quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Rede Globo joga sujo para retirar a TV Diário das parabólicas

Lembram-se do Coxinha, personagem lá do Ceará apresentado pelo Davi?
http://www.youtube.com/results?search_type=&search_query=nas+garras+da+patrulha&aq=0

Esse quadro de humor é produzido pela TV Diário lá do Ceará. Outro programa legal é a Vila do Riso (não é a toa que dizem que todo cearense já nasce humorista). A programação, que é muito boa e é transmitida via satélite podendo chegar cerca de 30 milhões de lares que têm antena parabólica, tem sido fator de integração da comunidade nordestina Brasil a dentro.

Pois não que a Globo, que não suporta concorrência, pressiona para que o Sistema Verdes Mares (dono da TV Diário) tire o canal do satélite. Como toda emissora quer ser vassalo da Rede Globo, a programação própria é sufocada, quando no máximo fica restrita a nível local. Quando chega um pouco mais longe, a Globo manda prá Sibéria.


http://verdesmares.globo.com/tvdiario/



GLOBO EXIGE RETIRADA DA TV DIÁRIO DAS PARABÓLICAS

A direção-geral da TV Diário esteve reunida com todo o seu cast de apresentadores, na tarde de hoje,20 de fevereiro.

Uma fonte da emissora informou o assunto da pauta: a pressão que a Rede Globo vem fazendo contra o Sistema Verdes Mares de Comunicação para que a TV Diário deixe de transmitir sua programação pelo satélite.

A reclamação é antiga e a Globo observou que vem perdendo audiência para a emissora cearense em vários nichos de mercado do País.

A TV Diário pode sair do satélite e virar emissora local, com direito a ser captada em algumas poucas cidades do Ceará.”

http://www.iguatunoticias.com/2009/02/globo-exige-retirada-da-tv-diario-das.html

--
Vladimir M Coutinho
www.vlad.blog.br

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

A morte do segredo bancário suíço

Gilles Lapouge (Correspondente em Paris)
O Estado de São Paulo , 24/02/2009

A Suíça tremula. Zurique se alarma. Os belos bancos, elegantes, silenciosos de Basileia e Berna estão ofegantes. Poderia se dizer que eles estão assistindo na penumbra a uma morte ou estão velando um moribundo. Esse moribundo, que talvez acabe mesmo morrendo, é o segredo bancário suíço.

O ataque veio dos Estados Unidos, em acordo com o presidente Obama. O primeiro tiro de advertência foi dado na quarta-feira. A UBS - União de Bancos Suíços, gigantesca instituição bancária suíça - viu-se obrigada a fornecer os nomes de 250 clientes americanos por ela ajudados para fraudar o fisco. O banco protestou, mas os americanos ameaçaram retirar a sua licença nos Estados Unidos. Os suíços, então, passaram os nomes. E a vida bancária foi retomada, tranquilamente.

Mas, no fim da semana, o ataque foi retomado. Desta vez os americanos golpearam forte, exigindo que a UBS forneça o nome dos seus 52.000 clientes titulares de contas ilegais. O banco protestou. A Suíça está temerosa. O partido de extrema-direita, UDC (União Democrática do Centro), que detém um terço das cadeiras no Parlamento Federal, propõe que “o segredo bancário seja inscrito e ancorado pela Constituição federal”.

Mas como resistir? A União de Bancos Suíços não pode perder sua licença nos EUA, pois é nesse país que aufere um terço dos seus benefícios.

Um dos pilares da Suíça está sendo sacudido. O segredo bancário suíço não é coisa recente. Esse dogma foi proclamado por uma lei de 1934, embora já existisse desde 1714. No início do século 19, o escritor francês Chateaubriand escreveu que “neutros nas grandes revoluções nos Estados que os rodeavam, os suíços enriqueceram à custa da desgraça alheia e fundaram os bancos em cima das calamidades humanas”.

Acabar com o segredo bancário será uma catástrofe econômica. Para Hans Rudolf Merz, presidente da Confederação Helvética, uma falência da União de Bancos Suíços custaria 300 bilhões de francos suíços ou 201 milhões.

