo a alta era de no mínimo 7,5%”, afirmou. “Agora o nível é normal, como em outras economias.”
Esteves ainda rebateu o pessimismo mundial em relação a este momento da economia brasileira. Segundo ele, o País vive uma transformação estrutural positiva com a saída de 40 milhões de pessoas da pobreza e sua entrada na classe média. “O Brasil tem condições de seguir neste rumo por duas ou três décadas para fazer a mesma transformação dos EUA, trazendo a maioria da população para a classe média. Esse é um país, como nos EUA, onde a mobilidade social é possível."

terça-feira, 23 de abril de 2013

A república do Atraso


Carta Capital - 17 de abril de 2013.
Matéria completa: A república do atraso
Certa vez, o economista Amir Khair, professor da FGV e ex-secretário de Finanças de São Paulo, viu-se diante do desafio de conciliar os interesses de empresários nacionais e estrangeiros no projeto de uma joint venture. Os investidores japoneses se queixavam do estilo dos sócios brasileiros. Eles eram rápidos no planejamento, mas lentos para tocar uma obra. Os nipônicos preferiam o oposto: gastar mais tempo no projeto e executá-lo em curto prazo. "Hoje, ao analisar as grandes obras públicas no Brasil, sou obri- gado a concordar com os japoneses. O que mais atrasa e gera desperdício são os proje- tos malfeitos, e não a corrupção."

Exemplos de empreendimentos abandonados, interrompidos ou suspensos ilustram bem a conclusão do economista. Em julho de 2012, foram concluídos os parques eólicos da região de Caetité, na Bahia. Não há, porém, linhas de transmissão para levar a energia às usinas. Um erro de cálculo que compromete o crescimento e a competitividade do País.

Carta Capital avalia, a seguir, a situação de cinco grandes projetos inconclusos há décadas. Os problemas são variados: interrupções no repasse de verbas, licitações suspeitas, indícios de superfaturamento, longas batalhas judiciais. Em comum, graves falhas de planejamento, da elaboração dos projetos à fiscalização.

Segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), entre 2008 e 2012, o Brasil poderia evitar a perda de 10 bilhões de reais se corrigisse as irregularidades encontradas em obras públicas. "Os problemas mais recorrentes estão nos projetos e no orçamento. Das 200 obras fiscalizadas em 2012 havia deficiências de projeto em 49%. Sobrepreços ou superfaturamentos ocorreram em 46%", afirma Augusto Nardes, presidente do TCU. "Falhas nos projetos podem levar a aumentos substanciais no valor do empreendimento, que pode ficar sem recursos para sua conclusão."

O desperdício de dinheiro público é apenas uma fração do que o País perde com obras mal executadas, algo de difícil mensuração em estudos. Apenas com a falta de investimentos em Logística, o Brasil desperdiça 168 bilhões de reais por ano em competitividade na comparação com os EUA, segundo um estudo recente do professor Paulo Resende, da Fundação Dom Cabral.

Só há um caminho para destravar os investimentos, dizem analistas. O Brasil precisa planejar melhor. Após décadas de aportes públicos diluídos, o País vive uma retomada de esforços federais com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que, no entanto, sofre para cumprir o cronograma. De 2007 a 2010, o governo executou 302,5 bilhões de reais em obras, 46,1% do previsto.

O desembolso do PAG 2 é melhor, mas ainda assim abaixo do esperado. Do 1 trilhão previsto entre 2011 e 2014 foram gastos nos dois primeiros anos 472,4 bilhões, ou 47,8%. "O Brasil faz hoje, ao mesmo tempo, pontes em Manaus e reformas em 20 aeroportos. E um canteiro de obras gigante que exige do governo um planejamento nunca feito antes", diz Trajano Quinhões, presidente da Anesp, associação nacional dos profissionais de gestão pública.

Adaptar-se a esse novo cenário inclui realizar licitações com planos mais detalhados, para evitar reajustes imprevistos na fase de construção, comuns em obras feitas com projetos básicos. "A lei permite aditivos de até 25% do valor da obra. Ao superar isso, outra licitação deve ser feita. Isso dá margem à corrupção", diz Eduardo Padilha, especialista em infra-estrutura e professor do Insper.

A opinião é compartilhada por Khair. "Não faz sentido uma licitação apenas com o projeto básico, como a lei autoriza", avalia. Outro grave problema, diz, é a falta de um corpo técnico qualificado no setor público. "Os governos deveriam atrair os melhores profissionais para planejar as grandes obras, mas continuam a pagar salários bem inferiores aos da iniciativa privada."

Parte das obras não sai como o planejado por outro motivo. Os órgãos públicos responsáveis não acompanham adequadamente sua execução. "O PAG tem 1 trilhão para gastar, mas a máquina pública foi reforçada?", pergunta Quinhões. "Quando o TGU se manifesta é porque todas as etapas anteriores de controle falharam."

