terça-feira, 17 de março de 2009

Haddad propõe mudanças nos vestibulares das universidades federais

O ministro da Educação Fernando Haddad, defendeu ontem a reformulação dos processos seletivos para ingresso nas universidades federais. A proposta do Ministério da Educação (MEC) é criar, em acordo com os reitores das universidades, um processo de seleção unificado para todo o país a ser testado em seleções no ano que vem. "Os vestibulares, como estão organizados hoje, privilegiam a memorização em detrimento da capacidade de raciocínio do aluno", disse à Rádio CBN.

Para o ministro, o atual modelo dos vestibulares não estimula o aprendizado dos alunos de maneira crítica. A intenção é criar uma avaliação única para todas as federais em que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) seja usado na primeira fase. "Poderíamos complementar a segunda fase com conteúdos específicos", propôs. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) ajudaria a desenvolver as provas da segunda fase. Atualmente, cada instituição desenvolve o seu próprio exame vestibular.

om o modelo unificado, o estudante poderá se beneficiar mais da expansão das universidades federais. Como o processo seletivo seria o mesmo para ingresso em qualquer universidade federal, um aluno do Nordeste, por exemplo, poderia estudar numa instituição no Sul do país. "Hoje a rede federal está em mais de 200 municípios. São 227 mil vagas de ingresso em todo o Brasil", lembrou Haddad.

Fonte: Valor Econômico 17 de Março de 2009

AIG pagará bônus a empregados da divisão financeira

A seguradora norte-americana American International Group (AIG) pagará US$ 450 milhões em bônus a seus funcionários da unidade de produtos financeiros, de acordo com o Wall Street Journal. A divisão foi uma das principais responsáveis pelo quase colapso da companhia, que utilizou US$ 173,3 bilhões do governo norte-americano para continuar funcionando até o momento.

Justamente para aqueles que fizeram o estrago são premiados. São esses mesmos executivos que definem os valores de seus bônus olhando basicamente os ganhos no curto prazo, mesmo vendo o prejuízo certo. Perdem os acionistas, e agora perde todos os contribuintes que ficarão com a conta.

AIG é a maior seguradora e a maior administradora de planos de previdência privada do mundo. Mesmo hoje, poucos o problema da excessiva financeirização.

segunda-feira, 16 de março de 2009

A poupança agora é a culpada pelos juros altos

Ontem (16/03/09) jornal Valor Econômico publicou um editorial que me pareceu ter sido encomendado pelos banqueiros "Desindexar a poupança para auxiliar a política monetária".

O jornal diz que a remuneração da poupança impede que a SELIC caia mais. A poupança rende líquido uns 7,5% ao ano. Com a taxa de juros caindo a poupança se torna mais atraente.

Se as aplicações migrarem para a poupança, os banqueiros deixaram de ganhar uma montanha de dinheiro fácil. A taxa de administração cobrada dos clientes fica em torno dos 4%, quando na maioria dos casos não deveria ultrapassa 0,5%. As pessoas percebem a mordida que os bancos dão em suas aplicações. A indústria de fundos controlada principalmente pelos grandes bancos de varejo movimenta centenas de bilhões de Reais e é uma importante fonte de receita para os bancos.

Além disso, os recursos captados na poupança devem ser destinado ao financiamento do setor produtivo (crédito imobiliário e agrícola).

O BC, que muitos acham que mantém os juros altos para conter a inflação (que foi derrotada em 1994), está mesmo preocupado é em sustentar ganhos absurdo do setor financeiro.

Levando a teoria ao pé da letra

Levando a teoria ao pé da letra

Por falar em corte dos gastos correntes o governador Arruda do DF, levou a teoria pregada pelos cabeções ao pé da letra.

O programa CQC da Bandeirantes na semana passada mostrou o Hospital de Santa Maria, inaugurado em abril de 2008 no DF. O hospital, segundo a reportagem tem capacidade para atender mais de um milhão de pessoas por ano.

O prédio foi inaugurado, o hospital está fechado.