E não se trata apenas do UBS. Toda a rede bancária do país funciona da mesma maneira. O historiador suíço Jean Ziegler, que há mais de 30 anos denuncia a imoralidade helvética, estima que os banqueiros do país, amparados no segredo bancário, “fazem frutificar três trilhões de dólares de fortunas privadas estrangeiras, sendo que os ativos estrangeiros chamados institucionais, como os fundos de pensão, são nitidamente minoritários”.

Ziegler acrescenta ainda que “se calcula em 27% a parte da Suíça no conjunto dos mercados financeiros ?offshore? do mundo, bem à frente de Luxemburgo, Caribe ou o extremo Oriente”. Na Suíça, um pequeno país de 8 milhões de habitantes, 107 mil pessoas trabalham em bancos.

“O manejo do dinheiro na Suíça”, diz Ziegler, “se reveste de um caráter sacramental. Guardar, recolher, contar, especular e ocultar o dinheiro, são todos atos que se revestem de uma majestade ontológica, que nenhuma palavra deve macular e se realizam em silêncio e recolhimento”.

Mas agora surge um outro perigo, depois desse duro golpe dos americanos. Na minicúpula europeia que se realizou em Berlim, em preparação ao encontro do G-20 em Londres, França, Alemanha e Inglaterra (o que foi inesperado) chegaram a um acordo no sentido de sancionar os paraísos fiscais. “Precisamos de uma lista daqueles que recusam a cooperação internacional”, vociferou a chanceler Angela Merkel.

No domingo, o encarregado do departamento do Tesouro britânico, Alistair Darling, apelou aos suíços para se ajustarem às leis fiscais e bancárias europeias. Vale observar, contudo, que a Suíça não foi convidada para participar do G-20 de Londres, quando serão debatidas as sanções a serem adotadas contra os paraísos fiscais.

Há muito tempo se deseja o fim do segredo bancário. Mas até agora, em razão da prosperidade econômica mundial, todas as tentativas eram abortadas. Hoje, estamos em crise. “Viva a crise!”

Barack Obama, quando era senador, denunciou com perseverança a imoralidade desses “remansos de paz para o dinheiro corrompido”. Hoje ele é presidente. É preciso acrescentar que os Estados Unidos têm muitos defeitos, mas a fraude fiscal sempre foi considerada um dos crimes mais graves no país. Nos anos 30, os americanos conseguiram laçar Al Capone. Sob que pretexto? Fraude fiscal.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090224/not_imp328991,0.php

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

“Alguns acreditam no PSDB. Outros preferem duendes”

Paulo Moreira Leite
23/02/09 Revista Época

Sou do tempo em que algumas pessoas colavam um plástico no vidro dos automóveis: “Eu acredito em duendes!”

Hoje, os duendes saíram dos automóveis para assumir a identidade do PSDB.

Apenas um partido de existência improvável pode viver a situação em que os tucanos se encontram hoje.

Os tucanos governam estados importantes, como São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul. Tem uma boa bancada de deputados e senadores influentes.

Entre grandes empresários, muitos são petistas de carteira, em função de óbvias contingências políticas - e tucanos de coração.

O problema é que os tucanos não sabem quem será seu candidato a sucessão de Lula, embora um deles seja o primeiro colocado em todas as pesquisas de intenção de voto e já tenha o apoio declarado do segundo maior partido de oposição.

Os tucanos não conseguem ter uma atuação coerente na Câmara de Deputados, onde um terço da bancada está sempre contra a maioria.

E ainda nem falamos do principal: embora seja um partido de oposição, com o maior índice de acadêmicos per capta de nossa vida pública, o PSDB ainda não conseguiu produzir uma crítica útil nem relevante sobre o mandato e meio do governo Lula.

Não falta opinião - do contra, de preferência. Mas falta trabalho, pesquisa, argumento - aquilo que vai convencer o eleitor indeciso, sedimentar a opinião, consolidar a crítica.

Além de artigos - brilhantes ou não - que suas estrelas publicam em jornais, a título individual, não sabemos o que o PSDB acha, de verdade, sobre o Bolsa-Família.

Nem o que pensa sobre os juros de Henrique Meirelles que, por sinal, foi eleito deputado pelos tucanos.

Qual seu balanço das primeiras medidas que a equipe econômica para enfrentar a crise internacional? Não sabemos.

Desse jeito, será dificil entender por que o PSDB quer convencer o eleitor a conduzí-lo de volta ao Planalto.

