domingo, 15 de junho de 2014

Metrô de SP é autuado pelo Ministério do Trabalho por demitir grevistas338

Do blog do Sakamoto

Leonardo Sakamoto
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A Companhia do Metropolitano de São Paulo foi autuada, nesta sexta (13), pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego por atitude anti-sindical devido à demissão de trabalhadores em meio à greve da categoria.
“O Metrô tinha meios jurídicos para fazer valer a decisão do Tribunal Regional do Trabalho. Mandar embora 42 trabalhadores sem nem dizer qual a justa causa que está sendo alegada é abuso de direitos'', afirmou Renato Bignami, auditor fiscal do trabalho responsável pelo caso. “Uma greve é conflitiva por natureza. Não é correto a empresa se valer de seu poder hierárquico e mandar embora 42 trabalhadores diretamente envolvidos na greve. Isso é aviltar os direitos dos trabalhadores'', explica.
Através de sua assessoria de comunicação, o Metrô de São Paulo informou que “as demissões não se basearam no ato de greve, mas em razão de abusos cometidos durante o período de greve''.
O auto de infração afirma que a dispensa por justa causa de 42 trabalhadores, alguns dos quais dirigentes sindicais, “adquire contornos de desproporcionalidade, notadamente tendo em vista a decisão judicial editada em favor da empresa''.
O impacto financeiro é mínimo dado que o valor da autuação é baixo (R$ 8.050.55) e, além disso, cabe recurso. Contudo, ela significa que o Ministério do Trabalho e Emprego vê as demissões de trabalhadores durante a greve como abusivas. Ou seja, isso ajuda a reabrir a discussão sobre a legitimidade das demissões do Metrô e contribui com o argumento da defesa dos trabalhadores.
“O ato terminativo dos 42 contratos de trabalho por justa causa dos empregados acabou, assim, aparentando uma medida de caráter persecutório que poderia possuir o condão da vingança ou perseguição à categoria, incabíveis neste momento de conflito.'' Segundo o auto, a empresa contraria convenções da Organização Internacional do Trabalho, atentando contra a liberdade sindical.
A greve dos metroviários de São Paulo começou no dia 5 de junho e foi suspensa na última quarta (11). Eles reivindicavam um aumento de 12,2% e o governo estadual chegou a propor 8,7% – mesmo índice sugerido pelo Tribunal Regional do Trabalho. Os trabalhadores ameaçam parar novamente caso os 42 demitidos não sejam reintegrados sem sanções.
Atualizado às 17h30, do dia 13/6/2014, para inclusão do posicionamento do Metrô.

Gringos "provam" que problemas não são "só no Brasil" e também reclamam

De vez em quando a mídia brasileira publica alguma coisa útil. Leia a matéria abaixo do UOL.
No final de abril quando fui em Houston no Texas, fiquei 2 horas e meia na fila da imigração. Eles não tavam nem aí que a maioria dos que estavam na fila ia pegar conexão (o aeroporto lá é um grande hub) e corria risco de perder o vôo seguinte.