Procurador da República Rodrigo de Grandis não considera ajuda da ABIN ilegal

Veja, Globo e outros veículos da mídia cada vez mais enterrados na lama. Para defender Daniel Dantas, manipulam, mentem, te enganam.

Em nota à imprensa, o procurador responde à Veja desta semana - segundo a revista, durante a operação, o delegado Protógenes teria sido apoiado por “mais de 80 espiões da Abin”, e ele (de Grandis) e o juiz federal Fausto De Sanctis teriam conhecimento do fato.

De acordo com o procurador, nenhum documento dos inquéritos e do processo relativos à Satiagraha cita a participação dos agentes da Abin e “todos os atos de polícia judiciária são assinados por delegados e agentes de Polícia Federal”.

Mesmo ressaltando não ter sido informado sobre a participação de agentes da Abin na Operação Satiagraha, o procurador afirma não encarar isso como crime ou ilegalidade.

“A Lei do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin) prevê a participação de agentes de inteligência e o compartilhamento de dados entre a polícia e os demais órgãos de inteligência. Sustentar que a participação da Abin é ilegal é o mesmo que apontar que a participação do Bacen (Banco Central), numa investigação de fraude financeira, ou da Receita Federal, numa investigação fiscal, por exemplo, é ilegal”, diz a nota do procurador.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Decisão é insuficiente para retomada econômica

Fernando Travaglini, de São Paulo
Valor Econômico 12/03/2009


Valor: Como você avalia a decisão do BC?

André Modenesi: Surpreendente. Ainda mais surpreendente por ser uma decisão unânime. Eu achava que ele cortariam um ponto até pela sinalização que estava sendo feita. Na última ata eles enfatizaram que boa parte do ajuste estava sendo feito naquele corte de um ponto e recentemente o Mário Torós [diretor de política monetária] divulgou estudo comparando a inflação no Brasil com o resto do mundo. O que explica esse corte é a deterioração muito rápida das expectativas empresariais. Os últimos dados econômicos mostram que a situação piorou muito. Por um lado é boa notícia, mas por outro lado preocupa um pouco, porque o BC fazer essa guinada mostra que a situação pode ser mais preocupante do que eu pensava.

Valor: O que muda em termos de inflação e do nível de atividade?

Modenesi: Do ponto de vista das expectativas de inflação não muda muito. Elas estão muito bem comportadas e com esse cenário de crise é difícil haver um movimento de alta. Mas eu não sei até que ponto isso pode reverter a desaceleração. Há uma deterioração muito forte das expectativas dos empresários. A Fiesp prevê crescimento zero do PIB, ou até negativo para esse ano. É claro que a decisão alivia. É um alento que o BC está dando. E mostrou que de fato ele está tendo alguma preocupação com o nível de atividade, mas não resolve o problema.

Valor: Por que?

Modenesi: Porque, em geral, a política monetária é mais eficaz para segurar o nível de atividade do que para estimular. Analogia que eu faço é com uma corda: a política monetária serve para segurar, mas não serve para empurrar. Se a economia está num processo de crescimento acelerado e o BC gera uma contração monetária, é muito provável que isso gere desaceleração do nível de atividade, mas o contrário não acontece. Nesse sentido, não espero uma recuperação surpreendente do nível de atividade em função desse corte maior. Até porque a taxa real continua razoavelmente alta [fechou ontem em 5,3%]. É difícil imaginar que o empresário vai desengavetar um plano de investimento simplesmente porque a Selic caiu um ponto e meio. É isso que quero dizer com a analogia da corda. A política monetária está deixando de ser entrave, mas não quer dizer que ela vai estimular a economia.

Valor: O que precisaria ser feito?

Modenesi: Para estimular a atividade, o governo tem um papel central. O governo tem um papel muito forte no sentido de coordenar uma retomada das expectativas. Acho que o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) é importante. Está tendo uma queda de demanda agregada e nessa situação o governo pode tentar compensar essa queda por meio da manutenção dos gastos, principalmente com o programa de investimentos do PAC.

Valor: Há alguma alternativa para a política monetária atual?