O partido trabalha como se a lei de gravidade estivesse sempre a seu favor e o Palácio do Planalto fosse eu destino histórico.

Pode ser que a crise econômica ajude. Mas os impasses de Barack Obama mostram que uma tragédia pode ajudar a ganhar uma eleição mas não ajudam a fazer um bom governo.

Não tenho nada contra quem acredita em duendes. Só não acho que devem ser confundidos com eleitores de carne e osso.
(Voltando aos duendes nos vidros dos automóveis. Eram outros tempos. O trânsito era uma tribuna para se anunciar crenças religiosas, preferências políticas e mesmo filosofia em forma de auto-ajuda. Eram uma forma de comentário de atualidade. Muitos eram chatíssimos. Outros, oportunos e até engraçados. Muita gente denunciava a corrupção, pedia eleições, cobrava solidariedade contra a AIDS e assim por diante. As pessos viam, comentavam, imitavam e de certa forma respondiam com outros adesivos. Minha mãe carregava no carro um plástico redondo e amarelo, para denunciar a energia nuclear. Hoje, os plásticos religosos permanecem. Sobraram alguns Guevaras. O resto é silêncio visual. Parece que todos se cansaram de nossas crenças. Ou concluíram que não vale a pena anunciá-las para os outros).

http://colunas.epoca.globo.com/paulomoreiraleite/2009/02/23/alguns-acreditam-no-psdb-outros-preferem-duendes/

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

O setor financeiro precisa aprimorar a gestão de risco

O setor financeiro precisa aprimorar a gestão de risco
Lloyd Blankfein, Financial Times, reproduzido no Valor Econômico em 20/02/2009


Desde a primavera e, mais pronunciadamente neste outono, uma epidemia global de medo e pânico asfixiou as artérias das finanças, exacerbando uma deterioração mais abrangente na economia global. A maior parte do ano passado foi extremamente humilhante para o nosso setor. As pessoas estão compreensivelmente revoltadas e nosso setor precisa prestar contas por seu papel naquilo que transpirou.
Daniel Acker / Bloomberg News
Blankfein, executivo-chefe do Goldman Sachs: "Remover o risco completamente do sistema virá ao custo do crescimento"

As instituições financeiras têm uma obrigação em relação ao sistema financeiro mais amplo. Nós dependemos de um sistema sadio, que funciona bem, mas fracassamos em suscitar perguntas suficientes sobre se parte das tendências e práticas que se tornaram habituais realmente atenderam os interesses de longo prazo do público.

À medida que formuladores de política e reguladores começarem a considerar as ações a serem tomadas para lidar com as deficiências, parece-me que será útil refletir sobre algumas lições aprendidas com essa crise.

A primeira é que a gestão de risco não deve se basear inteiramente em dados históricos. Nos meses passados, temos escutado a frase "eventos com múltiplos desvios-padrão" mais do que algumas vezes. Se os eventos que foram calculados para ocorrer uma vez a cada 20 anos na verdade ocorreram com muito maior regularidade, não é preciso ser nenhum matemático para concluir que as premissas de gestão de risco não refletiram a distribuição dos resultados reais. Nosso ramo precisa se empenhar mais em realçar e aprimorar análises de cenários e testes de resistência em condições de pressão.

Em segundo lugar, um número grande demais de instituições financeiras e investidores terceirizou a sua gestão de risco. Em vez de se incumbirem das suas próprias análises, elas confiaram nas agências de classificação para executar o trabalho essencial de análise de risco para si. Isto foi verdade na implantação e durante o período do investimento, ao longo do qual elas não prestaram atenção em outros indicadores de deterioração financeira.

Esta dependência exagerada nas classificações de crédito coincidiu com o enfraquecimento da cobiçada classificação triplo A. Em janeiro de 2008, existiam 12 empresas com nota triplo A. Ao mesmo tempo, havia 64 mil instrumentos financeiros estruturados, como carteiras de títulos lastreados em crédito (CDO, na sigla em inglês), com classificação triplo A. É fácil e conveniente responsabilizar as agências de classificação por lapsos nas suas avaliações de crédito. Cada uma das instituições financeiras que participaram no processo deve aceitar a sua parcela de responsabilidade.