http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2014/06/13/gringos-provam-que-os-problemas-nao-sao-so-no-brasil-e-reclamam-tambem.htm
Fabiana Uchinaka
Do UOL, em São Paulo
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Só no Brasil... o transporte atrasa, não há táxis, a fila não anda, o aeroporto é uma bagunça, o ônibus é lotado. Só no Brasil existe burocracia, injustiça e corrupção. Só no Brasil tem protesto e confusão.
Reprodução/Facebook
Reportagem da revista The Economist fala sobre os problemas do Brasil
Só que... não.
Desde que o país do futebol virou o palco desta Copa do Mundo, a expressão virou o bordão dos brasileiros para reclamar dos problemas mais sérios --ou esdrúxulos-- que temos por aqui e para manifestar grandes doses de "vergonha" pelo mundo estar vendo nossas mazelas. Mas os comentários dos internautas de outros países nas redes sociais têm mostrado que não é bem assim.
A revista britânica The Economist publicou na terça-feira (10) o texto "Traffic and tempers" (algo como "trânsito e humores") no Facebook, que traz um relato do imbróglio que é circular por São Paulo na véspera do Mundial e diz que "no momento em que você aterrissa no Brasil você começa a perder tempo". Dezenas de gringos rebateram o artigo com frases que podem deixar alguns internautas canarinhos chocados:
"Parece quando você visita o departamento da Receita da Filadélfia [nos EUA] para pagar uma conta", diz o americano Sam Sherman.
"Há filas diárias por táxis no aeroporto Schiphol, em Amsterdã... E não é Copa do Mundo", conta Tatyana Cade.
"Cena diária do trajeto em Tóquio, exatamente como esta imagem", alerta Ryo Yagishita.
"Parece a Argentina, nada mais refrescante que viajar como gado depois de um longo dia de trabalho", descreve Pao Radeljak. "Me lembra Buenos Aires", completa Paola Scarlett.
Reprodução/Facebook
"A mesma coisa aconteceu com os brasileiros quando eles viajaram de Heathrow para Gatwick. O engarrafamento caótico de Londres [que sediou a última Olimpíada] também é mundialmente famoso. Depois, pense no eletricista inocente que foi morto por policiais justiceiros no metrô de Londres, que disseram que ele era terrorista [caso Jean Charles de Menezes]. Não é uma vergonha para um país desenvolvido reclamar do Brasil quando também tem problemas em seu país? Pense nos manifestantes em Londres, e na destruição por quatro dias alguns anos atrás. Então vira vergonha duplar", afirmou Naithirithi Chellappa.
"Para todos os brasileiros que reclamam de seu país: vocês deveriam tentar viver na Europa por um minuto. Sim, nós temos tudo regulado, mas as coisas estão cada vez mais nazistas. E falar sobre corrupção? Você acha que não acontece aqui? Aqui é tão desenvolvido que você nem vê, está muito escondido e tudo é feito por políticos e outros criminosos [daqui] fora da Europa", analisa o holandês Roas Metten. "A polícia é uma piada, eles não pegam criminosos, eles dão multas o dia todo."
Metten completa: "Os abraços e beijos que recebo em um mês no Brasil, não ganharia em dez anos na Europa. Então talvez as coisas aqui sejam melhores reguladas pelas leis e sistemas, mas é um inferno culturalmente e nas relações."
O espanhol Álvaro Munhoz tenta fazer uma análise mais ampla: "Para falar a verdade, se o número de pessoas que chega ao mesmo tempo excede a capacidade, a situação poderia acontecer em qualquer lugar do mundo."
Enquanto o internauta Leandro Cintra aproveitou para contar que recentemente levou 40 minutos para conseguir um táxi... em Nova York (EUA). E mais meia hora para entrar em um ônibus... em Fort Lauderdale (EUA). Já Wenderson Neves lembrou que a fila na imigração de Londres é de pelo menos duas horas com policiais muito pouco cordiais. 
A também britânica BBC perguntou em texto publicado na terça: "What is it like to live in a Favela?" (Como é viver numa favela?). E a internauta Adreane Bertumen prontamente respondeu: "Todo país, toda cidade tem a sua 'favela'. Gueto é gueto em todos os lugares. O Brasil não é o único".
Reprodução/Facebook
"Essas favelas não são nada comparadas às que temos em Nairóbi, no Quênia", diz Eric Murimi. "Venham ver Sodoma e Gomorra em Gana", convida Leroy Amankwa.
"Nos Estados Unidos, nós precisamos acordar e olhar ao redor. É difícil achar uma cidade que não tenha acampamentos de sem-teto por todo seu perímetro. Bem escondidos, mas estão cada vez maiores a cada ano. Não estamos em posição de jogar pedra em outros governo", ressalta Marie Lawson. "Nos EUA, temos guetos e estacionamentos de trailers", concorda Eric D Molino.

Tumblr ironiza "complexo de vira-lata"

Os problemas são gerais, mas talvez "só no Brasil" as pessoas se disponham a gastar tempo e paciência para criar uma página da internet só para isso. O pessoal do Tumblr "Só no Brazil" faz isso: pescar os desabafos nas redes sociais e provar que certas coisas não são privilégio nosso. 
Se você ainda não se convenceu, confira alguns exemplos abaixo.
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Tumblr ironiza desabafos de brasileiros sobre problemas nacionais9 fotos