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Inflação terá forte queda entre maio e agosto, mostra estudo


Por Cristiano Romero do Valor Econômico
A inflação, medida pelo IPCA, deve continuar alta neste mês, mas cairá fortemente entre maio e agosto. É alta a probabilidade de o índice, em algum desses meses, registrar deflação. A previsão é do economista-chefe do banco Credit Suisse, Nilson Teixeira, um dos analistas que acertam projeções econômicas no país.
Num estudo oferecido com exclusividade ao Valor, Teixeira e sua equipe estimam que o IPCA de abril, ainda pressionado pelos alimentos, atingirá 0,45%, face a 0,47% de março. Por razões sazonais, nos próximos quatro meses o índice terá forte queda, auxiliada por uma série de desonerações tributárias e outras medidas adotadas pelo governo federal.
Os preços dos alimentos in natura, que incluem os grupos tubérculos (batata, por exemplo), raízes, legumes, hortaliças, verduras e frutas, costumam aumentar entre janeiro e abril, recuar entre maio e setembro e subir novamente entre outubro e dezembro. Nos últimos 12 meses, esse padrão foi alterado pela expressiva alta dos preços ao longo de todo o período. "Em março, os preços desses alimentos estavam 39% superiores ao nível do mesmo mês do ano anterior, sendo que nossa projeção é de que a inflação acumulada em 12 meses em abril seja de 48%", diz Teixeira.
A inflação de bens industriais, serviços e preços administrados (ex-alimentos) também tende a diminuir entre abril e agosto. Uma explicação para isso é que, nesse período, geralmente não há reajustes de preços monitorados e de serviços. Os aumentos são mais comuns no começo do ano - por exemplo, transporte urbano, mensalidade escolar e serviços por causa da correção do salário mínimo.
Um conjunto de seis fatores deve contribuir para o forte recuo do IPCA projetado pela equipe do Credit Suisse. O primeiro é a já mencionada redução dos preços dos alimentos in natura - se voltarem a patamares históricos, contribuirão com recuo de 0,45 ponto percentual da inflação no curto prazo. Já a desoneração de impostos do transporte urbano (PIS-Cofins sobre óleo diesel) pode evitar alta de 0,15 ponto percentual do IPCA neste ano.
A limitação do reajuste das distribuidoras de energia em 2,99% ao longo do ano pode impedir alta de 0,11 ponto percentual do IPCA em 2013. Nesse caso, o Tesouro teria que compensar a diferença financeira entre o reajuste autorizado pela Aneel e esse limite de 2,99%. O Credit Suisse projeta reajuste médio, no ano, de 7% nas tarifas cobradas pelas distribuidoras.
Em estudo pelo governo, a desoneração de equipamentos hospitalares, por sua vez, reduziria os reajustes dos planos de saúde e evitaria alta de até 0,21 ponto percentual na inflação deste ano. Já decidida, a manutenção da desoneração do IPI de automóveis impedirá, por sua vez, elevação de 0,15 ponto percentual na inflação. A desoneração de PIS-Cofins sobre etanol tenderia a reduzir o IPCA em 0,12 ponto percentual.
No total, as iniciativas de desoneração mencionadas poderiam evitar alta de 0,74 ponto percentual no IPCA em 2013, o que explica a obsessão do governo em enfrentar a inflação por meio da adoção dessas medidas, em vez de recorrer apenas à política monetária clássica (elevação dos juros).
Sem considerar essas desonerações, Teixeira e sua equipe fizeram simulações para três cenários distintos quanto ao comportamento dos preços de ex-alimentos e de alimentos in natura nos próximos meses. Para os demais alimentos (no domicílio e aqueles que não são in natura), determinaram impacto negativo de 0,25 ponto percentual no IPCA entre abril e maio, decorrente da desoneração da cesta básica realizada pelo governo.
Com base nessas premissas, no cenário pessimista, em que a inflação de ex-alimentos segue a trajetória máxima observada entre 2005 e 2012 e ocorre uma reversão de 50% nos preços dos alimentos in natura, o IPCA dos meses de maio a agosto e o acumulado em 12 meses seriam, respectivamente, de 0,39% (6,5%), 0,22% (6,7%), 0,31% (6,5%) e 0,35% (6,5%). No cenário médio, em que a inflação de ex-alimentos segue a trajetória média do período entre 2005 e 2012 e materializa-se reversão dos alimentos in natura para patamar próximo ao de dezembro de 2012, os resultados seriam: 0,24% (6,3%), - 0,07% (6,2%), 0,03% (5,8%) e 0,19% (5,5%).
No cenário otimista, em que os ex-alimentos seguem a trajetória mensal mínima verificada entre 2005 e 2012 e reversão de 1,5 vez da diminuição dos preços dos alimentos in natura considerada no cenário neutro, haveria deflação em três meses e inflação zero em agosto - - 0,01% (6,1%), - 0,38% (5,6%), - 0,35% (4,8%) e 0,0% (4,3%). "Mesmo no cenário mais pessimista, em que a inflação de ex-alimentos registre o seu patamar máximo entre 2005 e 2012 nos meses de maio, junho, julho e agosto e a reversão de preços dos alimentos in natura seja apenas parcial, a inflação permanecerá muito inferior à dos últimos meses", acredita Nilson Teixeira.