A terceira é que tamanho é documento. Por exemplo, se uma pessoa detém US$ 50 bilhões de dívida super sênior de (supostamente) baixo risco num CDO, a probabilidade de perdas era, proporcionalmente, a mesma. Mas as consequências de um erro de cálculo eram obviamente muito maiores se a pessoa tivesse uma exposição de US$ 50 bilhões.

A quarta é que muitos modelos de risco presumiram que as posições podiam ser plenamente protegidas. Após o colapso do Long-Term Capital Management e a crise nos mercados emergentes em 1998, novos produtos como as várias cestas de índices e swaps de crédito foram criados para ajudar a compensar uma série de riscos. Entretanto, nós, como um setor, não consideramos de forma suficientemente cuidadosa a possibilidade de que a liquidez poderia evaporar, dificultando a aplicação de proteções de risco eficazes.

A quinta é que os modelos de risco não conseguiram capturar o risco inerente em atividades não contabilizadas nos balanços patrimoniais, como os veículos de instrumentos estruturados. Agora já está claro que dirigentes de empresas com vasta exposição não registrada em balanço patrimonial não estimaram a plena magnitude dos riscos econômicos aos quais estavam expostos: igualmente preocupante, seus pares não estavam conscientes da plena consequência desses veículos e, portanto, não podiam avaliar criteriosamente o risco de se fazer negócios.

Sexta, a complexidade levou o que tínhamos de melhor. O setor deixou o crescimento nos novos instrumentos superar a capacidade operacional de gerenciá-los. Consequentemente, o risco operacional aumentou dramaticamente e isso teve um efeito direto sobre a estabilidade geral do sistema financeiro.

Por último, e talvez mais importante, as instituições financeiras não prestaram contas sobre os valores dos ativos de forma suficientemente precisa. Ouvi algumas pessoas argumentarem que a contabilidade pelo valor justo - que atribui valores atuais a ativos e passivos financeiros - é um dos principais fatores que agravam a crise de crédito. Eu vejo isso de forma diferente. Se mais instituições tivessem avaliado adequadamente as suas posições e obrigações desde o começo, elas estariam muito melhor posicionadas para reduzir as suas exposições.

Para o Goldman Sachs, a marcação diária de posições a preços de mercado correntes foi um elemento-chave que contribuiu para a nossa decisão de reduzir riscos num estágio relativamente inicial nos mercados e em instrumentos que estavam se deteriorando. Esse processo pode ser difícil e algumas vezes penoso, mas acredito que esta é uma disciplina que deve definir as instituições financeiras.

Como resultado destas lições e de outras que surgirão a partir desta crise, deveríamos considerar princípios importantes para o nosso setor, para formuladores de políticas e para reguladores. Para o setor, não podemos deixar que a nossa capacidade de inovar supere nossa capacidade de gerenciar. Considerando o tamanho e a natureza interconectada dos mercados, o crescimento nos volumes, a natureza global das transações comerciais e suas características de ativos cruzados, a gestão do risco operacional só ficará mais importante.

As funções de risco e controle precisam ser completamente independentes das unidades de negócios. E a clareza acerca da instância à qual gestores de controle e risco devem se reportar é crucial para manter esta independência. Igualmente importante, os gestores de risco precisam ter estatura pelo menos igual à de seus opostos nas mesas de operações; se houver uma pergunta sobre o valor de uma posição ou desacordo em torno de um limite de risco, a opinião do gestor de risco deve prevalecer sempre.

Compreensivelmente, os planos de remuneração continuam gerando muita irritação e polêmica. Nós reconhecemos que ter um programa de alívio a ativos problemáticos cria um contexto importante para remuneração. Isso explica por que, em parte, nossa equipe diretora executiva optou por não receber uma gratificação em 2008, apesar de a firma ter gerado um lucro.

De forma mais geral, precisamos aplicar parâmetros básicos sobre como remunerar as pessoas no nosso ramo. A porcentagem de gratificações discricionárias concedidas em ações deveria aumentar expressivamente, à medida que aumenta a remuneração total do empregado. O desempenho de um indivíduo deveria ser avaliado ao longo do tempo para evitar assumir risco excessivo. Para garantir isso, todas as concessões de ações devem estar sujeitas à entrega futura e ou exercício diferido. Executivos do alto escalão deveriam ser obrigados a manter a maioria das ações que receberem pelo menos até se aposentarem, ao passo que os prazos de entrega das ações devem continuar em vigor depois que o indivíduo deixar a firma.