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"Só no Brazil" os estádios não ficam prontos Reprodução/sonobrazil.tumblr.com/

quinta-feira, 12 de junho de 2014

O país dos coronéis e a nova democracia social

O Brasil é um país com várias camadas arqueológicas. Tem o país dos novos mercados, das novas tecnologias, de uma sociedade civil pujante, de novos movimentos nascendo ao largo das velhas instituições, de novos direitos sociais sendo reconhecidos pela sociedade e pelo Supremo Tribunal Federal, novas políticas sociais amparando de minorias raciais a pessoas com deficiência.
Ao mesmo tempo, é o país anacrônico, com manchas de trabalho escravo mas, principalmente, com um ranço insuperável, fruto da herança coronelística da Velha República, da visão de compadrio do "homem cordial", que não aceita nenhuma forma de mediação dos poderes que não passe pelo seu poder de arbítrio.
Só isso para explicar as críticas anacrônicas da parte da mídia aos decretos da Presidente da República instituindo a Política Nacional de Participação Social, formalizando diversos conselhos para ampliar a participação social nas políticas públicas.
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O Estadão soltou um editorial em que acusa Dilma de pretender mudar a Constituição. "A participação social numa democracia representativa se dá através dos seus representantes no Congresso, legitimamente eleitos".
É o mesmo jornal que deblatera diariamente contra os arreglos políticos, contra o loteamento de diretorias de estatais para políticos, contras os pactos nefastos do presidencialismo de coalizão, contra os vícios de democracia, que vende o lema de que todo político é ladrão. De repente, o Congresso ganha legitimidade para tudo, até para opinar em políticas que são prerrogativas do Executivo e até para co-participar de governo.
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Por acaso cabe ao Congresso definir formas de implementação do Plano Nacional de Educação,  as estratégias para o Bolsa Família,  as políticas para micro empresas, as políticas de defesa do consumidor? É evidente que não. Quem define isso é o Executivo, governo eleito diretamente pelo voto popular. E se o governo abre espaço para a participação popular em políticas que afetam diretamente as pessoas, não está aparelhando nada: está abrindo mão do poder absoluto e ouvindo de forma institucionalizada a voz dos clientes dos serviços públicos representantes diretos da sociedade civil.
Confundir esse movimento de abertura para a sociedade com aparelhamento do Estado é má fé.
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A natureza desses conselhos consultivos é a mesma que deveria vigorar nas relações com o setor econômico. A ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) tem várias câmaras setoriais, com a presença de empresários dos diversos setores incumbidos de fornecer subsídios para as políticas setoriais. Acaso foram taxadas de aparelhamento?
As críticas a se fazer é à baixa implementação das conclusões geradas por esses conselhos, não à sua criação.
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O problema do jornal é que, com a criação de conselhos de toda ordem - para a área social, econômica, educacional - o governo passará a ouvir as demandas da sociedade diretamente, e sem a intermediação de uma mídia que há muito tempo perdeu a capacidade de mediar as necessidades da sociedade.
É importante recordar que as pessoas que saíram as ruas em junho do ano passado reagiram contra o anacronismo de todas as instituições, não apenas do Executivo, Legisdlativo e Judiciário, mas também da mídia.
Que venha a nova democracia social!

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Globo contra a voz do povo na administração pública

A Globo é contra a participação da sociedade civil nas decisões do governo. A direita é contra (PSBD e DEM).

Lembra-se que há pouco o povo nas ruas dizia os políticos não estavam representando o povo devidamente. Agora o governo federal que estimular maior participação da sociedade civil, a maior emissora do país (concessão pública) faz campanha contra.

Dá voz para à oposição conservadora que não quer nem saber de povo. Dá voz ao Gilmar Mendes (que é minimamente informado sabem quem representa).

terça-feira, 10 de junho de 2014

Os problemas da pegada ecológica como métrica de sustentabilidade

http://jornalggn.com.br/noticia/os-problemas-da-pegada-ecologica-como-metrica-de-sustentabilidade