Modenesi: Eu interpreto, do estudo do Torós [comparando a persistência inflacionário do Brasil com outros países], que essa persistência mostra que o regime de metas de inflação é pouco adequado ao Brasil. Aqui o problema é que o desaquecimento da economia não reduz a inflação. A questão é se seria adequado concentrar a estratégia em um único instrumento, o juro, se ele está sendo pouco potente. Fundamentalmente, quando se está usando métodos de combate à inflação, há uma tendência de se negligenciar as pressões de oferta, de custos, e se valoriza a demanda. A ideia é que são necessários instrumentos complementares a política de taxas de juros. O BC não é o único responsável por criar as condições para expansão da oferta ou a redução dos custos. É uma coisa mais difícil de implementar porque não é uma receita de bolo. Tem de olhar setor por setor. Mas essa é uma oportunidade de se tentar pelo menos iniciar essa discussão, de que fatores de custo ou fatores de oferta não sofrem impacto da política monetária.

Valor: Mas a queda da Selic tem algum lado positivo?

Modenesi: O impacto mais positivo é sobre a redução dos gastos públicos no sentido de viabilizar o programa de investimento do governo. Um corte de 1,5 ponto gera economia em torno de R$ 9 bilhões nos gastos com serviços da dívida. Isso viabiliza a manutenção dos investimentos do governo em face de uma previsível queda da arrecadação, que deve ficar ao redor de R$ 20 bilhões. Isso contribui para manter um nível mínimo da atividade econômica.

Valor: Como essa redução chega ao crédito? Haverá redução dos spreads?

Modenesi: Imagino que, de uma forma geral, os spreads vão continuar alto. Não acho que 1,5 seja suficiente para estimular uma mudança no comportamento dos bancos que poderia gerar queda do spread. Com esse cenário muito deteriorado, os bancos também não vão querer emprestar. Há dois fatores. A queda de juros, por um lado, contribui para uma queda do spread, ainda que marginal, pois os títulos públicos ficam menos atrativos e isso, na margem, estaria estimulando as operações de crédito. Mas por outro lado, dado esse quadro muito sombrio, os empréstimos estão mais arriscados. O banco está mais receoso de emprestar para o empresário que possivelmente não vai ter demanda para produção fruto daquele investimento. Apesar da queda da Selic, é possível que o spread não caia. Pode até ser que ele aumente.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Brasil tem o maior juro do mundo

Mesmo após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) nesta quarta-feira de cortar a taxa básica de juros (Selic) em 1,5 ponto percentual, o Brasil continua com o maior juro do mundo. Com SELIC indo para 11,25% ao ano o Brasil se mantém na liderança mundial dos juros altos. O juro real (descontado a expectativa de inflação) foi para 6,5% aa, na Argentina, por exemplo, é 4,3%.

Enquanto a mídia destaca que esse foi o maior corte desde 2003, entidades ligadas ao setor produtivo (Fecomercio, Associação Comercial de São Paulo - ACSP, as centrais sindicais) afirmam que o corte foi muito tímido. Como pode? Boa parte da imprensa critica o governo por isso e aquilo, mas defende em coro a política de Renda Máxima (ou Juro Máximo) que beneficia um pequeno número de pessoas. Cerca de 20% da carga tributária vai para pagamentos de juros. Não tem explicação. Nos outros países isso não chega a 5%.

Frente ao tamanho da crise que assola o mundo, incluindo o Brasil, é um crime o Banco Central levar 6 meses para dar uma resposta e mesmo assim pífia. Os bancos centrais no resto do mundo baixaram suas taxas de juros a níveis pouco acima de zero.

Segundo estudo recente do IPEA, o Brasil deveria baixar os juros em cerca de 6%, gerando uma economia para nossos bolsos de uns R$45 bilhões. Com esses recursos o governo poderia ampliar investimentos (estradas por exemplo) e aliviar impostos principalmente das pequenas empresas e das pessoas de menor renda.


Leia mais...
Roberto Troster (ex-economista chefe da FEBRABAN): "Não faz sentido um juro tão alto"

Ipea sugere redução gradual da taxa Selic em 2009

O Banco Central tem que ser nosso