Para formuladores de política e reguladores, deve ficar claro que a autorregulamentação tem os seus limites. Nós racionalizamos e justificamos as políticas de preços de risco decrescente a pretexto de ele ser diferente. Agimos assim porque nosso interesse pessoal em preservar e expandir a nossa participação de mercado, como concorrentes, algumas vezes nos cega - especialmente quando a exuberância atinge o seu clímax. No mínimo, solucionar um problema que permeia o sistema, elevar parâmetros ou levar o setor a uma resposta coletiva requer regulamentação central eficaz e o poder congregador dos reguladores.

Parâmetros de capital, crédito e subscrição deveriam estar sujeitos à "regulamentação mais dinâmica". Os reguladores deveriam considerar as exigências e benefícios regulatórios necessários para assegurar um regime que seja suficientemente sólido e ágil para identificar e limitar excessos de mercado adequadamente, particularmente num período de crescimento econômico sustentado. Assim como o banco central dos EUA ajusta as taxas de juros para cima para refrear inquietação econômica, várias referências e índices poderiam ser adequadamente calibrados. Para aumentar a transparência global e ajudar a garantir que o valor contábil realmente signifique valor contábil, os reguladores deveriam exigir que todos os ativos em todas as instituições financeiras sejam avaliados igualmente. Contabilidade pelo valor justo proporciona mais clareza aos investidores no tocante a riscos no balanço patrimonial.

O nível de coordenação e comunicação da supervisão mundial deve refletir a interconexão global dos mercados. Os reguladores devem instituir troca de informações mais vigorosa e de divulgação harmonizada, combinada a regimes de demonstração mais sistêmicos e eficazes para instituições e principais participantes de mercado. Sem isso, os reguladores carecerão das ferramentas essenciais para ajudá-los a compreender os níveis de vulnerabilidade sistêmica no setor bancário e nos mercados financeiros de forma mais abrangente.

Nesse aspecto, todas as combinações potenciais de capital que dependem do funcionamento tranquilo do sistema financeiro e que são grandes o bastante para representarem um fardo sobre eles numa crise deveriam estar subordinadas a alguma medida de regulamentação.

Depois dos choques dos meses recentes e do sofrimento econômico associado, existe um desejo natural e pertinente de reforma abrangente do nosso regime regulatório. Devemos nos opor a uma resposta, porém, que esteja projetada exclusivamente para nos proteger de uma tempestade de 100 anos. Remover o risco completamente do sistema virá ao custo do crescimento econômico. Igualmente, se abandonarmos, ao contrário de regularmos, os mecanismos de mercado criados décadas atrás, como securitização e derivativos, poderemos acabar limitando o acesso ao capital e à proteção eficaz e à distribuição do risco, quando finalmente conseguirmos superar esta crise.

A maior parte do século passado foi definida por mercados e instrumentos que destinam recursos à inovação, recompensam a assunção de risco empresarial e atuam como um catalisador importante para o crescimento econômico. A história demonstrou que um sistema financeiro dinâmico e vibrante está no núcleo de uma economia dinâmica e vibrante.

Temos muito a fazer coletivamente para reconquistar a confiança do público e ajudar a reparar o nosso sistema financeiro para restaurar a estabilidade e a vitalidade. O Goldman Sachs está comprometido a fazê-lo.

Lloyd Blankfein é executivo-chefe do Goldman Sachs
http://www.valoronline.com.br/ValorImpresso/MateriaImpresso.aspx?tit=O%20setor%20financeiro%20precisa%20aprimorar%20a%20gest%C3%A3o%20de%20risco&dtMateria=20/02/2009&codMateria=5428042&codCategoria=93&p=684&t=12px

BB turbina crédito e lucra R$ 8,8 bi

Maria Christina Carvalho, de São Paulo
Valor Econômico 20/02/2009
O Banco do Brasil (BB) pisou no acelerador no quarto trimestre de 2008. Aproveitando a retração dos concorrentes com a crise internacional e sob pressão do controlador, o governo, turbinou os ativos e a carteira de crédito, o que lhe garantiu o maior lucro até agora registrado em um ano e lhe permitiu reduzir substancialmente a distância em relação ao novo líder do mercado, Banco Itaú Unibanco, formado pela fusão do Itaú com o Unibanco, anunciada em novembro.