Por Rogério Maestri
A farsa da pegada ecológica como métrica de sustentabilidade
As pessoas inventam definições que devem nortear o comportamento humano e para isto medem através de índices como se deve conduzir o homem para respeitar estas definições. Entretanto os índices podem representar exatamente ao contrário do que a definição previu isto ocorre com um conceito e uma métrica, a sustentabilidade e a pegada ecológica (ou pegada de carbono).
O conceito de sustentabilidade diz em sua definição que algo sustentável deverá permitir que as gerações futuras possam viver de acordo com o a capacidade da Terra de regenerar e permitir que as gerações futuras sobrevivam com o mesmo nível de vida que nos dias atuais.
Para quantificar esta sustentabilidade existem várias métricas, que variando de um valor mínimo a um máximo, permitem definir se um país ou uma região é mais ou menos sustentável do que o outro, ou seja, se um grupo social atinge um valor 0,2 e outro um valor 20 o país que atinge um valor 20 seria 100 vezes menos sustentável do que o outro.
Uma das métricas mais conhecidas e quantificada de acordo com normas e procedimentos definida por uma fundação internacional, a Global Footprint Network, é a pegada ecológica ou também conhecida pela pegada de carbono, esta fundação define através Ecological Footprint Standarts como deve ser calculada esta pegada ecológica.
Partindo dessas definições, um país com baixo valor de pegada ecológica, permitirá que as gerações futuras vivam exatamente no mesmo nível de vida que as gerações presentes, logo olhando sob o ponto de vista humanístico é de se pensar que países que possuem uma ótima pegada ecológica serão exemplos de padrão que devemos seguir, porém se analisarmos friamente os resultados das pegadas ecológicas veremos que esta métrica mostra exatamente ao contrário, pois vamos aos fatos.
De tempos em tempos a partir de dados de diversas organizações é feito o Ecological Footprint Atlas em que são classificados os países que mais respeitam a pegada ecológica e os que menos respeitam. O último disponível em rede é o Ecological Footprint Atlas 2010, onde aparecem os países com menor pegada ecológica (aqueles que teoricamente seriam capazes de manter o meio ambiente para as futuras gerações) e os países com maior pegada ecológica (aqueles que não possibilitariam a vida das suas próximas gerações). No relatório de 2010 os 11 países com melhor pegada ecológica por ordem decrescente de desempenho são:
Bangladesh,
Afeganistão,
Haiti,
Malawi,
República Democrática do Congo,
Paquistão,
Moçambique,
Eritreia,
Burundi,
Zâmbia e
Iêmen.
por outro lado os países que não garantem a vida de suas próximas gerações são por ordem decrescente de sustentabilidade são
Emirados Árabes Unidos,
Qatar,
Dinamarca,
Estados Unidos,
Bélgica,
Estônia,
Canadá,
Austrália,
Kuwait,
Irlanda e
Países Baixos.
Se olharmos com um mínimo de cuidado a lista dos melhores e dos piores e considerarmos que a primeira das próximas gerações são os filhos que estão nascendo nos dias atuais, deveríamos no limite ter um alto grau de possibilidade de sobrevivência dos primeiros e um baixo grau de sobrevivência dos segundos, ou seja, os campeões deveriam ser o primeiro grupo e os perdedores os do último.

Agora cruzando os valores de mortalidade infantil do primeiro grupo com o do segundo chegaremos aos seguintes resultados para os campeões de sustentabilidade na mesma ordem anterior:
47,3; 187,5; 50,92; 76,98; 74,87; 59,35; 74,63; 39,38; 58,86; 68,58 e 51,93
(média = 71,84),
já por outro lado os piores em sustentabilidade tem os seguintes valores de mortalidade infantil
11,25; 6,6; 4,14; 5,2; 4,23; 6,82; 4,49; 4,78; 7,68; 3,78 e 3,69
(média = 5,69), conservando a ordem anterior.
Como outros padrões de vida, como idade média e outros, seguem mais ou menos o índice de mortalidade infantil, podemos dizer baseado em valores concretos que a pegada ecológica mostra simplesmente que os países de melhor pegada possuem um grau de mortalidade infantil 12,6 vezes pior do que os países de pior pegada ecológica, ou seja, a atual geração dos países “sustentáveis” que está nascendo tem uma chance 12,6 menor do que os países "não sustentáveis”.

Poderíamos traçar uma curva de sustentabilidade versus mortalidade infantil e se veria que quanto mais “sustentável” for o país menos sustentável é a vida de sua geração futura.

Parece ridículo, mas temos um índice de sustentabilidade que indica o inverso que ocorre nos dias atuais, exatamente o inverso! Ou seja, como parâmetro de possibilidade de vida das próximas gerações dever-se-ia procurar a maior pegada ecológica possível.

O que se pode dizer é que por motivos históricos, sociais e econômicos a lista dos países “sustentáveis” é realmente uma lista de miséria provinda de fatores como a opressão colonial e o domínio tecnológico. Porém não se pode utilizar um índice que friamente conduz a resultados inversos do que apregoam seus idealizadores, pois ele é completamente distorcido, indicando não um ideal de comportamento humano, mas sim a realidade de quem é miserável consome muito menos de quem é rico a tal ponto de comprometer a vida de suas próximas gerações.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Os pontos fracos de Padilha, e fortes de Aécio, de acordo com a imprensa

do blog do Nassif
Jornal GGN – Uma análise das reportagens publicadas pelos principais jornais do país no começa desta semana reforça a campanha velada instituída. Dessa vez, os jornais O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo decidiram, de um lado, levantar a bola do candidato do PSDB à presidência, Aécio Neves, enquanto o nome do PT ao governo paulista, Alexandre Padilha, é rebaixado com base em informações obtidas off the records e em inquéritos ainda não concluídos pela polícia.
No segundo caso, a Folha afirma, em matéria veiculada nesta segunda (9), ter apurado que o“Estado [de São Paulo] – considerado prioridade do PT em 2014 – passou a ser um problema para a disputa nacional, e alguns interlocutores de Dilma admitem que o pré-candidato do PMDB à sucessão de Geraldo Alckmin (PSBD), Paulo Skaf, pode ser a aposta para um possível turno. Integrantes da cúpula da campanha presidencial avaliam que, no início do ano, o cenário era mais favorável para o PT paulista.”
O mais interessante é o levantamento sobre os prós e contras da candidatura de Padilha. A favor do candidato, a Folha destacou o apadrinhamento do ex-presidente Lula, que conseguiu emplacar Fernando Haddad na prefeitura de São Paulo. Além disso, o ex-ministro da Saúde teria “desenvoltura” o suficiente para disputar com Alckmin justamente por ser um candidato “que teria menos resistência de angariar apoio no eleitorado mais afinado com os tucanos”.
Contra o ex-ministro há denúncias publicadas recentemente pela mídia contra deputados petistas, e outras que advém de relatórios da Operação Lava-Jato, da Polícia Federal. Padilha teria na sua conta, segundo a Folha, relação com o deputado estadual Luiz Moura, que por sua vez é acusado de ter participado de reuniões com membros da facção criminosa PCC. O concorrente de Alckmin participou, nas últimas eleições, de peças publicitárias pedindo voto ao parlamentar – algo de praxe no meio político, conforme rebateu o ex-ministro durante entrevista ao Roda Viva, na TV Cultura.
Além disso, o deputado federal André Vargas disse à polícia que o ex-ministro da Saúde foi responsável por indicar um ex-assessor para dirigir a Labogen, laboratório controlado pelo doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal por suspeita de ter praticado lavagem de dinheiro. Padilha convocou coletiva de imprensa, há meses, para dizer desafiar a imprensa a provar qualquer fraude dentro do Ministério da Saúde na época em que ele comandava a pasta.
Segundo a Folha, membros da cúpula petista não reconhecem que os escândalos atingem diretamente Padilha, mas indicam que o eleitorado paulista é “moralmente conservador” e associam as denúncias ao PT e isso, consequentemente, prejudica Padilha.
Aécio em alta
Já o Estadão publicou matérias que destacam positivamente a candidatura do tucano Aécio Neves, segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto, e que atingem o PT. Na reportagem “Na gestão Dilma, PT acelera filiações e arrecada quase R$ 50 mi com ‘dízimo’”, o jornal explora o número de filiações partidárias desde janeiro de 2011. Nos últimos três anos, a legenda arrecadou R$ 49,7 milhões em contribuição partidária. Só em 2013 foram R$ 32,6 milhões.
O Estadão não se empenhou em trazer para o leitor, entretanto, o volume de dinheiro que o PSDB empregará na campanha eleitoral de Aécio Neves. O periódio fez uma entrevista exclusiva com o marqueteiro do tucano, Paulo Vasconcellos. Muito por cima, o publicitário mineiro – que acompanha Aécio desde a época de governador – disse que os maiores gastos na campanha serão com logística, mas não revelou números.
Na mesma entrevista, o marqueteiro diz que Aécio já tem uma boa imagem construída, e que o objetivo, agora, é torná-lo mais conhecido nos estados. Sobre as "campanhas difamatórias” que circulam na rede, como as que associam o ex-governador mineiro ao uso de cocaína, o marqueteiro diz que essa pauta sequer está no "radar" da campanha. Aécio não é mesmo muito importunado com o assunto e, quando o é, despista rápido com o argumento de que quer discutir projetos para o Brasil. Vide Roda Viva.
Mas foi a publicação do Estadão deste domingo (8) que deu o tom da campanha da imprensa a favor do senador. Sob titulo “Ignorado há 4 anos, plano de governo tucano é turbinado”, o jornal destaca a equipe e as propostas que o PSDB monta para disputar a presidência este ano.
O Estadão destaca os especialistas convidados por Aécio, a maioria com um pé na administração de Fernando Henrique Cardoso, sem observar em nenhum momento que o ex-presidente sofre grande rejeição entre o eleitorado – segundo a última pesquisa Datafolha, 57% da população não votariam de jeito nenhum em um candidato indicado por FHC –, o que poderia ser, enfim, um ponto negativo na empreitada de Aécio. 
Além disso, até agora, a principal proposta do PSDB para a educação é ampliar o Pronatec e o ProUni, dois projetos de autoria do PT do ex-presidente Lula e de Dilma. A ideia é dizer que os programas não têm dono. Nenhuma fonte ouvida considerou que não apresentar novas soluções talvez seja prejudicial ao tucanato.