O lucro líquido contábil cresceu 57,7% do terceiro para o quarto trimestre e atingiu R$ 2,944 bilhões, acumulando R$ 8,803 bilhões no ano, 74% acima do registrado em 2007. O retorno sobre o patrimônio líquido foi de 32,5%.

O resultado é recorde para um banco brasileiro. O Bradesco lucrou R$ 7,62 bilhões em 2008. Itaú e Unibanco só divulgam o resultado após o Carnaval.

Os ativos totais do BB cresceram com o forte aumento do crédito. Os ativos avançaram 38,3% para R$ 507,348 bilhões; e a carteira de crédito teve expansão de 39,9% para R$ 224,808 bilhões, superando o crescimento médio registrado pelo sistema financeiro de 31%.

O balanço inclui os dados do Banco do Estado de Santa Catarina (Besc) e Banco do Estado do Piauí (BEP), adquiridos em 2008. Somando-se os números dos ativos da Nossa Caixa de setembro (R$ 53,4 bilhões) e 50% do Votorantim de dezembro (R$ 72 bilhões), cujas aquisições serão concretizadas neste ano, o BB terá R$ 610,7 bilhões e vai encostar no Itaú Unibanco. Pelos dados de setembro, Itaú Unibanco tem R$ 575,1 bilhões em ativos totais. Se ele crescer o mesmo que o Bradesco no quarto trimestre, chegará a R$ 618,2 bilhões em ativos totais.

O governo dos EUA toca o pau na máquina e não para de imprimir dólares.

Valor Econômico 20/02/2009
"O governo dos EUA não para de imprimir moeda", brinca John Welch, economista global do Itaú. Segundo ele, a base monetária no país passou de US$ 900 bilhões antes da crise para níveis em torno de US$ 2,6 trilhões neste momento. "Isso, aliado à taxa de juros zero, é o chamado afrouxamento quantitativo", diz. "Nos Estados Unidos, eles têm metas para tentar elevar a inflação e impedir a deflação, o que parece incompreensível no Brasil", comenta.



O governo dos EUA toca o pau na máquina e não para de imprimir dólares, como sempre fez toda vez que precisou. São medidas pragmáticas tomadas para enfrentar a crise. Aqui no Brasil boa parte dos economistas ficam presos a teorias furadas e pisam forte no freio da economia (juros altos). Os caras do BC ficam com o pé no freio e os economista ficam procurando justificativas para o fraco desempenho do país.

Agora botam culpa na crise, mas na verdade esta crise só serviu para revelar as barbeiragens do nosso (?) banco central. O crédito parou em setembro passado porque os bancos ficaram assustados com a inadimplência das empresas que apostaram mais de um ano de faturamento em derivativos cambiais. Loucura estimulada pelo banco central que fazia na BM&F uma operação suspeitíssima chamada de swap reverso (também chamada de swap português, pois no período que o dólar estava em queda no Brasil o BC recebia a variação negativa do câmbio e pagava a taxa SELIC). Muita gente ganhou dinheiro com isso. As exportadoras foram levadas a fazer esta operação para fazer frente ao dólar em queda (que prejudica a indústria brasileira).

Só que quando o câmbio virou (de R$1,65 para R$2,20) pegou muita gente de calças curtas. Os bancos enfiaram esse tipo de operação até em pequenos e médios empresários (capital de giro). Tudo sobre supervisão do BC que se gaba de ser rigoroso.

Vale pode ter embarque recorde de minério para a China no 1º trimestre

Valor Online 20/02/2009

RIO - A Vale estima bater o recorde trimestral de embarque de minério de ferro para a China no primeiro trimestre deste ano. A expectativa é de que os embarques para o país asiático atinjam 30 milhões de toneladas entre janeiro e março, enquanto a estimativa do total de embarques do produto é de 50 milhões de toneladas no período.


Essa notícia é muito boa para a Vale e para quem tem suas ações. No seu relatório trimestral de 3 trimestre de 2008 a empresa se mostrava muito otimista com relação à economia chinesa, parece que seus analistas acertaram.

Eu particularmente não vejo muita vantagem em exportar minério de ferro. O Brasil precisa articular para que esse minério seja transformado em aço e posteriormente sendo usado como insumo para a construção civil e para a indústria nacional.

O país precisa se desenvolver e não é exportando produto primário que chegaremos lá.