domingo, 8 de junho de 2014

Segundo o Valor, sem novos poços produção da Petrobras seria igual à de 2005

Apesar de surgir de uma associação de O Globo e a Folha de S.Paulo, o Valor até pouco tempo respeitava a inteligência do leitor. Mas agora no vale tudo da mídia para emplacar o Aécio (conhecido como Arrocho), o Valor perdeu o respeito.

Todo mundo sabe que uma jazida mineral ao ser explorada após certo tempo se esgota e a produção cai. É isso que ocorre com um poço de petróleo. Para uma petroleira apenas manter sua produção, deve continuamente descobrir novos poços. Para aumentar a produção o esforço é maior ainda.

Agora o jornal Valor quer que sem as novas descobertas a produção se mantenha. Já que o pré-sal não foi um furo n'água como queria a mídia, eles estão tentando ignorá-lo.

Do blog Fatos e Dados
Em relação à reportagem “Sem pré-sal, produção da Petrobras se iguala a 2005” (02/06), a companhia afirma que é inadequada a comparação entre a produção de 2005 e a produção atual, desconsiderando o pré-sal. Reforçamos que não “está sendo difícil aumentar a produção nos níveis prometidos alguns anos atrás”.
A produção crescente do pré-sal em 2014 é prova disso, bem como os recordes que a companhia tem obtido, que a levarão a produzir 4,2 milhões de barris de petróleo/dia (bpd) em 2020. Em breve ultrapassaremos o patamar de 500 mil bpd somente no pré-sal.
Não houve “mudança abrupta de foco da companhia”. O setor de óleo e gás trabalha sempre com perspectiva de longo prazo. A Petrobras ajustou seus projetos para se adaptar à nova realidade, como faria qualquer operadora diante de reservas desta magnitude. Os resultados atuais demonstram o acerto da decisão.
Paralelamente, a Petrobras tem empreendido esforços para manter a produção nos campos do pós-sal, que apresentam declínio natural dentro de parâmetros da indústria. Além da melhoria da eficiência, que acrescentou 63 mil bpd no ano passado, quatro plataformas (P-63, P-55, P-62, P-58) entraram em produção nos últimos seis meses. No segundo semestre, a P-61 entrará em operação. Os sistemas incrementarão a produção da Bacia de Campos.
Não houve "queda galopante na produtividade" como diz o jornal: a contínua atenção à Bacia de Campos fez com que a mesma tenha produzido 1.531 mil bpd em 2013 contra 1.693 mil bpd em 2009, quando atingiu o maior volume de sua história. A Bacia de Campos continua sendo o mais importante polo de produção, contribuindo com cerca de 76% do total produzido pela Petrobras.
Por fim, com relação à diferença entre produção prevista no Plano de Negócios 2007-11 e a realizada, ressaltamos que os planos de negócios da empresa são revisados a cada ano. A companhia já havia destacado, na divulgação do Plano de Negócios 2012-16, a postergação entre 2 e 3 anos do atingimento das previsões de produção. A Petrobras reafirma seu compromisso com o aumento da produção, que terá crescimento sustentável de cerca de 7,5% em 2014, com margem de 1 ponto percentual para mais ou para menos.
A carta foi publicada nesta quinta-feira pelo jornal acompanhada da nota de redação abaixo:
"A dificuldade da Petrobras de obter os aumentos de produção prometidos são bastante conhecidos pelo mercado. A reportagem mostrou que no plano de negócios de 2007 a Petrobras previa produzir 2,374 milhões de barris/dia em 2011, e produziu 352 mil barris a menos que o previsto cinco anos antes. A reportagem mostrou os desafios da companhia e as metas de crescimento de 2014."